Capítulo 18 - Peles

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Estávamos todos na sala de Lucian um cômodo amplo, com paredes cobertas por mapas antigos e janelas que deixavam entrar a luz cinza do amanhecer. O ar parecia pesado, como se cada respiração precisasse atravessar camadas de preocupação antes de alcançar os pulmões.

Elanor permaneceu perto de mim, a mão repousando sobre o encosto da minha cadeira com suavidade. Lucian, rígido como sempre, estava atrás da mesa, dedos entrelaçados como se tentasse conter a própria irritação. Pietro estava ao lado de Dalibor, cruzando as pernas com elegância irritante, pronto para lançar alguma tirada confiante. Demon, claro, isolado, observava pela janela tenso, inquieto, como se o mundo lá fora prestes a ruir fosse mais fácil de encarar do que a cena aqui dentro.

Lucian pigarreia.

— Foi um risco desnecessário ir sozinha até lá fora.

Era a clássica entonação de "vai tomar esporro", algo que eu já esperava.

— Não estarei segura aonde quer que eu esteja — respondo firme, sem abaixar os olhos.

Ele engole a resposta atravessada.

Pietro aproveita o momento.

— Ela precisa de treino. Tenho certeza que em poucos dias estará bem para se defender... muito melhor do que nós. — Ele sorri, convencido.

Dalibor concorda com um aceno enérgico.

— Também acho que Pietro está certo. Vamos traçar um plano o quanto antes.

Elanor endireita a postura, ansiosa.

— Precisamos saber exatamente o que estamos enfrentando.

— Alexia precisa melhorar suas habilidades, e precisamos saber mais sobre nossos inimigos. Isso é prioridade — Dalibor completa.

O silêncio se espalha. Só se ouve o leve tilintar de algo na mesa de Lucian.

Então Demon se vira, finalmente participando. A expressão dele era uma mistura de irritação, preocupação e algo mais... algo que eu não conseguia nomear.

— Tenho minhas suspeitas sobre quem era a criatura de hoje.

A sala prende o ar. Todos viram para ele.

Ele não tira os olhos do meu rosto.

— Sibyl.

A palavra cai como um golpe.

Elanor dá um passo à frente.

— A rainha? Demon, você acha mesmo que ela tem esse tipo de poder de invocação?

— Sim. É possível — Lucian responde antes que Demon precise repetir. Ele parecia procurar memórias antigas, como quem revira pergaminhos mentais.

— E o tal mestre? — Dalibor aperta os olhos.

Demon cruza os braços, um leve tremor de irritação na mandíbula.

— Há rumores de que Sibyl é... muito antiga. Talvez nem seja apenas "rainha". Alguns acreditam que ela nasceu das trevas da floresta mais densa de Zênite. Uma criatura traiçoeira com capacidades inimagináveis.

Suas palavras vêm carregadas de algo não dito. Algo que ele sabe e não quer revelar. Mas ele me olha sempre para mim como se a verdade estivesse presa entre os dentes.

Lucian respira fundo.

— Isso já nos permite começar a procurar algumas respostas.

Pietro ajeita o casaco, pronto para assumir seu papel.

— Por hora, precisamos garantir proteção à Alexia. Como mago, estou designado para isso.

Demon vira rapidamente para ele.

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