PLANOS E PROMESSAS

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O sol ainda estava nascendo quando Jeon e eu saímos de casa para a consulta médica. Meu estômago estava agitado, mas desta vez não era por nervosismo — era a excitação de finalmente ver nosso bebê na tela do ultrassom.

Jeon dirigia em silêncio, uma das mãos no volante e a outra descansando sobre minha coxa. O leve aperto de seus dedos transmitia um misto de proteção e possessividade que eu já estava acostumada.

— Está animada? — ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada.

— Sim… e nervosa também. Quero saber se está tudo bem.

Ele apertou minha perna levemente, como um lembrete silencioso de que tudo ficaria bem.

Ao chegarmos à clínica, fomos direto para a sala de espera. O ambiente era tranquilo, o som de conversas baixas e um leve fundo musical preenchendo o espaço. Quando a médica nos chamou, segurei a mão de Jeon com força.

Deitada na maca, senti o gel gelado ser espalhado pelo meu ventre antes do aparelho deslizar sobre minha pele.

— Aqui está o bebê de vocês — disse a médica, apontando para a tela.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Jeon também observava atentamente, um brilho diferente no olhar.

— Esse borrão é o bebê? — perguntou Jeon, me fazendo rir.

— Sim, ele ainda é muito pequenininho. Nem o sexo dá para saber, mas já conseguimos ouvir o coração. Querem ouvir?

Assentimos juntos.

Logo um som rítmico e acelerado ecoou pelo consultório, preenchendo o ambiente com um calor indescritível.

O restante da consulta foi tranquilo. A doutora me passou alguns exames e medicamentos para tomar, além de recomendações sobre alimentação e repouso.

Depois da consulta, Jeon me deixou na universidade. Assim que entrei na sala, avistei Yoona, que já acenava animada.

— Como foi a consulta? — ela perguntou, me puxando para um abraço rápido.

— Foi incrível! Vi o bebê pela primeira vez!

— Ai, que lindo! E o Jeon? Como ele reagiu?

— Ficou quieto, mas dava para ver no rosto dele que estava emocionado.

— Claro, né? Ele vai ser pai!

As aulas passaram rápido, e logo depois, Yoona e eu fomos ao shopping. Nosso objetivo era encontrar vestidos para a formatura, mas acabamos nos distraindo com outras lojas.

— Esse ficaria incrível em você — Yoona disse, segurando um vestido vermelho longo.

— Eu gosto, mas não sei… acho que quero algo mais delicado.

— Você já tem um vestido delicado: o da noiva — ela brincou, rindo.

Revirei os olhos, mas ri junto.

Jeon POV

Me encontrava no escritório com Taehyung e Jimin. A consulta foi tranquila, vi aquele borrão e escutei o coração pela primeira vez. Pude ver Kat se emocionando, o que mexeu comigo mais do que eu esperava.

— O carregamento chega amanhã à noite — Jimin informou, cruzando os braços.

— Precisamos agir rápido — Taehyung acrescentou. — Se tudo correr bem, conseguimos expandir nossa distribuição.

Assenti, pensativo.

— Quero tudo organizado. Sem erros. Se algo der errado, sabemos o que fazer.

Jimin sorriu de canto.

— E se der certo?

Passei a língua pelos lábios, o olhar afiado.

— Então saímos para comemorar.

Taehyung bateu as mãos sobre a mesa, animado.

— Isso que eu gosto de ouvir.

Jimin riu.

— Falando nisso, vou buscar a Kat e a Yoona no shopping.

— Vai fundo — respondi.

Quando Jimin saiu, Taehyung me olhou com um sorriso divertido.

— Então… sobre o churrasco…

Soltei um suspiro. Quando ele me falou sobre as intenções, não achei que ele iria agir tão rápido.

— O que tem?

— Você realmente não ficou com ciúmes quando eu e ela ficamos por chamada?

Fiquei em silêncio por um momento antes de responder:

— Não sou do tipo que sente ciúmes. Mas não esperava que vocês fossem fazer isso assim… tão rápido.

Taehyung passou a mão pelos cabelos, suspirando.

— Eu nem sei explicar. Nunca senti atração por ninguém assim antes. Foi algo meio fora do meu controle.

Ri baixo, pegando um cigarro e acendendo.

— Você tem um problema, sabia?

— Eu? Você viu Luize outro dia? Ela estava um absurdo de linda.

Soltei uma risada.

— Ah, isso eu não posso negar.

Taehyung se inclinou na cadeira, pensativo.

— Mas, voltando ao assunto… ela é muito gostosa.

O encarei com um olhar sério. Ele precisava entender que isso era só uma brincadeira.

— Isso é só uma brincadeira, Tae. Não se apaixone. Ela é minha mulher.

Taehyung riu, balançando a cabeça.

— Impossível.

À noite, Kat e eu ficamos deitados no sofá, minha cabeça apoiada em seu peito enquanto brincávamos com ideias para o nome do bebê.

— Quero que seja uma menina — comentou.

— Nem pensar. Se for menina, vai dar muito trabalho.

— Você não gostaria de ter uma garotinha parecida comigo?

— Se for parecida com você, então ela vai ser ainda mais teimosa. Melhor colocar ela num convento.

Ela soltou uma risada alta, me fazendo sorrir.

Depois, pedimos comida italiana e jantamos tranquilamente, aproveitando o momento só nosso antes de irmos dormir.

— Amanhã, vou te mostrar a empresa — disse antes de me despedir.

— Estou curiosa para ver. Boa noite. — Ela partiu para seu quarto.

— Boa noite.

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