Em um reino ameaçado por uma força maligna conhecida como Sombras do Crepúsculo, a jovem sacerdotisa Yhasemin une forças com Perséfone e os líderes das sete legiões para combater essa ameaça crescente. Descobrindo que os inimigos estão usando feitiç...
O sol despontava timidamente no horizonte, tingindo o céu de um dourado suave que se misturava ao azul pálido da madrugada. O ar fresco da manhã invadia a tenda, trazendo consigo o aroma terroso das árvores e o som distante do riacho que corria ao sul do acampamento. Acordei antes dos outros, como de costume. Não era apenas o hábito de liderar, mas a inquietação que sempre vinha após uma noite de reflexões.
Levantei-me devagar, cuidando para não derrubar os papéis que estavam empilhados ao lado da cama improvisada. Na noite anterior, havia revisado os relatórios de abastecimento e feito anotações sobre as estratégias de defesa. No entanto, não era só isso que ocupava minha mente. O peso das decisões e a constante necessidade de parecer forte diante do grupo me deixavam sempre alerta.
Enquanto ajustava a túnica, ouvi o leve sussurrar de passos fora da tenda. Empurrei a aba de tecido para o lado e encontrei Lyria, já desperta, com um cesto de ervas nas mãos. Seu sorriso radiante contrastava com as olheiras discretas sob os olhos.
— Bom dia, Persefone! — disse ela, com o entusiasmo que parecia nunca abandoná-la. — Achei que poderia aproveitar a quietude para colher algumas ervas antes que todos acordem.
— Bom dia, Lyria. — Respondi com um sorriso. — Você sempre encontra tempo para cuidar dos outros.
Ela deu de ombros, mas não pôde esconder o orgulho em seu olhar.
— Alguém precisa garantir que ninguém desmaie no meio do treino por falta de cuidados.
Segui para o centro do acampamento enquanto Lyria continuava sua tarefa. Thoren já estava de pé, observando os recrutas que começavam a se reunir para o treino matinal. Ele era imponente, com sua postura firme e olhar atento, mas havia uma calma em sua liderança que contrastava com sua reputação.
— Parece que nem o sol consegue acordar antes de você, Thoren. — Disse com um tom meio sério, meio brincalhão.
— Alguém precisa garantir que o acampamento não desmorone antes do café da manhã. — Respondeu, erguendo uma sobrancelha.
Os demais começaram a se reunir. Arin se aproximou com um olhar sonolento, esfregando os olhos e resmungando algo sobre madrugadas frias. Eirik estava logo atrás, carregando um arco e uma aljava, já preparado para o treino. Kael, como sempre, mantinha uma expressão séria enquanto verificava o estado das armas no arsenal improvisado.
Organizei as tarefas do dia, delegando responsabilidades. Kael conduziria o treinamento de combate, enquanto Eirik revisaria as defesas ao longo do perímetro. Eu, por outro lado, precisava inspecionar os estoques e decidir como redistribuir os suprimentos. O inverno se aproximava, e as noites frias eram um lembrete constante de que o tempo não estava ao nosso lado.
Quando a manhã avançou, caminhei até a margem do riacho para buscar um momento de paz. A água corria cristalina, refletindo o céu agora mais claro. Sentei-me em uma pedra e deixei meus dedos tocarem a superfície fria. Era ali, longe do burburinho do acampamento, que eu conseguia pensar com mais clareza.
Deixando o riacho para trás, decidi fazer algo que vinha adiando há dias: visitar a antiga casa da minha família. Ficava a poucos quilômetros do acampamento, isolada entre árvores retorcidas e rochedos cobertos de musgo. Era um lugar que me trazia memórias conflitantes — momentos felizes misturados ao peso de tudo o que havia sido perdido. No entanto, algo dentro de mim dizia que essa visita era mais do que uma simples nostalgia.
Peguei meu cavalo e parti, deixando as responsabilidades momentaneamente para trás. O vento frio cortava meu rosto enquanto cavalgava pela trilha, o som dos cascos ecoando no silêncio da floresta. Quando a casa finalmente apareceu entre as árvores, um calafrio percorreu minha espinha. Estava em ruínas, parcialmente tomada pela vegetação, mas ainda havia uma imponência nela que parecia desafiadora, como se quisesse resistir ao tempo.
Desmontei do cavalo e me aproximei devagar. A porta de madeira estava entreaberta, rangendo levemente com o vento. Empurrei-a com cuidado, revelando o interior escuro e empoeirado. Cada passo que eu dava levantava uma fina camada de poeira, e o cheiro de madeira antiga enchia o ar.
O salão principal estava vazio, exceto por alguns móveis tombados e pedaços de tecido esgarçado que um dia foram cortinas. Caminhei pelo espaço, passando os dedos por superfícies familiares. A cozinha, a lareira onde minha mãe costumava cozinhar... tudo parecia distante, como se pertencesse a outra vida.
Mas meu objetivo era claro. Subi a escada estreita que levava aos quartos, cada degrau rangendo sob meus pés. Cheguei ao quarto de Aidan, meu irmão mais velho. A porta estava fechada, como se aguardasse minha chegada.
Empurrei-a devagar. O quarto estava praticamente intacto, como se o tempo tivesse hesitado em tocá-lo. Os móveis estavam empoeirados, mas no mesmo lugar de sempre: a cama encostada na parede, a escrivaninha de madeira com papéis espalhados e uma estante repleta de livros antigos. No entanto, algo parecia fora do lugar.
Me aproximei da escrivaninha e comecei a examinar os papéis. Havia anotações feitas à mão, algumas em uma caligrafia apressada, outras mais detalhadas. Entre elas, reconheci o nome Níðhöggr, o dragão que rói as raízes da árvore do mundo. Meus olhos correram pelas palavras, tentando entender. Aidan parecia obcecado com o mito. Ele havia desenhado o dragão várias vezes, junto com diagramas de raízes que se entrelaçavam.
— O que você estava procurando, Aidan? — murmurei para mim mesma.
Foi então que algo chamou minha atenção na estante. Um dos livros parecia deslocado, como se tivesse sido puxado com pressa. Puxei-o e, para minha surpresa, a parede atrás da estante se abriu levemente, revelando um compartimento oculto.
Dentro, encontrei um mapa. Estava velho, com as bordas amareladas e rasgadas, mas os detalhes ainda eram claros. Mostrava a localização de uma caverna, com marcas e anotações em volta. Reconheci a área — ficava a vários dias de viagem ao norte, mas o que me intrigou foi uma anotação ao lado:
"Destruída, mas não esquecida. Segredos enterrados."
Meu coração acelerou. Por que Aidan tinha isso? E o que ele sabia sobre essa caverna? Continuei vasculhando o quarto, mas não encontrei mais nada que pudesse explicar o motivo da obsessão de meu irmão com Níðhöggr ou a caverna.
Saí do quarto com o mapa em mãos, sentindo que havia encontrado algo importante, mas também algo que me trazia mais perguntas do que respostas. Desci as escadas, meu olhar passando por cada canto da casa com um peso renovado.
Quando voltei ao acampamento, já estava escurecendo. Escondi o mapa entre meus pertences e me sentei perto da fogueira, ainda processando o que havia descoberto. O nome Níðhöggr continuava ecoando na minha mente, como um chamado distante que não podia ser ignorado.
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