Já fazia alguns dias que estava na casa de Dalibor, todos os dias o ajudava nos afazeres domésticos. Era fácil conviver com ele, sempre estava calado, lendo seu livro ou comandando seu negócio. Ele me disse que era melhor não ser vista pelas pessoas que vinham até a taberna. Entre as coisas que Dalibor me disponibilizou estavam vários livros interessantes.
Além de vários livros sobre Zênite, havia muito sobre magia. O que me deixou surpresa, porque Dalibor tinha acesso a esses livros que normalmente pessoas podres nunca acessariam.
Minha curiosidade era crescente, e quanto à minha habilidade, estava cada dia insuportável. A insônia seguia com queimação e calor exorbitante, já havia lido vários livros nesse curto tempo à procura de algo que me ajudasse. Pelo que encontrei, as criaturas mágicas tinham suas habilidades desenvolvidas ao decorrer de sua vida. E quando esse desenvolvimento é retardado, torna-se difícil manter tal poder sem orientação. Onde eu encontraria Elanor? Ela poderia me ajudar com tudo isso.
O dia se estendeu como de costume, ao chegar a noite me sentia agitada. Como se a qualquer momento algo de ruim fosse acontecer. O barulho que vinha de fora era de cantoria, gritos e cavalos relinchando. Entre essa movimentação, ouço Dalibor com voz mais audível vindo em minha direção, mas não parecia estar sozinho. Como sinal de alerta, avanço para a porta da biblioteca e fico de canto.
- O que te traz aqui, Comandante Demon?
- Estou em uma busca pela realeza, um comandante que virou babá de garotinhas mimadas.
Aquela voz me fez arrepiar com uma mistura de inquietação, medo e euforia. Abro mais a porta, dando visão dos homens sentados conversando. O Comandante vestia sua roupa negra de couro, cabelos bagunçados e olhava atentamente para o ambiente. Dalibor parecia calmo, e pelo modo de estar à vontade, o conhecia bem.
- Ouvi sobre uma jovem da colheita que fugiu do palácio - Dalibor diz tragando seu cigarro.
- Isso tem me trazido dor de cabeça, como é possível uma mulher enganar a todos e sair do palácio assim tão facilmente?
- Acho que ela é especial.
- Ah, Dalibor, não venha com melação, foram um bando de idiotas que não fizeram seu trabalho.
- Já sabem onde ela pode estar ?
- As pistas me trouxeram até esse vilarejo, uma feiticeira conseguiu rastrear até aqui, mas a conexão não foi tão forte para saber realmente onde ela está, mas me surpreendi em saber que seria nesse vilarejo.
Dalibor ficou em silêncio, parecia pensar em tudo que ouviu.
- Não achou ninguém suspeito por aqui? - O comandante perguntou fixamente para Dalibor.
- Há alguns dias recebi uma jovem que não era daqui, estava em uma situação deplorável. Um dos valentões tentou arrumar confusão, mas eu dei um jeito, ofereci comida para ela e depois foi embora. Duvido muito que ainda esteja viva.
Agora era a vez do comandante analisar as informações, mas não parecia satisfeito.
- Ela disse algo mais? Onde iria?
- Ela estava assustada e suja de lama, quase nem abriu a boca.
Dalibor tinha habilidade em discernir as informações reais e da mentira.
- Imagino que ela possa estar à procura de uma conhecida, já fomos à casa de onde ela foi recolhida, mas não a encontramos.
- De quem se trata? Talvez possa ter conhecidos por lá.
- Por isso fiquei tão curioso quando o feitiço de rastreamento me trouxe até aqui.
Demon se levanta e olha ao redor na espreita. Me recolho rápido para que ele não me veja.
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ZÊNITE
FantasyAo Vigésimo aniversário de Aléxia Collins, numa noite de celebração, tudo muda ao presenciar sua amiga sendo morta de uma forma assombrosa. No que parecia mais um de seus pesadelos, ela está sendo levada ao mundo de ZÊNITE, onde tudo é completamente...
