Jeon POV
A porta bateu com força atrás de mim, e o eco do impacto foi a única coisa que me respondeu naquela casa imensa e gelada.
Joguei a chave em cima do móvel da entrada, chutando os tênis para longe enquanto subia as escadas sem equilíbrio.
— Katherine? — chamei, sem esforço pra esconder o deboche na voz. — Tá se escondendo agora?
Silêncio.
Empurrei a porta do quarto com força. Tudo arrumado, intocado. O travesseiro dela ainda do mesmo jeito que deixei.
Meu peito apertou, mas não deixei transparecer nem pra mim mesmo.
Peguei o celular no bolso e abri a conversa dela. Escrevi:
> “Sumiu. Faz teu show sozinha então.”
Fiquei olhando pra tela. O cursor piscava. Apaguei.
Escrevi de novo:
> “Foge mesmo. Deve ser isso que você sabe fazer de melhor.”
Mandei.
Dois risquinhos azuis. Lida.
Mas nenhuma resposta.
Trinquei o maxilar, joguei o celular em cima da cama e andei de um lado pro outro como um leão enjaulado.
Voltei, peguei o aparelho de novo e mandei outra:
> “Não precisa voltar, se é isso que você tá pensando. Você me cobra como se fosse perfeita. Cansado disso.”
E dessa vez, ela nem leu.
Bloqueei a tela com força. Senti o calor subir pro rosto, a respiração falhar por um segundo. A bebida, a raiva, o orgulho. Tudo misturado.
— Que se foda… — murmurei, deitando de qualquer jeito na cama.
O travesseiro dela tinha um leve cheiro adocicado.
E mesmo bêbado, mesmo queimando de raiva, eu rolei pro lado dela da cama sem perceber.
Só no silêncio...
… que eu percebi o tamanho do vazio.
Acordei com a cabeça latejando e o estômago revirando. O gosto na boca era como se eu tivesse engolido cinzas.
Me arrastei pro banheiro, encarei meu reflexo por um momento. Era um fantasma. Cabelo bagunçado, olhos fundos, expressão quebrada.
— Idiota... — sussurrei pra mim mesmo.
Voltei pro quarto e peguei o celular. Nenhuma mensagem.
Abri o chat dela.
As mensagens da noite anterior continuavam ali. Frias. Estúpidas. Orgulhosas.
E ela não respondeu. Nem curtiu. Nem visualizou a última.
Meu dedo pairou sobre o botão de ligação. Mas não liguei.
— Não vou correr atrás... — murmurei, mais pra me convencer do que por certeza.
Desci pra cozinha. O cheiro da ausência dela parecia impregnado nos cantos da casa.
Peguei uma garrafa de água e encostei na bancada, a raiva se misturando com algo pior: o arrependimento.
Mas ainda não o suficiente pra me fazer ir atrás.
Pelo menos... não hoje.
O sol invadia o quarto como uma ofensa. Eu não pedi por luz, não pedi por mais um dia.
Me arrastei até o banheiro, tentando ignorar o gosto amargo na boca e a dor insistente atrás dos olhos. Ainda dava pra sentir o álcool do racha misturado com o vazio da noite anterior.
Peguei o celular da cômoda. Tela bloqueada. Nenhuma notificação.
Desbloqueei. Abri o chat da Katherine. Nada.
Ela leu. Mas não respondeu.
“Foda-se”, pensei, jogando o celular no colchão. Mas não era bem isso que eu sentia.
Ela sempre foi assim… calada, silenciosa nas mágoas. Mas agora o silêncio dela parecia gritar na minha cara.
Me joguei de volta na cama, a cabeça latejando com ressaca e saudade. Queria mandar outra mensagem, ligar, dizer que exagerei. Que ela me provocou. Que eu só queria fugir um pouco daquela realidade fodida que a gente vive.
Mas tudo que fiz foi encarar o teto.
E o orgulho...
O maldito orgulho me segurava no lugar.
A luz da manhã filtrava pelas cortinas do quarto de hóspedes na casa da Yoona. O lençol tinha cheiro de lavanda e segurança duas coisas que há tempos eu não sentia de verdade.
Abri os olhos devagar, sentindo o peso da noite anterior no peito. Meus olhos ainda estavam inchados do choro contido.
Levantei devagar, e quando abri a porta do quarto, fui surpreendida.
Taehyung estava ali, sentado no sofá da sala, descalço, usando apenas uma calça de moletom cinza frouxa. Os cabelos bagunçados e a expressão serena contrastavam com meu caos interno.
Ele ergueu os olhos quando me viu, com um meio sorriso suave nos lábios.
— Dormiu bem? — perguntou, a voz rouca da manhã.
Assenti, tentando não encarar tempo demais.
— Sim. Desculpa por invadir assim...
— Relaxa. Você fez bem em vir. — Ele levantou, se espreguiçando. Os músculos bem definidos do peito nu se movendo com naturalidade me fizeram engolir seco e desviar o olhar.
— Yoona ainda tá dormindo? — perguntei, mudando de assunto.
— Tá. Ela e o mundo, provavelmente. — Ele riu baixo. — Fiz café... quer?
Assenti de novo, e fui seguindo ele até a cozinha.
Enquanto o aroma do café tomava o ambiente, meu celular vibrou.
Uma mensagem.
Dele.
Jeon: “Foge mesmo. Deve ser isso que você sabe fazer de melhor.”
Meu coração afundou no peito. A dor voltou como uma onda gelada. Li de novo. Aquilo era cru, covarde… como se eu fosse a culpada por tudo.
Travei a mandíbula, bloqueei a tela do celular e o guardei.
Taehyung colocou uma caneca diante de mim e notou o meu silêncio.
— Ele mandou mensagem? — perguntou, direto.
Assenti.
— Ainda com raiva?
— Sempre. — sussurrei.
Taehyung soltou um suspiro e se aproximou.
— Ele é um idiota... mas é um idiota que te ama. Só não sabe amar direito.
Olhei pra ele, surpresa com a sinceridade. Mas não consegui responder. Eu estava quebrada demais pra discutir.
Apenas dei um gole no café.
No fundo... eu sabia.
Jeon me amava. Mas amar não era o suficiente.
Não quando ele preferia a guerra ao meu lado da cama.
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MAFIOUS
Fiksi RemajaKatherine e uma menina menina que cursa jornalismo, e foi obrigada a se casar com Jeon um cara frio, intimidador que ela mal conhecida para quitar as dívidas do seu pai. "- Quitar suas dividas? Eu não o conheço... - falei com raiva - Case você com...
