Capitulo 16

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Entrar em Eudora não trouxe alívio. As ruas eram silenciosas demais, e cada cidadão que surgia nas janelas ou portões nos observava com desconfiança. Os guardas avançaram de imediato, cercando Damon, Dalibor e eu. Meu coração disparou, o cansaço e a tensão da fuga me esmagando de uma vez.

— Demon? — murmurei, tentando buscar alguma referência no comandante. Ele estava ali, firme, mas a rigidez em seus olhos me dizia que qualquer movimento em falso seria fatal.

Os soldados que nos cercavam não davam trégua. Um deles avançou com lança erguida, gritando ordens incompreensíveis, mas carregadas de ameaça. Meu corpo não respondeu como deveria. O peso da jornada, a fome, a sede e o medo se juntaram ao terror crescente.

— Não! — pensei, tentando mover-me, mas minhas pernas falharam. O chão parecia se afastar sob meus pés.

Vi Dalibor tentar me apoiar, mas a visão começou a escurecer. Minha respiração ficou curta, o mundo girava, e meu poder, que até então era apenas uma presença sutil dentro de mim, explodiu de maneira descontrolada. Luzes começaram a dançar diante dos meus olhos, sombras se distorcendo, e o frio intenso me tomou por completo.

— Alexia! — gritou Damon, ouço apenas como um eco distante. — Fique comigo!

E então... tudo se apagou.

DEMON

O grito de Alexia atravessou a confusão da cidade e me perfurou o peito. Corri em direção a ela, mas soldados da cidade me impediram. Minha espada tentou abrir caminho, mas a multidão me empurrou para trás. Não era só luta física era a desconfiança de Eudora pesando sobre mim, o fato de eu ser comandante do rei e da rainha de Zênite tornando-me, aos olhos deles, inimigo.

Eu a vi desabar. Seu corpo caiu como uma marionete sem fios, e minha primeira reação foi avançar para pegá-la. Dalibor se aproximou, firme, e juntos a seguramos antes que o chão a engolisse. Cada respiração dela parecia pesar toneladas, cada suspiro era um grito silencioso.

Então o homem de manto azul apareceu. Alto, imponente, mas com uma calma que contrastava com a hostilidade ao redor.

— Eu sou Lucian — disse, a voz firme, carregada de autoridade, mas sem agressividade.
— Não queremos fazer mal a vocês. Estou aqui para ajudá-la.

— Não! — rosnei, incapaz de me afastar dela.
— Ela é minha responsabilidade. Não se aproxime!

Dalibor me tocou o ombro, firme.
— Demon — disse ele, com a paciência de sempre — se quisermos que ela sobreviva, precisamos confiar. Lucian não vai machucá-la.

Meus olhos permaneceram fixos em Alexia. Cada músculo do meu corpo queria protegê-la, mas Dalibor tinha razão. Relutante, recuei apenas o suficiente para permitir que Lucian a conduzisse com cuidado.

— Eu vou com vocês — disse Dalibor, segurando-a com firmeza.

— Mas você... fica, Leve-o para a cela. — Lucian disse alto e claro.

Os soldados me cercaram, mas mantiveram minha posição, impedindo que me aproximasse mais. O peso da separação queimava dentro de mim, mas não havia alternativa. Eu podia apenas observar enquanto era levada por Dalibor e Lucian, sua respiração ainda pesada, o corpo frágil mas pulsando com o poder que poderia mudar o destino de Zênite.

Eu não lutei. Não por medo, mas porque não confiavam em mim. Aceitei a prisão silenciosa, como se meu próprio corpo fosse uma sombra do que um dia já fora. Tudo que pude fazer foi permanecer ali, imóvel, enquanto Alexia desaparecia à distância.

— Fique segura, Alexia — murmurei, quase inaudível, sentindo a tensão de não poder protegê-la, de ser apenas um espectador preso pelo passado que ela carregava.

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