Os primeiros meses foram os mais difíceis.
Naruto olhava para o celular todas as noites, esperando uma resposta que nunca vinha. As cartas que ele escreveu, nunca soube se foram lidas. Talvez tivessem sido. Talvez Hinata tenha chorado segurando uma delas. Talvez tenha apenas guardado em alguma gaveta, junto com tudo que ficou para trás.
Ele queria odiá-la por isso. Mas não conseguia.
Continuava trabalhando com Jiraiya, se afundando cada vez mais no serviço, tentando ocupar a cabeça com qualquer coisa. O tempo passava devagar, como se o mundo quisesse testar o quanto ele aguentaria antes de desistir. Mas ele continuava, mesmo quando voltar para casa era doloroso, mesmo quando tudo o que ele queria era ouvir a voz dela dizendo que sentia sua falta.
E ela nunca disse.
Naruto começou a sair com outras garotas. Não porque queria, mas porque achava que precisava. Os amigos diziam que ele deveria tentar seguir em frente, e ele tentou. Mas toda vez que olhava para os olhos de alguém, sentia que estava traindo um fantasma. Nenhuma voz era doce como a dela. Nenhuma risada fazia seu peito acelerar do mesmo jeito.
Então ele desistiu.
Parou de tentar encontrar Hinata em outras pessoas. Parou de procurá-la em lugares que eles frequentavam. Se conformou com a ideia de que alguns amores simplesmente não são feitos para durar.
E foi quando ele menos esperava que a conheceu.
Era um dia qualquer, e ele só queria um café para começar a manhã. Estava distraído, cansado demais para perceber a mulher que passava apressada, carregando alguns papéis e uma xícara na mão.
O choque foi inevitável. O café quente escorreu pela camisa dele, e a mulher arregalou os olhos, desesperada.
— Meu Deus, me desculpa! Eu sou uma completa desastrada!
Naruto segurou um suspiro, tentando não parecer irritado.
— Tudo bem, eu precisava trocar essa camisa mesmo.
Ela riu, nervosa, pegando um punhado de guardanapos e tentando secar a mancha.
— Me deixa pagar um café novo, pelo menos.
Ele olhou para ela pela primeira vez. O cabelo era escuro, mas curto. Os olhos tinham um brilho vivo, mas não eram perolados. O sorriso era aberto, diferente do jeito tímido de Hinata.
Talvez, só talvez, ele pudesse dar uma chance para essa história.
Naruto hesitou por um momento, mas aceitou o café. Não porque estava interessado, mas porque, no fundo, ele sabia que precisava tentar.
Sentaram-se em uma mesa perto da janela. A cafeteria estava tranquila naquela manhã, o cheiro de grãos moídos no ar. Ele segurava a xícara com as mãos, sem saber exatamente o que dizer.
— Meu nome é Naomi, aliás — ela sorriu, apoiando os braços sobre a mesa.
— Naruto.
— Prazer em conhecer você, Naruto. Ou pelo menos... em derramar café em você.
Ele soltou um riso fraco. Não era o tipo de humor que estava acostumado, mas era fácil, natural. Ela não parecia intimidada por seu jeito meio fechado.
— Então, o que você faz da vida? — ela perguntou, bebendo um gole do próprio café.
Naruto olhou para a fumaça subindo da xícara antes de responder.
— Trabalho com meu padrinho, no jornal. Faço de tudo um pouco.
— Um jornalista?
— Algo assim — ele deu de ombros. — E você?
— Sou enfermeira — ela sorriu. — Trabalho no hospital daqui.
Naruto assentiu. Ele não sabia por que, mas aquela conversa parecia... confortável. Diferente de tudo o que vinha sentindo nos últimos meses.
Os encontros se tornaram frequentes. Às vezes, sem planejar. Outras, porque um dos dois mandava mensagem sugerindo um café ou um passeio sem compromisso. No começo, Naruto ainda se pegava comparando Naomi com Hinata. Seu jeito de falar, de rir, até a forma como mexia no cabelo. Mas com o tempo, ele percebeu que eram pessoas completamente diferentes. E ele gostava disso.
Naomi era falante, divertida, cheia de energia. Quando Naruto passava tempo com ela, sentia como se o peso que carregava nos ombros diminuísse um pouco.
— Você tem um jeito meio fechado, né? — ela comentou uma vez, enquanto caminhavam pelo parque. — Sempre parece que tá carregando um mundo inteiro aí dentro.
Naruto riu, mas não soube o que responder.
— Eu sei que a gente ainda tá se conhecendo, mas se quiser falar sobre isso, tô aqui.
Ele olhou para ela. Os olhos castanhos brilhavam sob a luz do sol, cheios de paciência, sem pressa de arrancar algo dele.
Ele não falou naquele dia. Mas, aos poucos, começou a se permitir.
O tempo foi passando, e Naruto percebeu que gostava de tê-la por perto. Gostava da forma como ela fazia piadas idiotas e ria das próprias bobagens. Gostava de como ela sempre segurava a mão dele quando estavam caminhando, como se fosse natural. E, por mais que ainda houvesse um pedaço dele preso ao passado, Naomi fez com que ele quisesse olhar para frente.
E foi assim que ele percebeu que a amava.
Mas o destino nem sempre é gentil.
O telefone tocou numa tarde qualquer. Ele atendeu sem pensar, e a voz do outro lado da linha fez seu estômago afundar.
— Naruto... é sobre a Naomi.
Ele sentiu o mundo girar. O café que segurava caiu no chão, espalhando-se em uma poça escura. As palavras seguintes eram um borrão, mas bastou uma frase para que tudo parasse.
— Sofreu um acidente de carro.
Naquela noite, sentado no banco frio do hospital, Naruto percebeu que a vida estava lhe roubando mais uma vez.
E ele não podia fazer nada para impedir.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Teu Jeito..
Fiksi PenggemarGostaria de agradecer por que cheguei a uma meta sensacional.. #1 em NaruHina- 29/09/20 #412 em SasuSaku- 31/10/20
