O castelo de Zênite sempre fora um poço de sombras, mas naquela manhã parecia respirar trevas. Rumores ecoavam pelas paredes como se as pedras murmurassem presságios.
Sibyl caminhava lentamente pela antecâmara, o vestido roçando no chão como serpentes.
Os lábios curvavam-se no leve sorriso de quem sabe mais do que diz e de quem guarda segredos até mesmo do rei que acredita governar ao seu lado.
Osiris buscava poder e domínio; Sibyl, algo além da compreensão dele, algo antigo, algo faminto.
Ela já sabia que a herdeira precisava despertar para que seus poderes pudessem ser arrancados. Uma flor fechada nada oferece. Uma flor desabrochada pode ser colhida e esmagada.
A porta se abriu de súbito.
Osiris entrou como uma tempestade contida.
— Eles já chegaram em Eudora! — sua voz era uma rajada. — Tenho certeza de que estão tramando contra nós!
Sibyl ergueu uma sobrancelha, entediada. Aquela informação era velha. Velha e óbvia.
— E daí? — disse num tom preguiçoso, afiado.
— Eu já sabia.
Osiris se inflou como fera ferida, mas não ousou confrontá-la.
Ele governava Zênite com punho de ferro;
ela governava ele com um mero olhar.
O rei cerrou os punhos, sentindo-se, como sempre, inferior a ela mas incapaz de admitir isso. Zênite havia se tornado trevas depois da morte dos Nuthos... exatamente o terreno fértil que um homem ambicioso como Osiris precisava para se proclamar rei. Ele fora próximo da linhagem antiga, mas nunca escolhido.
— Ela despertou — Sibyl declarou com frieza, alinhando o manto.
— Agora nosso plano realmente começa.
Osiris engoliu em seco.
Porque sempre que ela dizia "nosso"... ele tinha certeza de que significava "meu".
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As quatro jovens tremiam na imensidão do salão. Desde que Alexia fugira com o prisioneiro e o comandante Demon, agora traidor a atmosfera no castelo se tornara sufocante.
Elas sabiam que a profecia era real.
Sabiam que Alexia era a escolhida.
Mas se agarravam, desesperadamente, à ilusão de que ainda tinham algum valor.
Eleni choramingava baixinho, abraçando as próprias mãos.
Poli tentava parecer composta, mas o olhar denunciava seu desespero ainda acreditava, em algum canto quebrado do coração, que o príncipe a amava.
Meg encarava o chão com a mandíbula travada; ela sabia que seriam punidas, mas nunca imaginara que tanto.
Felipa... Felipa apenas observava. Firme, soberba, como se nada pudesse abalá-la até o momento em que descobrisse o contrário.
Quando Sibyl entrou, o ar mudou.
Ao lado dela, Nikolaus caminhava com indiferença gélida, como se nada naquele salão fosse digno do seu interesse.
— Já sabem...— começou Sibyl, andando entre elas como predadora escolhendo carne fresca
— que Alexia é uma traidora. Tem causado transtornos demais ao rei. E, como a colheita existia apenas para encontrar a escolhida... — revirou os olhos com impaciência
— vamos acabar com esta palhaçada de vez.
Poli arregalou os olhos.
— M-mas... soberana... ainda não foi escolhida a eleita...
Sibyl parou diante delas, sorriu
Um sorriso cruel, quase vulgar.
— Eleita? — riu com desprezo. — Vocês realmente acreditam que alguma de vocês teria esse destino?
Vamos, olhem pra si mesmas.Um bando de vadias arrogantes, metidas a especiais.
Eleni engasgou num soluço.
Meg cerrou os punhos, mas não ousou protestar.
Poli murchou como flor ao frio.
Felipa ergueu o queixo surpresa, não tristeza. Ela jamais pensara que seria descartável.
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ZÊNITE
FantasyAo Vigésimo aniversário de Aléxia Collins, numa noite de celebração, tudo muda ao presenciar sua amiga sendo morta de uma forma assombrosa. No que parecia mais um de seus pesadelos, ela está sendo levada ao mundo de ZÊNITE, onde tudo é completamente...
