Caso resolvido

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"Ainda estou aqui" foi um baita filme e a Fernanda Torres não poderia merecer mais o Golden Globe. O tema: "Ditadura brasileira" me inspirou bastante.

Boa leitura!

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 A troca de olhares fervorosos entre Law e Kid continuou por um bom tempo quando nenhum dos dois tinha coragem de recuar. Pareciam combinar algo em completo silêncio. Não precisavam de palavras para saberem o que cada um tinha passando pela cabeça. Se conheciam bem antes de Sabaody.

— Nem vai me desejar boas vindas? Pensei que seria mais bem recebido pelo bando — sorriu ladino enquanto provocava.

Kid precisava dele. Podia não suportar essa ideia, mas precisava dele para ter o que queria.

— Caso tivesse nos escolhido antes e não estivesse com uma cria do chapéu de palha, talvez receberia até uma festa de boas vindas.

— Uma não, duas. E não vou te dar o que quer até eles decidirem nascer.

Law decidiu por contra própria que iria ceder dessa vez. Saiu andando sem olhar os arredores, indo direto em direção para onde sabia ser o banheiro do navio.

— Me dêem licença.

Continuou a olhar para frente. Cada palavra ouvida fez, cada vez mais, seu sangue borbulhar. Controlava a respiração inspirando fundo e soltando com calma. Não tinha outra alternativa do que fazer até pensar num plano para encurralar o outro a fazer logo o que queria.

Passou rápido as mãos pelos fios de cabelo ruivos, bagunçando-os ainda mais. Lidar com aquele homem sempre foi uma dor de cabeça, nunca conseguiu mandar nele. Manipular Law era uma tarefa impossível. Quando o mesmo começou a ficar com Luffy, piorou. Pensou que conseguiria fazer tudo que queria anos atrás. Buscou tentar, ainda que um pouco tarde.

Naquele momento, não tinha mais apenas um obstáculo, e sim, três. Caso quisesse algo, teria de fazer à força. Não tinha mais tempo de esperá-lo.

Killer aproximou-se lentamente, de braços cruzados observou a situação:

— Ele pode sumir a qualquer momento se não colocarmos algemas de oceanite, Kid.

— Ele usou toda a força que tinha só de subir no navio, não vejo motivos — cruzou os braços também.

— Ele conseguiu matar Doflamingo deste mesmo jeito.

— Foi o Luffy que matou.

— Você subestima ele demais. Não é à toa que não conseguiu a vida eterna antes.

Conseguia ouvir a conversa de onde estava. Nisso sentiu na urgência de usar logo o pedaço de pedra que ainda tinha em mãos. Precisou lembrar de toda a estrutura do navio e encontrar um bom lugar para Kikoku. Por sorte, ninguém questionaria caso demorasse ali.

Criou a maior sala de cirurgia possível, fazendo a troca depois de um movimento rápido. A visão escureceu, por pouco não chegou a desmaiar. Respirou fundo várias vezes até voltar ao normal, conseguir levantar e sair dali sem chance de cair no meio do caminho. Caso passasse mal ainda teria acesso a ela, mas seria difícil lutar.

Quando saiu, demorou para deixar de apoiar nas paredes. Não tinha pessoas no caminho para vê-lo. Pode se recuperar aos poucos, torcendo para o rosto não estar tão pálido.

Killer apareceu no fim do corredor junto de um companheiro, o qual segurava algemas de oceanite. Suspirou baixo sabendo que ficaria pior.

— Viu um fantasma? — Killer perguntou por trás da máscara.

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