Em meu último sonho,
lembro de ter escrito um longo poema,
mas acho que ele se perdeu ao véu ultrapassar.
Me pergunto se minha versão noturna,
guarda suas memórias,
em meu travesseiro, antes de acordar.
Apesar de nunca nos encontrarmos,
coexistimos poeticamente,
e espero que algum dia
nossas letras possam se entrelaçar.
Tu vives em alma os meus desejos,
enquanto minha carne e pele sentem,
aquilo que sonha,
mas ultimamente
vivo um pouco menos que ti.
Que irônico, enquanto escreves acordado
sobre as minhas memórias escuras,
escrevo hipnotizado, pela beleza,
de imaginar o amanhecer,
mas escolho dormir
para que eu possa
viver.
