JEON POV
O céu estava cinzento, espelhando a tempestade que rugia dentro de mim.
Katherine mal falava. Ela não comia. Seus olhos, antes cheios de brilho e fogo, estavam opacos. Como se toda a cor tivesse sido drenada junto com nosso filho.
Eu observava à distância, como um leão enjaulado. Sabia que ela precisava de tempo, mas meu peito ardia com a urgência de vingança.
Ela estava no quarto, sentada em frente ao espelho, os dedos pousados na barriga ainda dolorida. Eu a vi chorar em silêncio, e aquilo me rasgou mais do que qualquer faca.
Eu não a amava. Não ainda. Mas ver a mulher que compartilhou comigo o início de uma nova vida sendo quebrada daquele jeito… me fez querer incendiar o mundo.
Foi ali que decidi.
Chang Hee ia pagar. E ia ser com dor.
Reuni meu grupo, os melhores. Taehyung, meu braço direito. Jimin, o mais silencioso e letal. Jimin, especialista em rastreamento. Conseguimos localizar um dos esconderijos de Chang Hee nos arredores de uma antiga fábrica abandonada na zona leste.
A chuva caía pesada quando estacionei o carro em frente ao galpão abandonado no centro industrial da cidade. A informação havia vindo através de um dos meus homens infiltrados. Chang Hee estaria ali, reorganizando suas tropas depois da bagunça que causou.
Meu coração batia com força dentro do peito. Não era só raiva — era algo além. Era como se o sangue tivesse sido substituído por pura vingança.
Desci do carro sem hesitar, o chão encharcado já cobrindo os meus sapatos. Meu casaco preto balançava com o vento enquanto eu me aproximava do galpão. Dois homens na entrada tentaram me impedir, mas caíram com a precisão de dois tiros secos. Direto. Letal. Silencioso.
Nada iria me impedir de olhar Chang Hee nos olhos.
Entrei.
O ambiente cheirava a óleo queimado, metal velho e medo. Luzes fracas piscavam no teto rachado. Me movi entre os contêineres com o coração acelerado e os punhos cerrados.
— Achei que demoraria mais — a voz de Chang Hee ecoou, debochada, do centro do galpão.
Ele estava ali, de pé, com um sorriso cínico no rosto e uma arma na mão.
— Não vim conversar — respondi, tirando a minha e apontando direto para ele.
— Eu também não — ele respondeu, atirando.
Desviei por pouco, a bala raspando meu ombro e me fazendo rolar atrás de um contêiner. O som dos disparos preenchia tudo, misturado ao barulho da chuva batendo nas telhas.
Me levantei e corri por trás das pilhas de ferro velho. Chang Hee se movia rápido, mas eu conhecia cada um dos seus truques. Ele gritou, tentando me provocar.
— Você devia agradecer! Livrei sua mulher de carregar uma criança fraca como você!
O ódio explodiu no meu peito. Saí do esconderijo e atirei novamente. Acertamos juntos. Minha bala pegou de raspão na costela dele. A dele entrou no meu ombro esquerdo.
O impacto me jogou contra uma pilha de caixas. A dor era intensa, mas não o suficiente pra me parar. Eu me levantei mesmo assim, ofegante, e corri na direção dele. Meus punhos falaram mais alto do que qualquer bala.
A primeira pancada o fez recuar, a segunda fez sua boca sangrar. Ele tentou se defender, mas minha fúria era cega. Cada soco levava um pedaço da dor de Katherine. Cada chute era por nosso filho. Cada grito era por vê-la quebrada, chorando, implorando por algo que já não podia voltar.
Chang Hee cambaleou, tossindo sangue, e mesmo assim riu.
— Você não vai acabar comigo tão fácil, Jeon. Eu sou parte disso tudo!
— Não é mais — rosnei, pegando sua arma do chão e mirando em sua cabeça.
Mas antes que eu pudesse atirar, uma explosão vinda do lado de fora abalou as paredes. Um dos comparsas de Chang Hee jogou uma bomba de distração. Poeira, fumaça e caos. Quando abri os olhos, Chang Hee havia sumido pela porta dos fundos.
— DROGA! — gritei, tentando segui-lo, mas o tiro em meu ombro latejava com força, e meus joelhos cederam por um instante.
O som de sirenes ao longe me alertou que era hora de sair.
Cambaleei até o carro, pressionando o ferimento com os dedos e rangendo os dentes para suportar a dor. Minha visão oscilava, mas a imagem do rosto da Katherine me manteve acordado.
Ela precisava de mim. Eu não podia morrer agora.
Dirigi com dificuldade até a mansão. Quando entrei, Taehyung e Jimin vieram correndo me ajudar.
— Ele fugiu — murmurei, caindo no sofá enquanto eles chamavam o médico. — Mas eu vou encontrar aquele desgraçado… e vou acabar com ele do jeito que ele merece.
Horas depois, com o ombro enfaixado e o corpo cansado, eu subi até o quarto.
A porta estava entreaberta.
Katherine estava de pé em frente ao espelho. Os olhos dela estavam inchados, a pele pálida. As marcas dos machucados ainda visíveis nos braços e no rosto. Ela usava uma camiseta larga, uma das minhas. Com a mão tremendo, ela tocava o ventre vazio.
— Meu bebê… — sussurrou.
As lágrimas escorriam silenciosamente. O som da dor dela era um sussurro, mas me atingiu como uma bomba.
Ela se virou devagar e me viu ali, na porta, imóvel. Os olhos arregalaram ao notar o curativo em meu ombro.
— Jeon… o que aconteceu?
— Ele fugiu — falei, entrando no quarto. — Mas eu cheguei perto. Muito perto.
— Você tá machucado — ela disse, vindo até mim e tocando meu rosto com cuidado. — Por minha causa…
— Não — interrompi, segurando a mão dela. — Por nossa causa. Por tudo o que ele tirou de nós.
Ela começou a chorar de novo, os soluços ganhando força enquanto se jogava nos meus braços. Ignorei a dor no ombro e a abracei forte, como se pudesse colar todos os pedaços quebrados dela só com o calor do meu corpo.
— Eu me sinto tão vazia, Jeon. Tão inútil… — murmurou.
— Não diz isso. Nunca mais diz isso — falei com firmeza, acariciando seus cabelos. — Você é a mulher mais forte que eu já conheci. E mesmo com o mundo desmoronando, você ainda tá aqui… viva. E isso já é tudo pra mim.
Ela levantou os olhos e me olhou por um tempo. Havia algo diferente ali… um brilho frágil, mas verdadeiro.
Eu a amava? Isso não é possível.
Ela sorriu, mesmo chorando. E naquele momento, mesmo com toda a dor, eu soube: Chang Hee podia ter levado nosso filho, podia ter ferido nossos corpos, mas ele não ia quebrar o que tínhamos.
Porque o que tínhamos… agora era guerra.
E eu ia vencê-la.
Por ela.
Por mim.
Por nós.
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MAFIOUS
Roman pour AdolescentsKatherine e uma menina menina que cursa jornalismo, e foi obrigada a se casar com Jeon um cara frio, intimidador que ela mal conhecida para quitar as dívidas do seu pai. "- Quitar suas dividas? Eu não o conheço... - falei com raiva - Case você com...
