FOGO E PÓLVORA

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KATHERINE POV

A porta da sala de armas se abriu com um estalo seco e eu desci as escadas correndo. Meu coração já sabia que encontraria o Jeon ali. As armas espalhadas pela bancada, o colete jogado no chão, o olhar dele... sombrio. Determinado.

— Jeon, por favor — comecei, a voz mais trêmula do que eu queria —, você não pode fazer isso.

Ele sequer olhou pra mim. Continuou encaixando a pistola no coldre, os olhos fixos nos movimentos, como se eu fosse invisível.

— Você não entende, Katherine.

— Eu entendo sim! — retruquei, andando até ele. — Entendo que você quer se vingar. Mas isso… isso vai te destruir. Já perdemos demais.

Ele soltou um riso curto, debochado.

— Perdemos? Nós perdemos? — Ele finalmente me encarou, e o olhar dele era frio. — Eu perdi um filho, Katherine. Eu quase perdi você.

— E acha que indo atrás dele vai mudar alguma coisa? — rebati, sentindo o nó na garganta subir. — Isso não vai trazer o bebê de volta, Jeon!

— Mas vai fazer Chang Hee pagar! — explodiu, batendo com força na bancada. — Alguém tem que pagar por tudo isso!

Eu respirei fundo, tentando controlar a raiva. Não era fácil ver o homem que eu amava se afundando em sede de vingança.

Foi quando ele notou o arranhão no meu braço.

— O que é isso? — perguntou, a voz agora baixa, mas carregada de tensão.

Olhei pro corte superficial, um pequeno ferimento que fiz tentando separar a briga com Milena no shopping.

— Não é nada — tentei minimizar, virando o rosto.

Ele se aproximou em dois passos, segurando meu braço com firmeza.

— Katherine, quem fez isso?

— Eu disse que não foi nada, Jeon! — puxei o braço de volta. — E isso não importa agora! O que importa é você parar com essa loucura! Já chega de sangue, já chega de dor!

— Então é isso? — ele perguntou, com um riso incrédulo. — Quer que eu fique aqui, vendo Chang Hee rindo da nossa cara? Quer que eu assista tudo que ele fez com a gente como se fosse só mais uma página virada?

— Ele já tirou tudo de nós! — gritei. — Você não vê? Ele venceu, Jeon! Venceu! Não adianta se jogar nessa guerra agora… não tem mais o que ser salvo!

Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Silêncio esse que me gelou a alma.

— Então você acha… — murmurou, a voz cheia de veneno — que eu sou fraco?

— Não foi isso que eu disse.

— Mas foi o que você quis dizer — respondeu, dando um passo pra trás. Os olhos dele… estavam escuros, intensos, quase irreconhecíveis. — Você acha que eu sou fraco por não ter conseguido proteger vocês. Que fracassei como homem. Como pai.

— Não é isso… — comecei a dizer, mas ele me cortou.

— Cansada de mim, é isso? Quer um homem que não se envolva, que viva uma vida pacata, longe disso tudo?

— Eu só quero você vivo!

— Eu sou isso, Katherine! — rugiu. — Eu sou a máfia. Sou essa porra toda! E se você não consegue lidar com isso, talvez você não me conheça tanto assim.

Aquilo doeu. Como uma faca cravando fundo no peito.

— Então vai. — falei, engolindo o choro. — Vai lá se matar, Jeon. Vira mais um número nas mãos dele. Mas não espere que eu fique assistindo.

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