É ASSIM QUE SE FAZ

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JEON POV

A dor ainda me acompanhava, como uma sombra persistente, mas a sensação de estar em casa, com Katherine ao meu lado, tornava tudo mais suportável. Os minutos que passei naquele hospital pareciam uma eternidade, e, mesmo com a luta interna de não querer depender de ninguém, tinha algo reconfortante em tê-la perto de mim.

Estava me acostumando com o ritmo das coisas. Cada movimento que eu fazia, ela estava lá, ajustando, se preocupando, tentando me proteger da dor, e eu... resistia. Não queria ser esse cara frágil, que depende de cuidados. Não era o tipo de homem que se via a si mesmo em uma cadeira de rodas, recebendo a compaixão de todos. Mas quando ela estava por perto, algo dentro de mim cedia. Aquele olhar dela, carregado de sentimentos que eu não sabia como lidar, sempre me desarmava.

Katherine voltou para o meu lado, com o cobertor, e aquela sensação de vulnerabilidade só aumentou. Eu queria ser o homem que ela precisava, mas, por mais que tentasse lutar contra isso, ela ainda era meu refúgio.

Ela me cobriu com o cobertor de maneira suave, como se tivesse medo de que o simples ato de tocar me machucasse, e eu senti algo mexer dentro de mim. Um desejo de proteger, de retribuir todo esse cuidado que ela me dava sem pedir nada em troca. Seus dedos passaram pela minha testa e seus lábios tocaram minha pele com um carinho que eu não sabia como devolver.

— Melhor assim? — ela perguntou, quase como uma criança, tentando ver se eu estava confortável.

Assenti, sentindo uma paz que me invadia. Algo que eu nunca soubera o que era até ela aparecer na minha vida. O silêncio entre nós foi pesado, mas não de uma maneira ruim. Era como se, naquele momento, todas as palavras que não dizíamos estivessem sendo ditas em gestos, olhares e pequenos toques.

Fechei os olhos, tentando lidar com a sensação de estar completamente entregue, e uma voz dentro de mim sussurrou que talvez eu estivesse finalmente encontrando o que eu tanto procurava. Não era a guerra que me mantinha forte. Era ela. A maneira como ela fazia eu me sentir em casa, mesmo nos meus piores dias.

— Você está sendo muito cuidadosa comigo... — murmurei, a voz saindo rouca pela dor e pela emoção.

Ela se inclinou para perto, e pude sentir a respiração dela na minha pele, quase como se fosse um sopro suave.

— Porque eu me importo. — disse ela, com a voz carregada de um sentimento que era difícil de ignorar. — E porque você precisa disso, Jeon.

Eu queria protestar, dizer que não precisava de nada disso, que podia me virar sozinho, mas era impossível. A verdade estava ali, bem na minha frente: eu não queria me virar sozinho. Eu queria ela. Eu precisava dela, mais do que eu estava disposto a admitir, até para mim mesmo.

O peso da luta constante contra o que eu sentia por ela me esmagava. Era como se eu estivesse travando uma guerra interna, tentando não me entregar, mas toda vez que ela olhava para mim daquele jeito, toda vez que me tocava com essa delicadeza, a batalha parecia perdida.

— Eu não sou fácil de lidar... — murmurei, os olhos ainda fechados, tentando entender a complexidade daquilo tudo.

Ela riu baixinho, com aquele som que eu tanto amava ouvir. Era a risada dela, a que fazia meu coração bater mais forte.

— Eu sei. — respondeu, com um tom brincalhão. — Mas eu não me importo. Vamos continuar lutando, então.

Eu sorri, sentindo um calor no peito que me fazia querer me entregar completamente a ela. A guerra, a máfia, a dor... tudo parecia desaparecer quando eu olhava para ela. E, naquele momento, eu soube que faria o impossível para proteger esse sentimento que eu não tinha certeza de como nomear.

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