JEON POV
- Eu entrei nisso antes de saber quem eu era. - minha voz falhava entre a dor e o cansaço. - Não foi uma escolha, Kath. Foi o único caminho que me restou.
Ela me olhava como se quisesse entender... mas no fundo, eu sabia que não dava pra entender completamente. Não se você não vive isso.
- Eu cresci no meio da merda, cercado de sangue, de promessas falsas e lealdades quebradas. A máfia me deu um nome, uma missão... e uma maldição.
Katherine baixou os olhos. Ela conhecia pedaços da minha história, mas nunca assim. Nunca desse jeito.
- Eu não posso sair, Kath. Isso aqui não tem porta de saída. - minha garganta secou. - A única forma de sair é morto. E eu ainda tenho coisa pra fazer aqui.
Ela ficou em silêncio. Mas o jeito como segurava minha mão... apertando, tremendo... dizia tudo.
- Eu volto pra casa. - ela disse, baixinho. - Eu volto. Mas eu não quero... eu não consigo fazer parte disso.
Suspirei, fechando os olhos por um instante.
- E eu nunca vou te pedir pra fazer parte. Só... não me deixa. Fica comigo. Mesmo que seja do lado de fora.
Ela assentiu. E naquele momento, aquele "sim" silencioso foi mais forte do que qualquer jura de amor.
A porta do quarto se abriu. Um médico entrou com uma prancheta, ajeitando os óculos. Tinha aquele olhar de quem já viu esse tipo de cena muitas vezes antes - um corpo à beira da morte e uma mulher destroçada ao lado.
- Jeon Jeongguk? - perguntou, confirmando na ficha. - Você teve sorte. A bala não atingiu nenhum órgão vital, mas passou perto. Muito perto.
Eu não respondi. Só fechei os olhos com força, tentando respirar fundo.
- Vai precisar de repouso absoluto por pelo menos duas semanas. Sem esforço físico, sem estresse, sem sair correndo por aí achando que é imortal.
Revirei os olhos, soltando um riso rouco.
- Já ouvi isso antes.
- E pelo jeito, nunca seguiu. - o médico rebateu, seco. - Mas se repetir esse tipo de lesão, pode não ter a mesma sorte.
Olhei para Katherine. Os olhos dela estavam fixos em mim, cheios de medo, mas também de decisão.
Ela vai voltar.
Ela ainda tá aqui.
- Ele vai seguir tudo o que for preciso. - disse ela ao médico, firme.
- Eu vou? - perguntei, arqueando a sobrancelha, mesmo com a dor.
- Vai sim. - respondeu, sem hesitar. - Ou eu mesma dou um jeito de te amarrar nessa cama.
O médico sorriu de leve e se retirou, murmurando um "boa sorte" antes de fechar a porta.
O quarto voltou ao silêncio, e só o barulho dos aparelhos preenchia o ar.
- Obrigado por ter vindo. - falei. - Eu achei que... não te veria mais.
Ela passou os dedos devagar pelo meu cabelo, afastando uma mecha da minha testa suada.
- Eu tentei fugir de você. Juro que tentei.
- Mas eu sou péssimo pra deixar ir.
Ela riu fraco.
- E eu sou péssima pra fingir que não te amo.
Fechei os olhos, sentindo aquela paz estranha invadir meu peito, mesmo com o corpo em guerra. Ela tava ali. E isso era o suficiente.
Por enquanto.
KATHERINE POV
- Eu sei que parece loucura agora... - Jeon murmurou com a voz rouca, os olhos fixos nos meus. - Mas isso tudo logo vai acabar, Kath. A gente vai sair dessa.
- Você já disse isso antes. - minha voz saiu baixa, embargada. - E olha onde você tá agora.
Ele respirou fundo, apertando minha mão com mais força.
- Eu tô perto, juro por tudo. Perto de acabar com o Chang Hee. Quando isso acontecer, a gente vai sumir por uns dias. Férias, só eu e você. Nada de arma, sangue ou máfia. Só paz.
- E você acredita mesmo nisso? - perguntei, com o coração apertado.
- Pela primeira vez em anos... sim. - ele respondeu, com sinceridade crua nos olhos. - Eu vejo o fim se aproximando, Kath. E eu tô lutando por ele, por nós. Só preciso que você aguente mais um pouco.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, absorvendo aquelas palavras. Jeon nunca foi de fazer promessas vazias. E ele tava ali, quebrado, ferido... mas com um brilho de esperança nos olhos que eu não via fazia tempo.
- Eu volto pra casa. - falei, por fim. - Mas não quero mais me envolver nisso, Jeon. Eu não aguento mais viver cercada de medo.
- Você não vai mais se envolver. - ele garantiu. - Eu vou cuidar disso. Só preciso que esteja lá... comigo.
Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu de novo e Taehyung entrou, encarando a cena.
- É impressão minha ou vocês estão planejando lua de mel no meio da UTI?
Jeon soltou uma risada fraca, levando a mão ao abdômen por causa da dor.
- Não fica com ciúmes, Tae. Tá com essa cara aí... Me diz, vocês ficaram?
- Jeon! - repreendi, surpresa.
Taehyung cruzou os braços, mas o sorriso debochado não negava o incômodo.
- Se ela tivesse com cabeça pra isso, talvez. Mas ela só pensava em você, seu idiota.
- Era só pra confirmar. - Jeon disse, rindo de leve.
- Tu é insuportável. - murmurei, mesmo com um sorriso escapando nos meus lábios.
O médico apareceu logo depois, cortando o momento com uma expressão séria.
- Você vai ficar aqui por mais três dias em observação Jeon, logo mais e sua alta.
- Droga! - exclamou com raiva - E muito tempo.
❤️
E aí o que acharam?
Me conte aquu
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MAFIOUS
Teen FictionKatherine e uma menina menina que cursa jornalismo, e foi obrigada a se casar com Jeon um cara frio, intimidador que ela mal conhecida para quitar as dívidas do seu pai. "- Quitar suas dividas? Eu não o conheço... - falei com raiva - Case você com...
