Acordei com uma dor inexplicável nas costas. Dormir no chão talvez não tenha sido a melhor ideia que a gente ja teve. Agora, porque ontem depois de uns vinhos a cama parecia longe demais...
Me sento no chão, apoiando as costas no sofá coçando meus olhos e olho para Ryujin ao meu lado. Dormindo serenamente, as mãos embaixo da cabeça e uma das pernas em cima da minha. Sorrio involuntariamente, só percebo que estou ha um tempo a observando desta forma quando de repente sua voz baixa e rouca me acorda.
-Não sei se me sinto amada ou ameaçada contigo me encarando
Nego com a cabeça voltando a realidade e solto uma risada baixa. Seus olhos ainda permanecem fechados, mas há um lindo sorriso em seus lábios. Abaixo meu tronco de encontro com o dela e selo o topo de sua cabeça.
-Aí depende de qual carapuça vai te servir. Tem motivos para se sentir ameaçada?
-Depende.. você viu o meu celular?
Abri e fechei a boca. Sei que é uma brincadeira, mas ainda sim travei. É uma brincadeira né?
-Eu estou te zoando besta.
Ela ri, me fazendo rir junto (mas de alívio). E então, Ryujin se vira para mim, seus braços abraçam minha cintura e sua cabeça se apoia nas minhas pernas juntas. Faço carinho em seu cabelo e aos poucos, ela abre os olhos como um bebê que está conhecendo o mundo agora. Deixando meu coração quentinho e minhas bochechas doloridas de tanto sorrir.
-Eu amo você
Ela sorri e um "eu também te amo" sai de forma doce e suave juntamente de um selar na batata da minha perna, local onde sua boca alcança quando ela vira sua cabeça contra minha pele. Isso já basta pra fazer meu coração palpitar.
-Eu amo poder dizer que te amo. Tipo, é algo que só sai sabe? É leve e libertador. Mas ainda acho que não é o suficiente. Precisam inventar uma palavra nova e mais intensa.
-Ouuu.. Você pode criar
Ela ergue a cabeça me encarando e eu a encaro de volta confusa.
-Tenho cara de dicionário?
-Hmmm.. um pouquinho. Daqueles bem velhos sabe? Enrrugados
Abro a boca ofendida e pego a almofada mais perto do sofá para jogar nela, que se vira saindo do meu colo gargalhando. Cruzo os braços rindo junto e nego com a cabeça.
-Idiota
-Awn, você fica tão fofa quando fica brava
Ela se aproxima, seu nariz juntando com o meu como um beijinho de esquimó e eu continuo com as sobrancelhas franzidas e o braço cruzado.
-Viu! Toda enreugadinha
Ela brinca com a minha bochecha se aproveitando do meu silêncio, acabo me rendendo e sorrindo, fazendo ela sorrir de volta e me abraçar.
-Para de me zoar. Você é minha fã ou hater?
-Poxa não posso ser os dois?
Ela faz bico.
-Se fizer os dois direito, quem sabe...
-Uuuuu
Ela sorriu de lado. Aquele sorriso cafajeste que ela é expert em dar. Se ajeitou no meu colo, colocando uma perna em cada lado e se sentando em cima de mim. Automaticamente minhas mãos foram para a sua cintura. Ela se inclinou levemente até nossas testas colarem.
-Ryu... acabamos de acordar. Eu devo estar com um bafo horrível
-Seu mau hálito é normal, amor. Se estivesse tão ruim assim, eu não estaria aqui, não acha? Por acaso eu estou?
Conforme fala, sinto sua respiração se misturar com a minha, seu halito quente atingir meus lábios e seus olhos fixados nos meus.
-Não.. se não eu não estaria aqui.
Repito suas falas. E realmente não estava, ainda bem, porque eu estou doida pra beijá-la. Desci meu olhar para os seus lábios e me inclinei para alcançá-los, no entanto ela foi para trás me impedindo. A olhei confusa.
-O mau hálito. Agora você me deixou bitolada.
-Não está, eu falei sério
Meu coração acelerado grita o quanto eu quero ela agora. Me inclino novamente e ela repete o movimento de antes, me fazendo bufar.
-Ish ficou brava é?
Ela colocou a mão em meu peito me empurrando de volta para o sofá. Me encosto e a olho.
-Eu só queria dar um beijinho em você. Só isso.
Faço bico. Ela sorri, brincando com a correntinha em seu pescoço. Umidece os labios encarando os meus e eu sinto mei corpo todo esquentar. De repente minhas mãos estão passeando pelas suas costas por dentro de sua blusa. Ryujin sorri me encarando, se divertindo. E então se inclina para perto e me dá um selinho na alteral da boca. Fecho os olhos sentindo o pouco do que eu tive e nego com a cabeça.
-Você é muito maldosa as vezes
-Sou? Você gosta que eu sei
Eu sorri, ela também. Empurra seu corpo em meu colo até nossas barrigas colarem e não haver um espaço sequer. Sinto minha respiração acelerar quando ela beija meu pescoço e trilha os beijos até a minha clavícula, que estava seminua por estar usando uma camiseta gola V dela. Inclino a cabeça para trás, a apoiando no sofá quando sinto ela subir os beijos novamente e pressiono seu corpo contra o meu querendo cada vez mais.
Ela faz um caminho com os lábios até o meu maxilar e para ao me ver erguer a cabeça de volta. Nossos olhares se encontram e tudo que eu sinto é real. Cada centímetro meu quer ela. Cada gota de sangue meu percorre por ela. Eu sou dela. E amo isso. E então, finalmente Ryujin cede ao meu olhar de pidona e me beija.
...
Estava chegando em casa, o uber virando a esquina, quando recebo uma mensagem de Ryujin. A leio pela notificação
"Quer jantar comigo e com a minha mãe hoje?"
Não sei o que responder, na verdade quero dizer que sim, mas confesso que me pegou de surpresa. Conhecer os pais é um passo e tanto na relação, mas eu sequer troquei uma palavra com a sua mãe enquanto ela já passou uma tarde inteira com a minha. Acho que está na hora, eu posso ir mesmo com medo. Afinal, como Chaer diria, se ficar esperando o momento certo eu nunca farei.
Desbloqueio o celular e respondo "adoraria! Onde e que horas?" Bloqueei novamente e suspirei. As mãos já tremendo. Eu sempre fui a amiga que os pais amam. Então porquê estou tão nervosa?
-Cheguei!
Gritei no apartamento após subir e jogar minhas chaves na bancada. Não ouvi nada, nem chaer, nem barulho de celular, nem de chuveiro, mas Chaer não me avisou que iria sair hoje. Então ando até meu quarto, tiro minha jaqueta e a jogo no cabideiro. Meu celular apita, reclamando de bateria baixa. Logo lembro que Chaery tem um carregador turbo que eu sempre gosto de usar e ela nunca deixa, então resolvo ir para seu quarto ver se ela o deixou aqui.
A porta não estava fechada, só entreaberta então apenas a empurrei e entrei, mas deveria ter batido antes.
-SAI SAI SAI
Gritaria, travesseiro voador e um sutiã preto com bolinhas brancas. Foi tudo o que deu tempo de ver e ouvir nos segundos que pisei dentro de seu quarto. Fechei rapidamente a porta e fiquei travada ali, segurando a maçaneta encarando o sofá.
O que caralhos.....?
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Got'ya
FanfictionYeji só queria uma coisa: Terminar com Bam e cortar todos os laços. Pena que até mesmo em seu novo relacionamento ela ainda estava presa a ele.
