KATHERINE POV
A semana passou em um turbilhão de sentimentos que eu não sabia mais como lidar. Cada dia que amanhecia, eu me via mais perdida, mais distante de tudo e de todos. A casa estava silenciosa, e o que antes parecia ser um refúgio, agora se tornava um lugar vazio. Eu tentava me distrair, mas a dor ainda estava lá, em cada canto, em cada respiração, em cada pensamento.
Jeon estava preocupado. Ele dizia que eu precisava seguir em frente, que o tempo iria curar, mas ele não entendia. Como eu poderia seguir em frente quando a única coisa que eu queria era voltar atrás, ter meu bebê de volta? Como eu poderia continuar vivendo sem aquela parte de mim?
Eu me sentia vazia, como se uma parte do meu coração tivesse sido arrancada e eu não soubesse mais como me recompor.
Anne tentou me animar, me convencer a sair de casa, a fazer algo, mas eu não conseguia. O mundo lá fora parecia um lugar distante, onde nada fazia sentido. E, quando Jeon falava sobre Chang Hee, sobre vingança, eu só sentia um peso ainda maior sobre meus ombros. O que adiantava se vingar? O que adiantava qualquer coisa se eu já tinha perdido tudo?
Eu me sentia incapaz de tomar uma decisão. Nada parecia certo, nada parecia bom.
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JEON POV
Eu não sabia mais o que fazer. Ver Katherine daquela forma, abatida, sem forças para sair da cama, para sorrir, para viver, estava me consumindo. Eu tentava ser forte por ela, tentava mostrar que ela não estava sozinha, mas a cada dia que passava, eu via que ela se afastava mais. As palavras que ela dizia sobre o bebê, sobre o vazio que sentia, me cortavam como facas afiadas. Eu não podia fazer nada para trazer ele de volta, mas estava decidido a fazer tudo o que fosse possível para protegê-la.
Eu sabia que ela não estava me culpando, mas a dor dela me fazia sentir como se eu tivesse falhado, como se eu não fosse capaz de cumprir minha promessa de proteger nossa família.
Eu olhei para ela agora, sentada na cama, os olhos fixos na janela, como se o mundo lá fora não fosse real. Era como se ela estivesse em um outro lugar, um lugar onde eu não podia alcançá-la.
- Katherine... - eu disse, me aproximando, a voz falhando.
Ela não reagiu. Eu me sentei ao seu lado, tentando encontrar as palavras certas, tentando entender o que ela estava passando. Mas a verdade era que eu não sabia.
- Eu não sei mais o que fazer... - eu confessei, a dor evidente em minha voz. - Eu sei que você está sofrendo, mas eu preciso de você. Não posso mais ver você assim. Preciso que me ajude a te ajudar.
Ela olhou para mim, os olhos cansados, mas não havia raiva, não havia ódio, apenas uma tristeza profunda.
- Eu não sei o que fazer, Jeon. Eu não consigo esquecer. Eu não consigo esquecer o que aconteceu, o que eu perdi... como posso seguir em frente?
Eu a observei, meu coração se apertando ao ver a dor em seus olhos.
- Eu sei o quanto você está sofrendo. Eu também estou. Eu também perdi nosso filho. Mas eu... - pausei, sentindo uma raiva crescente. - Eu vou fazer Chang Hee pagar. Ele vai pagar por tudo.
Ela não reagiu imediatamente. Olhou para mim por um longo tempo, como se estivesse ponderando minhas palavras.
- Você realmente acha que pode fazer isso? - ela perguntou, a voz quebrando. - Você acha que pode se vingar e isso vai consertar tudo? Como você vai me proteger se não consegue nem mesmo... - ela engoliu em seco - nem mesmo vingar nosso filho.
Suas palavras me atingiram com a força de um soco. Eu a olhei profundamente, o ódio tomando conta de mim ao pensar em Chang Hee.
- Eu jamais vou deixar outra pessoa tocar em você. Jamais. Vou atrás de Chang Hee, e ele vai pagar, Katherine. Eu juro por tudo o que é mais sagrado, ele vai pagar.
Katherine balançou a cabeça, a tristeza ainda muito presente.
- Eu não sei o que fazer, Jeon. Eu não sei como... como conseguir voltar a me deitar com você. Como posso fazer isso depois de tudo o que aconteceu? Depois de tudo o que eu perdi?
Eu a encarei, meu peito apertado. Não era sobre sexo, não era sobre o que tínhamos antes. Era sobre ela, sobre o sofrimento dela. Eu não queria que ela se sentisse forçada a nada, eu só queria que ela fosse feliz novamente, que ela fosse a Katherine que eu conheci, a mulher forte e determinada que sempre esteve ao meu lado.
- Eu não quero que a gente se deite, Katherine - eu disse, a voz suave, mas firme. - Eu só quero que você saiba que eu estou aqui. No seu tempo, do seu jeito. Só quero que você saiba que você não está sozinha.
Ela não respondeu de imediato. Seu olhar se perdeu novamente na janela, como se as palavras tivessem pouco impacto, como se ela não conseguisse enxergar mais nada ao seu redor.
A tensão no ar era palpável, mas eu não sabia como aliviar isso. Eu não sabia como fazer ela ver que, por mais difícil que fosse, eu não a deixaria escapar. Que, no final, tudo o que eu queria era que ela fosse feliz, que ela se curasse.
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KATHERINE POV
Eu queria acreditar no que Jeon estava dizendo. Eu queria sentir a segurança, o amor, mas era difícil. O vazio que eu sentia parecia tão grande, tão imenso, que as palavras dele não conseguiam preenchê-lo. O que aconteceu com nosso filho... o que Chang Hee fez... eu não sabia como continuar.
Eu olhei para Jeon, e ele estava tão sério, tão determinado, mas também tão... preocupado. Ele me amava, eu sabia disso, mas parecia que nada que ele fizesse conseguiria me trazer de volta para quem eu era antes.
- Eu marquei de ir à boate hoje - ele disse, tentando mudar de assunto, talvez para me distrair um pouco. - Eu e os meninos. Vai ser bom para a gente, para esquecermos um pouco tudo isso.
Eu o olhei, ainda perdida em meus próprios pensamentos. Eu sabia o que ele estava tentando fazer, mas eu não sabia se conseguia me divertir. Não sabia se conseguia estar com ele sem que a dor me consumisse.
- Vai ser bom para você - disse, minha voz fraquejando.
Ele sorriu levemente, tocando meu rosto com a ponta dos dedos, de uma maneira tão suave que quase me fez chorar novamente.
- Você também precisa de um tempo, Katherine. Vamos sair, respirar, nos distrair. E quando você estiver pronta, a gente volta. Eu estarei aqui. Sempre.
Eu tentei sorrir, mas foi fraco, quase imperceptível. Jeon me beijou na testa e se levantou, indo se preparar para sair com os meninos.
Eu fiquei ali, no silêncio da casa, pensando em tudo o que havia acontecido. A dor, a perda, a raiva, a falta de respostas. Mas, ao olhar para a porta onde Jeon havia saído, eu sabia que, pelo menos, ele não estava desistindo de nós.
E isso, por um momento, foi suficiente.
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MAFIOUS
Fiksi RemajaKatherine e uma menina menina que cursa jornalismo, e foi obrigada a se casar com Jeon um cara frio, intimidador que ela mal conhecida para quitar as dívidas do seu pai. "- Quitar suas dividas? Eu não o conheço... - falei com raiva - Case você com...
