JEON POV
O carro estava silencioso. Katherine dormia encostada no meu ombro, respirando baixinho, serena. Uma cena rara nos últimos tempos. Olhei pra ela e meu peito apertou. Era impressionante como, mesmo dormindo, ela ainda mexia comigo. Como se fosse feita pra me desmontar com um simples suspiro.
Quando chegamos em casa, eu a peguei no colo com cuidado. Ela murmurou algo incompreensível e se enroscou mais em mim, como se o meu peito fosse o lar que ela procurava. Subi as escadas em silêncio, cada passo pesado de tanto sentimento.
Ao colocá-la na cama, ela se mexeu, os dedos segurando o tecido da minha camisa por instinto. Sorri, acariciando seus cabelos.
— Eu falei que te amo — sussurrei, quase sem querer. E quando percebi o que tinha dito, o sangue gelou.
Eu falei em voz alta.
Me afastei devagar, sentando na beira da cama, passando as mãos no rosto.
Merda. Como pode alguém mexer tanto assim comigo? Eu, que sempre fui o calculista, o frio, o intocável… Agora ali, feito um moleque apaixonado.
Mas uma coisa era certa: por mais que ela fosse minha fraqueza… Eu nunca sairia da máfia. Nunca deixaria o que eu construí. Eu podia amá-la mais do que tudo, mas isso… isso era parte de mim também.
NO DIA SEGUINTE – KATHERINE POV
— Então… o que acha dessa? — Yoona perguntou, segurando um vestido preto justo demais pro meu gosto.
— Isso aí nem é roupa, é provocação — respondi, rindo.
— E desde quando isso é um problema?
Estávamos no shopping, tentando viver um pouco de normalidade. Yoona me arrastou pra lá, dizendo que precisávamos de uma “terapia feminina”. E, por incrível que pareça, estava funcionando.
Andamos por algumas lojas, rindo, fofocando, experimentando roupas ridículas só por diversão. Eu precisava disso.
— Katherine? — A voz era doce demais. Falsa demais.
Virei devagar. E lá estava ela.
Milena.
Com aquele sorrisinho insuportável, o cabelo impecável e os olhos me analisando de cima a baixo como se eu fosse pouca coisa.
— Que surpresa — disse ela, com um tom irônico. — Comprando roupas novas? Vai ver o Jeon se cansou das velhas.
Meu sangue ferveu.
— Engraçado você falar de cansaço — respondi, cruzando os braços. — Ele parecia bem cansado de você quando me beijou ontem à noite.
O sorriso dela vacilou por um segundo, mas logo voltou, ainda mais venenoso.
— Claro, querida. Imaginação é tudo pra quem vive à sombra de outra mulher.
— Sombra? — Eu dei um passo à frente. — Se sou sombra, por que ele sempre volta pra mim?
Yoona segurou meu braço.
— Kath, não vale a pena.
— Não, Yoona. Hoje vale — falei, sem tirar os olhos da Milena. — Eu cansei de ficar quieta.
Milena também avançou um pouco, o tom de deboche sumindo do rosto.
— Você acha mesmo que ele vai escolher você? Uma mulher fraca, quebrada…?
Não pensei duas vezes.
A mão estalou no rosto dela antes mesmo que eu percebesse o que estava fazendo.
Milena cambaleou um passo pra trás, os olhos arregalados.
— Nunca mais fala comigo assim — rosnei. — Eu sou tudo, menos fraca. E se tentar se meter de novo entre mim e o Jeon, vai se arrepender.
Yoona me puxou, rápido, antes que aquilo escalasse mais ainda. Saímos da loja com os seguranças nos seguindo com o olhar.
— Ok — Yoona disse ofegante. — Isso foi… intenso.
— Era necessário.
E pela primeira vez em muito tempo, senti que estava recuperando um pouco de mim.
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JEON POV
— Encontramos ele — disse Jimin, entregando o tablet com a localização.
Meus olhos varreram a tela. Um galpão afastado, escondido nos limites da cidade. Padrão de Chang Hee: sujo, estratégico, discreto.
— Tem certeza? — perguntei, mesmo sabendo a resposta.
— As câmeras do quarteirão confirmaram. Ele chegou ontem à noite e não saiu mais.
Meu punho se fechou automaticamente.
A imagem daquele desgraçado apareceu na minha mente, com seu sorriso cínico, suas ameaças veladas… e a lembrança do que ele causou. O sequestro, a dor, o bebê...
Eu quase destruí tudo que amo por causa dele.
Levantei num pulo.
— Quero todos prontos em uma hora. Armamento pesado. Nada de erros.
— Vai pessoalmente? — Jimin perguntou, surpreso.
— Claro que vou. Eu prometi que ia acabar com ele. E eu cumpro o que prometo.
Desci pro porão da mansão, onde guardávamos o arsenal. Abri o armário e comecei a preparar as armas. Pistola, faca, colete. Cada movimento era guiado por um ódio frio. Calculado.
Chang Hee ia pagar. Por cada lágrima da Katherine. Por cada noite sem dormir. Por cada maldito segundo que fez minha mulher sofrer.
Respirei fundo, me olhando no espelho ao lado.
Meu reflexo era o de um assassino. Mas por dentro… eu era um homem apaixonado com sede de justiça.
Chang Hee não sabia, mas o inferno dele estava prestes a começar.
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MAFIOUS
Novela JuvenilKatherine e uma menina menina que cursa jornalismo, e foi obrigada a se casar com Jeon um cara frio, intimidador que ela mal conhecida para quitar as dívidas do seu pai. "- Quitar suas dividas? Eu não o conheço... - falei com raiva - Case você com...
