202.0
Em uma calçada, aguardo,
o momento que não quero que chegue,
e a eternidade, de repente, se esvai em minha frente.
O desespero, de tentar a agarrar, aproveitar, uma sequência de segundos eternos,
e manter vivo em minha memória, nossos momentos conectados.
O acaso me fez partir primeiro,
mas ainda lembro da dor,
de olhar pela janela.
202.1
Luzes de despedida no horizonte,
brilham no azul do anoitecer,
enquanto na rádio,
sintonizo os sons que se misturam
com os barulhos da velocidade.
Olhares, pela janela,
e ao meu lado os seus,
carregados de lágrimas,
que saiam em forma de suor
de nossas mãos grudadas e acostumadas.
Os loucutores conversam,
mas em meus ouvidos,
músicas tristes se distoam
das piadas sem graças,
de uma rádio de estrada.
[...]
[...]
202.4
nenhuma rádio estava sintonizada.
