Jeon POV
O som da batida eletrônica preenchia cada canto da boate underground. As luzes vermelhas e azuis piscavam como sirenes de emergência, mas em vez de me alertar, elas me embriagavam. Eu queria isso. Barulho. Corpos suados. Copos transbordando. Beijos sem sentido.
Queria qualquer coisa que me fizesse esquecer.
Depois do racha, não voltei pra casa. Dirigi sem rumo até cair nesse lugar, sujo, abafado e lotado de gente perdida como eu.
Uma morena se aproximou, roçando os dedos gelados no meu pescoço.
— Tá sozinho, gato?
Ignorei.
Peguei mais um copo de uísque no balcão e virei de uma vez. O álcool queimava, mas não tanto quanto a dor no peito. Não tanto quanto a voz da Katherine ecoando na minha cabeça.
E então, o celular vibrou.
Katherine.
Demorei pra atender. Queria ignorar. Mas parte de mim ainda não conseguia desligar dela.
— O que foi? — falei seco, alto o bastante pra ela ouvir mesmo com a música ensurdecedora.
Katherine POV
— Onde você tá, Jeon? — perguntei, sentindo o aperto no peito aumentar. — Eu tô preocupada. Você saiu daquele jeito e…
— Não me procura — ele cortou, ríspido. — Não sou seu filho pra você ficar me vigiando.
— Não é sobre vigiar, é sobre se importar! — rebati, tentando não chorar. — Você sumiu, Jeon! Você não voltou, nem me avisou onde estava! Eu…
— Quer saber onde eu tô? — ele interrompeu, com um tom debochado. — Tô exatamente onde eu deveria estar. Num lugar onde ninguém fica me dizendo o que eu tenho que fazer, ou quem eu tenho que ser.
Silêncio.
— Então é isso? — sussurrei, sentindo o estômago embrulhar. — Você prefere se enfiar numa boate qualquer, com qualquer uma, do que voltar pra casa e encarar tudo isso comigo?
— Eu não quero encarar porra nenhuma. — Ele riu amargo. — Você quer um homem calmo, quebrado, que aceita tudo calado? Eu não sou esse cara, Katherine. Nunca fui.
Fechei os olhos, sentindo as lágrimas caírem.
— Eu só queria você… — murmurei. — Mas esse você, aí… eu nem reconheço mais.
Ele não respondeu.
Desliguei antes que ele pudesse. Orgulho ferido, coração despedaçado.
Peguei minhas coisas no impulso. Não ia dormir naquela casa vazia esperando por ele. De novo, não. Não depois de tudo.
Dirigi em silêncio até a casa da Yoona, com os olhos embaçados pelas lágrimas e pela frustração.
Quando bati na porta, quem atendeu foi Taehyung.
Só de calça de moletom.
O cabelo bagunçado, o peito exposto, uma expressão de sono e surpresa ao mesmo tempo.
— Katherine? Tá tudo bem?
Respirei fundo, engolindo o choro.
— Posso ficar aqui hoje?
Ele não disse nada. Só abriu a porta e me deixou entrar.
E foi ali, no calor daquela casa alheia, com um Taehyung desconcertado e uma dor insuportável no peito, que eu entendi:
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MAFIOUS
JugendliteraturKatherine e uma menina menina que cursa jornalismo, e foi obrigada a se casar com Jeon um cara frio, intimidador que ela mal conhecida para quitar as dívidas do seu pai. "- Quitar suas dividas? Eu não o conheço... - falei com raiva - Case você com...
