O anoitecer trouxe consigo um peso sufocante. Não havia canto no castelo que não respirasse expectativa e medo. O destino de Dalibor estava marcado: seria executado.
Damon caminhava firme pelos corredores até as masmorras. As tochas lançavam sombras longas sobre o chão úmido de pedra. Diante das celas, seus olhos percorreram os prisioneiros. Alguns o evitavam, outros imploravam com murmúrios. Mas ele sabia exatamente o que buscava.
Parou diante de um homem magro, rosto marcado por cicatrizes e olhos apagados de esperança.
— Você — disse, a voz grave, sem espaço para réplica.
— Vista-se.
Ele servirá.
O prisioneiro tremeu, mas obedeceu. Damon não hesitou, nem permitiu testemunhas. O silêncio era sua arma.
Na sala dos soldados, Siri o aguardava. Sua silhueta sinuosa encostada na mesa, o sorriso insinuante nos lábios.
— Comandante... — sussurrou, deslizando os dedos pelo braço dele.
— Anda estranho ultimamente. Talvez precise de... distração.
Damon afastou a mão dela com frieza.
— Não tenho tempo para jogos, Siri.
Ela estreitou os olhos, estudando-o.
— É por causa dela, não é? Alexia. Aguentou bem os açoites?
— Eu não lhe devo explicações — respondeu ele, a voz cortante.
— Sou o comandante!
Siri conteve a fúria em um sorriso falso, mas no fundo já percebia que havia algo errado.
Alexia, por sua vez, foi surpreendida por uma criada que entrou em seu quarto com passos leves.
— A senhorita deve retornar ao seu antigo aposento — disse, sem encará-la.
O coração dela disparou. Será que haviam descoberto que as feridas eram apenas encenação?
— Por quê? — perguntou, tentando disfarçar o nervosismo.
— Venho a mando do comandante. Não farei perguntas — respondeu a serva, inclinando-se em respeito.
Alexia suspirou, aliviada por não ter sido desmascarada. Mas sabia que cada movimento era uma dança perigosa.
Mais tarde, ao se esgueirar até a biblioteca, ouviu vozes que a fizeram se esconder atrás de uma coluna.
Nikolaus e Felippa conversavam, suas risadas ecoando pelo salão.
— Mal posso esperar para ver o velho Dalibor cair- disse Nikolaus, com desdém.
— Uma execução pública é o que o povo precisa para lembrar quem manda.
Felippa sorriu, venenosa.
— Um espetáculo perfeito para uma noite tão bela. Talvez até mereça aplausos.
O peito de Alexia ardeu de raiva, mas engoliu as palavras e seguiu silenciosa até encontrar o livro que buscava.
Quando a hora chegou, o grande salão foi tomado por guardas, nobres e servos curiosos. O rei ergueu-se diante da multidão, a coroa cintilando sob as tochas, os olhos carregados de ódio.
Sua voz ecoou, poderosa:
— Povo de Zênite! Hoje testemunhareis a queda da traição. Este homem, Dalibor, ousou se erguer contra a coroa. Desafiou minhas ordens, afrontou minha autoridade, e tentou semear rebelião! — A cada palavra, sua fúria crescia. — Que todos aprendam: desobedecer ao rei é condenar-se à morte. Que sua execução seja lembrada como o preço da insubordinação!
Um burburinho percorreu a multidão quando o capuz foi retirado.
Não era Dalibor.
A surpresa se transformou em choque. O rei empalideceu de fúria, a rainha se levantou abrupta, os olhos faiscando como lâminas.
Enquanto isso, em uma ala escondida, Damon abria um grande caixote. Dalibor saiu ofegante, os olhos arregalados ao vê-lo.
— Damon? — sua voz falhou de incredulidade. — Pensei... pensei que fosse você quem me traria à forca.
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ZÊNITE
FantasíaAo Vigésimo aniversário de Aléxia Collins, numa noite de celebração, tudo muda ao presenciar sua amiga sendo morta de uma forma assombrosa. No que parecia mais um de seus pesadelos, ela está sendo levada ao mundo de ZÊNITE, onde tudo é completamente...
