Capítulo 10

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Foi um longo caminho deitada na mesma posição encolhida dentro da carroça, o barulho da chuva diminuiu, mas as vozes e latidos estavam soando por todos os lados. Quando a carroça parou; soube que era hora de sair sem que me vissem.

A noite ainda estava agitada, tento me arrastar pela lateral subindo a lona aos poucos. Meu corpo doía e o cheiro era horroroso. Me levando com dificuldade observando ao redor casa de madeira e pedra, a lama estava por todo lado, havia poucas pessoas passando pelo local, mas todas parecia está submersa em seu próprio mundo.

Desço puxando a saia lambuzada, me recolho tentando proteger do frio. Estava completamente perdida, o que faria agora? Para onde iria?. A única pessoa que poderia me ajudar era Elanor.

E onde ficaria sua casa? Era muitas perguntas sem respostas. Caminho mais adiante e observo alguns soldados vindo em minha direção. Dou meia volta a passos largos sem parecer apressada demais. Desço a rua com dificuldade e vejo um local movimentado, havia cavalos presos num grande tronco e homens fumando em um banco. Entre no local agitado sendo observada, a curiosidade era evidente em todos os olhares. O lugar tinha um cheiro peculiar de cigarro e morfo, homens bebia e davam risadas exageradas, observo algumas moças dançando para alguns homens, caminho até o balcão e havia um homem carrancudo, sua barba era grande, estava com a cabeça contando o dinheiro.

- Boa noite! - digo baixo

O homem a minha frente levanta a cabeça e diferente dos outros, seu olhar não era de curiosidade, mas de algo que eu não conseguia decifrar.

- O que procura minha jovem?

- Poderia me dar um pouco de água?

O homem vai até um vaso e pega água colocando em um copo. Pego de sua mão e tomo de imediato, ainda sendo observada minuciosamente.

Sinto uma movimentação atrás de mim e um homem se aproxima do balcão.

- Ora, Dalibor sua espelunca ficou mais interessante hoje! - ele olhava para o meu decote e umedecia os lábios, me recolho puxando a roupa que parecia nem usar aos olhos dele.

- O que quer Fernão?

- Uma cerveja e talvez uma companhia para noite - ele se aproxima pegando no meu cabelo

- Não encoste em mim! - digo me afastando

- Temos uma briguenta aqui - sua risada era pesada e evidenciava deu dente amarelado e bafo amargo.

- Chega!! Saia daqui Fernão ou terei que tirá-lo! - Dalibor já estava com algo afiado nas mãos.

- Ha vamos dividir Dalibor, essa daqui merece umas palmadas.

Ele diz sarcástico, sinto meu corpo arrepiar e náuseas.

- JÁ DISSE PARA SAIR! - Dalibor estava furioso, vejo suas veias saltitarem no pescoço.

- Calma, já vou... mas eu volto - diz já saindo do local que estava observando a cena.

Repito fundo, tentado me acalmar, eu sentia a sensação de venerabilidade que me assombrava desde a minha infância no orfanato. A necessidade de ser abraçada e protegida que era algo que nunca tive.

Dalibor ainda olhava para a porta e sentia sua raiva se esvaindo, me recomponho e coloco o copo de volta no balcão.

- Obrigado pela água e por me... ajudar - digo indo em direção a porta

- ESPERE!

Paraliso no mesmo local esperando o que viria a seguir.

Sinto passos vindo logo atrás de mim e já me preparo para o pior.

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