Em um reino ameaçado por uma força maligna conhecida como Sombras do Crepúsculo, a jovem sacerdotisa Yhasemin une forças com Perséfone e os líderes das sete legiões para combater essa ameaça crescente. Descobrindo que os inimigos estão usando feitiç...
O fogo da lareira tremulava fracamente, projetando sombras dançantes nas paredes de lona da minha tenda. O estalar ocasional das brasas era o único som que me acompanhava enquanto revisava os relatórios deixados pelos soldados. Eles traziam detalhes precisos: inventários de armas, estoques de alimentos e registros de patrulhas. Cada linha parecia um lembrete do peso da responsabilidade que pairava sobre meus ombros.
Eu suspirei, ajeitando uma mecha de cabelo que insistia em cair sobre meus olhos, e me inclinei para colocar mais lenha no fogo. O calor renovado preencheu a tenda, afastando o frio noturno que ameaçava se infiltrar.
De repente, risadas ecoaram do lado de fora, quebrando o silêncio tranquilo. Elas eram altas, contagiantes, e vinham acompanhadas de passos firmes que se aproximavam rapidamente. Levantei a cabeça, curiosa. Não era comum ouvir tantas gargalhadas em tempos como este.
Quando a lona da entrada foi afastada, Arin, Lyria, Kael e Eirik entraram, ainda rindo, enquanto Thoren os seguia com um sorriso divertido, embora claramente fingisse estar ofendido. A energia deles era quase palpável, como uma rajada de vento fresco depois de um dia abafado.
Não pude evitar sorrir, mesmo sem saber o motivo de tanta diversão.
— Por que estão rindo? — perguntei, deixando de lado os relatórios e cruzando os braços.
Thoren foi o primeiro a responder, inclinando-se levemente para frente com um brilho malicioso nos olhos.
— Contei a eles a história de Loki e o cavalo — disse, em um tom teatral, como se estivesse revelando algum grande segredo.
— Oh, entendi. Vocês ainda não conheciam essa? — perguntei, agora olhando diretamente para os outros, que ainda riam. Meu próprio sorriso se alargou enquanto compartilhava da diversão deles.
Lyria tentou se recompor, mas não conseguiu conter uma gargalhada. Ela se jogou em uma das cadeiras ao redor da lareira, secando as lágrimas que escorriam de tanto rir.
— Eu sabia que Loki era excéntrico, mas isso... isso supera qualquer coisa! Como ele se transforma em uma égua e ainda... você sabe... dá à luz a um cavalo? — Sua voz saiu entrecortada pelo riso.
Eirik, sempre mais reservado, sacudiu a cabeça com um sorriso contido.
— O que me intriga não é a história em si, mas como Thoren a conta. Ele faz parecer que estivemos lá para assistir.
Thoren fez uma reverência exagerada e sentou-se com um ar triunfante.
— Isso, meus caros, é o talento de um verdadeiro contador de histórias. Vocês não apenas ouvem; vocês vivem cada momento.
Arin puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado, ainda sorrindo.
— Ele tem razão. Por alguns minutos, eu realmente acreditei que estava vendo Loki correndo pela floresta, sendo perseguido por aquele cavalo. Foi tão real que quase me esqueci de respirar.
Kael, que costumava ser o mais sério do grupo, finalmente deixou escapar um sorriso discreto.
— Bem, se você vai nos envolver em suas histórias, Thoren, que pelo menos sejam útis. Loki pode ser fascinante, mas estou mais interessado no que isso significa para nós.
Thoren cruzou os braços, fingindo indignação.
— Você realmente não sabe apreciar uma boa anedota, Kael. Mas, se quer um significado, pense nisso como um lembrete de que até os deuses têm seus momentos... peculiares.
Eu ri e decidi intervir antes que o debate tomasse um rumo mais sério.
— Vocês todos precisam disso: um pouco de leveza. Estamos vivendo tempos sombrios, e encontrar algo para rir é quase tão importante quanto encontrar um bom suprimento de comida.
A tensão no ambiente diminuiu, e todos pareciam concordar. O calor da lareira agora era acompanhado por uma atmosfera mais leve, mais acolhedora. Arin pegou um pedaço de pão que estava em uma bandeja ao lado e comeu pensativo.
— Thoren, você acha que as histórias de Loki são apenas mitos ou há algo de verdade nelas? — perguntou, quebrando o silêncio momentâneo.
Thoren apoiou o queixo na mão e olhou para o fogo, como se estivesse ponderando profundamente antes de responder.
— Bem, isso depende do que você define como "verdade". Eu diria que toda história tem um núcleo de verdade, mas é cercada por camadas de exagero e interpretações. Loki era imprevisível, sim, mas também brilhante. Talvez não tenha literalmente dado à luz a um cavalo, mas a ideia simboliza algo maior. Transformar-se em algo que ninguém espera e ainda assim triunfar.
Lyria inclinou a cabeça, interessada.
— Isso é um ponto de vista intrigante. Nunca pensei na história assim. Você acha que podemos aprender algo com Loki, então?
Kael revirou os olhos, mas não comentou. Thoren sorriu, claramente satisfeito por ter prendido a atenção dela.
— Claro que sim. Ele nos ensina a pensar fora da caixa. A ser criativos, mesmo quando tudo parece perdido. E, acima de tudo, a nunca subestimar o poder do inesperado.
O clima descontraído continuou por mais algum tempo, com pequenas conversas e risadas ocasionais. Cada um parecia aproveitar a pausa das preocupações do dia a dia. Olhei ao redor e percebi o quão grata era por ter um grupo como aquele. Apesar das diferenças e dos desafios, eles eram minha família naquele momento.
Enquanto o fogo começava a diminuir novamente, eu me recostei, sentindo uma paz rara. Sabia que logo precisaríamos voltar às nossas responsabilidades, mas, por ora, tudo parecia mais leve.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.