ENTRE A VIDA E A ESCURIDÃO

52 3 1
                                        

JEON POV

O relógio marcava 23h47.

Frio da porra. Mas por dentro eu tô em chamas.

A jaqueta no corpo parece mais pesada do que nunca, talvez pelo tanto de coisa que carrego junto: raiva, culpa, saudade. Principalmente saudade. Ela não saiu da minha cabeça nem por um segundo nesses dois dias. Nem quando eu mandei aquelas mensagens estúpidas, nem quando ela me ignorou. E agora, aqui estou eu... prestes a encarar a porra do inferno de novo, e o único rosto que vem na minha mente é o dela.

Katherine.

Respiro fundo. Puxo a Glock e checo a munição pela décima vez. Não é insegurança, é foco. Ou pelo menos tento convencer minha mente disso. Taehyung tá na frente, dando instruções. Jimin tá na dele, como sempre. Eu tô no modo automático.

Se eu morrer hoje... ela nunca vai me perdoar.

Mas se eu não fizer isso, a guerra continua. E ninguém vai estar seguro. Nem ela.

— Carregamento confirmado. — escuto a voz do Jimin. — Armazém 27. Chang Hee vai estar lá.

Perfeito.

— Hoje a gente termina isso. — digo, mais pra mim mesmo do que pra eles.

---

Meia-noite.

Tudo pronto.

Mão no rádio. Fôlego preso.

— Em três... dois... um... AGORA!

A explosão me acorda por dentro. Finalmente. O caos me entende melhor do que qualquer terapeuta.

Entro na fumaça como se fosse minha casa. O som dos tiros, dos gritos, tudo se mistura com a adrenalina correndo nas minhas veias. Cada passo é certeiro. Cada tiro, necessário. Não hesito. Não posso hesitar.

Do meu lado, Taehyung derruba dois. Jimin passa pelas vigas como um fantasma. A gente funciona bem demais quando é pra matar.

A merda é que, mesmo no meio desse tiroteio, o rosto dela ainda tá aqui. Katherine. Cabelo solto, olhar bravo... e a porra do gosto dela ainda grudado na minha memória.

Droga, Jeon. Concentra.

Um vulto na esquerda. Atiro. Um no alto. Atiro de novo. Rolo pelo chão e me levanto já mirando no próximo.

E então eu ouço.

— JEON!

Aquela voz.

Não é da Katherine. É pior.

Chang Hee.

Filho da puta me encara de longe, arma na mão, olhos de psicopata. Ele quer me matar. E o sentimento é recíproco.

— Seu tempo acabou, Chang Hee! — grito de volta, avançando pelo corredor central.

A troca de tiros começa. O som é ensurdecedor, mas eu só ouço meu sangue gritando. Cada bala que eu solto é por tudo o que ele tirou da gente. Por cada morte. Por cada lágrima dela.

Uma caixa explode atrás de mim. Um tiro raspa meu braço. Arde, mas eu sigo.

— VEM, DESGRAÇADO! — berro.

E então…

Bang.

Silêncio.

Merda.

Sinto o impacto. No abdômen. É quente. Ardente. Minhas pernas falham.

Droga. Não… não agora.

Cambaleio. Tento manter a arma em punho, mas meus dedos tremem. O sangue escorre, encharcando minha camisa. O som da batalha ao redor fica mais distante. Como se alguém tivesse abaixado o volume do mundo.

MAFIOUSOnde histórias criam vida. Descubra agora