59 - Alguma Coisa

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Yolanda Vásquez

— Eu tô com medo... -me escondo atrás do homem alto vestido inteiramente de preto que eu nem sei o nome-

— Ei, Seli... Yolanda, -corrige- está tudo bem. Eu tenho certeza que o Caçador de Marte não vai fazer nada que te machuque ou ponha sua vida em risco.

— Não... eu tô com medo... por que quer tanto que ele entre na minha cabeça? Como ele vai fazer isso? Eu não quero tomar mais remédios. Não.

— Selina, não são remédios e...

— QUEM É SELINA? -grito. Eu não estou entendendo nada. Por que ele me chama assim?-

Vejo uma lágrima escorrer por debaixo da máscara até que alcance seu queixo.

Ando de um lado para o outro, meu corpo tremendo e as vozes aumentando.

Olho ao redor. Só tem eu e ele.

Não. Vejo um borrão azul e vermelho.

Em um susto, pulo para trás, e me apresso em me esconder debaixo da cama.

— Eu não consigo... -ouço seu sussurro- ela não está pronta. Não consigo fazer algo que ela não esteja de acordo.

— Bat... -ouço um suspirar hesitante- eu... eu não sei o que dizer.

— Deixem ela comigo -ouço as botas de metal se aproximando e as vejo reluzir contra a luz como se nenhuma digital as tivesse alcançado-

De repente, uma mulher alta com cabelos escuros está curvada, me encarando.

Tento me afastar o máximo que consigo, mas sou puxada pelo braço.

Grito por socorro e vejo o homem de preto partir para cima da mais alta.

— Diana. Não. -ele diz firme-

— Isso está te magoando, vamos resolver logo.

— Ela disse não. -ele agarra meu pulso, me reivindicando-

— Não torne isso mais difícil. Eu odeio ver você assim por ela. -a morena aponta para mim- ela não se lembra nem do próprio nome, imagine de quem você é. E você quer simplesmente respeitar a escolha de uma mulher mentalmente instável? Eu não entendo.

— Diana, são os direitos dela de...

— Hoje não. -por uma força sobrenatural e avassaladora sou arrastada entre corredores-

— Está me machucando -tento me soltar- ai... -meus ossos se expremem prestes a colapsar, quando ela simplesmente me joga numa cadeira e me algema- o que tá fazendo?

— Estou ajudando meu amigo. -ela tranca a sala e o homem verde aparece-

Vejo o homem de preto pelo vidro, batendo repetidamente.

Ele corre até a porta, tentando forçá-la para que se abra ou tentando códigos para desbloqueá-la.

Olho ao redor.

Está tudo frio e assustador.

— Vamos ver se conseguimos alguma coisa -o vejo acima da minha cabeça. De repente suas mãos se aproximam e eu tento escapar. Medo.-

Medo.

Medo.

Medo.

Medo.

Medo.

Medo.

Medo.

Medo.

Uma dor aguda atinge minhas têmporas como se cacos de vidro estivessem se afudando alí, mas eram apenas seus dedos.

Um grito deixa minha garganta ate que eu me veja fraca e tonta.

Tento virar minha cabeça, procurando o homem de preto, mas tudo o que consigo ver é uma imagem perturbadora.

Um palhaço.

Um palhaço de roupas coloridas.

Eu não gosto dele.

Ele parece mau.

Não estou mais na sala prateada e fria. Estou em uma sala de caldeiras quente e escura. Eu e o palhaço.

Ele se aproxima e eu grito mais alto.

O medo congelando minhas veias.

Ele caminha até mim com uma injeção na mão. Um líquido vermelho nela.

Olho para baixo.

Correntes me seguram e eu apenas sinto a injeção atingir minha têmpora.

A última coisa que vi foi seu sorriso.
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I RUN TO YOU - BATCATOnde histórias criam vida. Descubra agora