Capítulo 19 - Livro dos Sonhos

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Quando saí do quarto, ainda tentando recuperar minha respiração e... minha dignidade, dei de cara com Dalibor no corredor.
Quase engasguei com meu próprio ar.

Ele ergueu uma sobrancelha a sobrancelha que dizia "eu sei exatamente o que você estava fazendo".

— Chame Demon também — ele disse, cruzando os braços.

Demon saiu atrás de mim alguns segundos depois.
Dalibor olhou de um para o outro... e sorriu. Não o sorriso gentil. O sorriso sabichão que só pessoas mais velhas e muito vividas ousam ter.

— Alexia, minha querida... eu já fui jovem.
Ele faz um gesto com a mão, como quem afasta um segredo óbvio.
— E conheço vocês dois muito bem para fingirem que estavam... apenas conversando.

Sinto meu rosto pegar fogo na mesma hora.

Demon, claro, se diverte.
O canto da boca dele sobe, provocador, e ele passa por mim propositalmente perto demais, só para me ver ficar mais vermelha.

— Vamos? — Dalibor diz, como quem diz "eu vi tudo, mas vou fingir que não".

Seguimos pelos corredores até a sala onde Lucian nos aguardava.
Ele estava de pé com um livro grosso, antigo, coberto por marcas que pareciam pulsar como veias azuis. Ao lado dele estava Pietro, atento, e Helena, segurando uma pena prateada com a elegância irritante de sempre.

Pouco depois, Elanor também apareceu.

— Finalmente — Lucian começou, levantando o livro.
— Este é o Codex Somnia. Um artefato de Eudora, criado para revelar segredos ocultos... mas apenas se forem seguidos os seus ritos.

— E o que ele quer em troca? — Demon pergunta.

— Uma jornada ao Mundo dos Sonhos — Lucian responde, abrindo o livro. As páginas se iluminam, revelando desenhos de seres feitos de névoa e rosas azuis que pareciam vivas.
— Lá dentro, vocês terão de encontrar a Rosa Azul. Ela só floresce para quem é digno de receber uma verdade.

Eu dou um passo à frente.
A chama nas minhas mãos treme de leve.

— Eu vou.
Demon nem hesita.

— Então eu vou com ela.

Dalibor ergue a mão.
— Não posso. Preciso ir até Zênite, procurar qualquer pista sobre Sibyl e esse tal mestre.

Elanor suspira.

— E eu não posso entrar no Mundo dos Sonhos outra vez. A regra é clara: apenas uma viagem por alma... ou a mente não retorna inteira.

Lucian fecha o livro e olha para nós.

— Então temos Alexia e Demon, faltam dois. O rito exige exatamente quatro viajantes.

Silêncio.

Eu vejo quando a mente de Lucian trabalha, quase ouvindo as engrenagens se encaixando.

Ele vira para Pietro.

— Você vai.
Pietro apenas inclina a cabeça em aceitação como se já soubesse que o destino sempre o empurraria para esse tipo de coisa.

E então Helena inspira fundo, já percebendo o que viria.
— E você também, Helena.

Ela sorri suave, talvez satisfeita demais em participar de algo tão grande... ou talvez pelo simples fato de Demon estar indo.

Lucian continua:

— Ao anoitecer, abrirei o portal. Vocês terão uma noite inteira para cumprir a missão. Ao amanhecer, o portal se fechará e quem não retornar ficará preso nos próprios sonhos.

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