Perséfone Benett
Uma semana se passou desde que Yhasemin partiu e que encontrei o nome de Níðhöggr entre as memórias desordenadas deixadas na antiga casa de minha família. A figura mítica era um mistério que assombrava meus pensamentos, mas deixei de lado por enquanto, focando no dia a dia do acampamento.
A manhã começou com um céu claro, sem sinal das neblinas que frequentemente cobriam o vale. Estava mais fria que o normal, um prenúncio de que o inverno estava próximo. Saí de minha tenda e caminhei até o centro do acampamento, onde o som de risos e gritos de esforço preenchia o ar.
Thoren estava conduzindo o treinamento dos recrutas. Eles eram jovens, alguns ainda adolescentes, tentando se ajustar à disciplina exigida pela nossa legião. Os recém-chegados estavam alinhados em fileiras, seus movimentos rígidos e descoordenados enquanto tentavam acompanhar as instruções.
Ele observava com um olhar crítico, mas não sem paciência. Ele carregava uma postura que intimidava, mas suas palavras eram sempre claras e diretas, um equilíbrio entre rigor e encorajamento.
— Se não conseguem segurar a espada, como esperam segurar suas vidas no campo de batalha? — Ele dizia, sua voz firme, mas sem perder o tom didático.
Me aproximei, cruzando os braços enquanto o observava. Uma das recrutas, uma garota de olhos claros chamada Freya, chamou minha atenção. Seu tamanho pequeno a fazia parecer deslocada, mas havia determinação em seu olhar.
— Não é ruim para alguém que chegou há uma semana — disse Thoren, assentindo ligeiramente.
— Ela vai aguentar? — Perguntei a Thoren, inclinando levemente a cabeça em direção a ela.
Ele olhou para ela, avaliando-a por um momento antes de responder com seu característico pragmatismo:
— Se não quebrar hoje, talvez tenha uma chance.
Sorri, apesar da seriedade do comentário.
— Freya! — Chamei-a. Minha voz soou firme, mas procurei manter um tom que não fosse intimidador. — Mostre o que aprendeu até agora.
Ela hesitou por um instante, mas deu um passo à frente, segurando a espada com ambas as mãos. Era evidente que o peso da arma ainda a desafiava, mas havia algo em sua postura — talvez o jeito como ela cerrava os dentes ou o modo como seus olhos estavam fixos no alvo de treino — que me fez acreditar nela.
Freya avançou, sua lâmina atingindo o alvo com um impacto que ecoou pelo campo. Não foi um golpe perfeito, mas foi o suficiente para arrancar um murmúrio de aprovação dos outros recrutas.
— Muito bem, vamos começar com algo simples. — Ele apontou para um dos recrutas, um rapaz alto chamado Erik, cujas mãos tremiam levemente enquanto segurava a espada de madeira. — Você e Freya, venham aqui.
Os dois se posicionaram no centro do círculo, encarando-se. Erik parecia relutante em enfrentar Freya, talvez por causa de sua postura frágil, mas Thoren não tolerava hesitação.
— No campo de batalha, ninguém vai se importar com o seu tamanho, sua idade ou seu medo — disse Thoren. — Lutem com tudo que têm, ou não lutem de jeito nenhum.
Dei um passo à frente, sua presença marcando a seriedade da lição.
— Lembrem-se: isso não é para machucar, é para aprender. Cada golpe deve ter um propósito. Não lutem apenas com força; usem a cabeça.
Erik fez o primeiro movimento, um ataque direto, mas previsível. Freya, apesar de sua inexperiência, desviou habilmente, recuando dois passos e mantendo a espada entre eles como uma barreira defensiva. O círculo de recrutas observava atentamente, alguns murmurando entre si.
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Terra De Luz E Sombra
RomanceEm um reino ameaçado por uma força maligna conhecida como Sombras do Crepúsculo, a jovem sacerdotisa Yhasemin une forças com Perséfone e os líderes das sete legiões para combater essa ameaça crescente. Descobrindo que os inimigos estão usando feitiç...
