Dalibor reconheceu tudo o que precisávamos para a viagem, e com três cavalos saímos ao amanhecer. O dia nublado e gélido era ruim para estar em cima do cavalo, no qual não era acostumada. Eram dois dias de viagem.
Por várias vezes tive a impressão de estar sendo seguida, me recolhia no manto que me cobria em proteção dos pingos de chuva e de ser vista.
Dalibor ia na frente observando o caminho, o trajeto era cansativo, passávamos por vilas onde a pobreza era assustadora. Outras cujas crianças estavam na beira da estrada recolhendo as migalhas dos viajantes.
Uma mistura de sentimentos me deixava inquieta, lembranças da infância resumida aos muros do orfanato. Me lembrava da fartura que tinha na mesa do rei, mas não tinha das pobres crianças que cercavam Zênite. Pela floresta adentro tudo ficava mais pavoroso, sons de ruídos demonstravam que o território era perigoso.
- Vamos parar no vilarejo próximo! - Dalibor diz alto, alguns passos à frente.
Seguimos na penumbra do anoitecer, quando o cavalo para. Adiante havia uma cabana calma, Dalibor desce, pondo a mão em sua cintura na espada que carregava.
- Fique aqui!
Dalibor segue à frente da cabana e chama por moradores, mas não havia resposta. O vejo entrar no local e um enorme barulho vem de dentro da casa.
-DALIBOR!!
Desço do cavalo e entro na casa. A cena era horrível.
Havia dois corpos destroçados, como se uma fera tivesse devorado boa parte deles. Um estava sobre a mesa de madeira, o outro pelo chão, com os ossos das costas evidentes. Entro devagar sem encontrar os defuntos que emanavam um cheiro forte de sangue e suor. Ouço outra pancada e vou em direção ao som. No meio de comida esparramada, palhas e fezes de animais, encontro Dalibor segurando um corpo magro vestindo trapos.
- Me ajude, Alexia! - Dalibor se referia à água do cântaro.
Me abaixo e tento ajudar, a moça estava suja, cabelos negros, pele arranhada, o que me chamou atenção foi sua roupa ensanguentada.
Dalibor a segurava e ela tremia. Saímos do local com a mulher que estava em choque. O percurso não demorou muito até chegarmos a uma vila que não era tão grande, havia poucas casas. Dalibor procurou um lugar para passarmos a noite. Uma senhora ofereceu a dormida em um dos quartos de sua casa.
- Vamos levá-la! - Ajudo Dalibor com a moça até o quarto em que ficaríamos.
- O que aconteceu com a jovem?
- A encontramos no caminho, estava em uma cabana próxima. Infelizmente, havia dois corpos de dois homens, pareciam ter sido atacados por algum animal.
Dalibor diz, já saindo para recolher nossos pertences.
- Que estranho? - A velha diz.
- O que é estranho? - pergunto, observando a velha.
- Há muito tempo ninguém mora naquela cabana, a família se mudou há muito tempo.
- Pode ser que ela estivesse acompanhada, então eles pararam naquele lugar quando foram atacados.
- Por essa região não há animais tão grandes para matar dois homens assim.
- O que quer dizer?
A senhora encarava a mulher que tinha o semblante diferente.
- Existe uma lenda sobre uma Empusa nessa região, dizem que ela atrai viajantes pelo caminho para devorar suas carnes.
Era estranho a moça ter sobrevivido sem ferimentos maiores a todo aquele ataque, mas era algo fora do normal achar que ela tinha feito tudo aquilo.
- É só uma lenda!
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ZÊNITE
FantasyAo Vigésimo aniversário de Aléxia Collins, numa noite de celebração, tudo muda ao presenciar sua amiga sendo morta de uma forma assombrosa. No que parecia mais um de seus pesadelos, ela está sendo levada ao mundo de ZÊNITE, onde tudo é completamente...
