SENTIMENTOS E CONFLITOS

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JUNGKOOK POV

O sol da manhã atravessava as enormes janelas de vidro do edifício, refletindo nas paredes elegantes e no chão impecável. Eu estava de pé ao lado de Katherine, observando-a enquanto seus olhos percorriam cada detalhe da empresa. Seu olhar brilhava de curiosidade misturada com admiração. 

— Você está impressionada? — perguntei, um leve sorriso surgindo em meus lábios. 

— Muito. Eu não fazia ideia de que era tão grande assim. — Ela virou-se para mim, cruzando os braços. — Como tudo isso começou? 

Soltei um riso baixo, olhando para o vasto espaço ao nosso redor. 

— Eu tinha vinte anos quando fundei essa empresa. No começo, era apenas um nome para acalmar a polícia, uma fachada para lavar dinheiro. Mas com o tempo, o negócio cresceu de verdade. Hoje, mesmo sem precisar mais dessa empresa para isso, ela ainda é um dos meus maiores investimentos. 

Kat arqueou uma sobrancelha. 

— Então você realmente virou um empresário de verdade? 

— Algo assim. — Cruzei os braços, observando-a com atenção. — E agora, você faz parte disso também. 

Ela piscou algumas vezes, confusa. 

— Como assim? 

— Você será minha sócia. — Falei com simplicidade. — Não vai ser cem por cento sua, mas poderá fazer o que quiser aqui. 

O rosto dela iluminou-se por um instante, e eu percebi o brilho de empolgação em seus olhos. 

— Você está falando sério? 

— Eu não brinco com negócios. 

Ela riu, um som doce e genuíno que fez algo estranho acontecer dentro de mim. Eu a observei por mais tempo do que deveria, notando cada detalhe  a forma como ela passava a mão nos cabelos, o jeito que mordia o lábio inferior quando estava pensativa. 

Por um segundo, um pensamento ousado cruzou minha mente. 

Será que estou me apaixonando por ela? 

Balancei a cabeça sutilmente. Impossível. Eu não podia me dar ao luxo de sentir algo assim. Não para alguém como Katherine. 

O resto da tarde passou de forma leve e descontraída. Passeamos pela empresa, almoçamos juntos, e, pela primeira vez em muito tempo, me permiti apenas aproveitar a companhia de alguém sem pensar em perigo ou responsabilidades. 

Mas tudo que é bom dura pouco.

🖤🖤

Assim que voltamos para casa, Kat chamou Yoona para lhe fazer companhia. As duas estavam empolgadas falando sobre o baile de formatura e sobre o enxoval do bebê. Eu passava pelo corredor quando as vi rindo, Kat segurando alguns tecidos enquanto Yoona opinava sobre as cores. 

— Vai querer rosa ou azul? 

— Nenhum dos dois. Eu gosto de tons neutros. Cinza, bege… algo elegante. 

Elas riram juntas, e eu me permiti sorrir de lado. 

Mas logo meu celular vibrou no bolso. Quando vi a mensagem, meu rosto se fechou. 

Caminhei até Kat e abaixei-me ao lado dela no sofá, sussurrando em seu ouvido: 

— Preciso resolver algo da máfia. Volto logo. 

Ela se virou para mim, os olhos preocupados. Antes que eu me afastasse, ela segurou minha nuca e deixou um beijo suave na minha bochecha. 

— Tome cuidado. 

Engoli em seco, sentindo o calor do toque dela na minha pele mesmo depois de me levantar. Sem dizer mais nada, saí. 

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KATHERINE POV

A noite caiu, e eu e Yoona decidimos pedir pizza e assistir a um filme. Chamamos Arthur para se juntar a nós, e entre risadas e conversas sobre o baile de formatura e o enxoval do bebê, a noite foi passando. 

O conforto da sala, o calor da pizza e o cansaço do dia nos pegaram desprevenidos. No meio da segunda rodada de filmes, acabamos pegando no sono. 

Mas então, por volta das três da manhã, um barulho alto nos despertou. 

O estrondo de carros freando bruscamente na rua fez meu coração disparar. 

Fui a primeira a me levantar, ainda atordoada, tentando entender o que estava acontecendo. 

— O que foi isso? 

Yoona esfregou os olhos, a voz sonolenta. 

— Pareceu… um carro? 

Arthur já estava de pé, seus sentidos despertando mais rápido que os nossos. 

— Melhor a gente ver o que está acontecendo. 

Meu peito estava apertado por uma sensação ruim. Uma sensação que crescia a cada segundo. 

Corremos até a portaria da casa, e o que vimos fez meu mundo parar. 

Jimin e Jeon estavam cobertos de sangue. Sujos de terra. E pior… estavam sem Tae

Minha respiração ficou presa na garganta, e eu senti meu estômago revirar com a visão do sangue seco nas roupas deles. 

— O que aconteceu?! — minha voz saiu mais fraca do que eu queria. 

Jeon respirou fundo, os olhos escuros e carregados de fúria. 

— Ele não conseguiu sair.

— O quê?! — Yoona levou as mãos à boca, horrorizada.  — Atacado por quem?

Merda, ela não sabia.

Jimin passou as mãos pelos cabelos, a expressão atormentada. 

— Fomos atacados. Não conseguimos tirá-lo de lá…

Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvir o som nos meus ouvidos. 

— Ele está vivo?— minha voz saiu quase como um sussurro. 

Jeon fechou os punhos com força. 

— Eu não sei. 

O silêncio que seguiu foi esmagador. 

O pavor no meu rosto, o desespero de Yoona, a raiva de Jimin. 

E no fundo de tudo isso, uma certeza sombria tomou conta de mim. 

Se Tae ainda estivesse vivo, nós iríamos encontrá-lo. E se alguém tivesse feito algo com ele…

Haveria sangue. Muito sangue.

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