Papilas Gustativas

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Papila Gustativa: As papilas gustativas são pequenas estruturas na língua que permitem ao ser humano perceber os sabores básicos: doce, salgado, azedo, amargo e umami. Elas funcionam como sensores que avisam ao cérebro qual gosto estamos sentindo. Porém, também existem combinações mais complexas, como o agridoce, que nada mais é do que uma dança sensorial entre o doce e o ácido. O resultado? Uma explosão contrastante, capaz de provocar tanto conforto quanto surpresa. É justamente esse jogo, entre o aconchego do doce e o alerta do ácido, que faz essa mistura ser percebida como algo tão prazeroso para alguns. São nuances.

Aqui, poderia se tratar apenas de um termo biológico... mas vai além. Seres humanos são como papilas e também como sabores. Quando você prova alguém, está, de certa forma, experimentando aquilo que essa pessoa escolhe te oferecer. E quando você se entrega, é o seu próprio sabor que se revela. Nuances, que só podem ser percebidas quando são permitidas, ao longo do tempo. Porque, assim como o paladar se apura, o gosto que oferecemos também amadurece.

Quando por muito tempo nos acostumamos a receber o doce, seja em nossos lábios, em toques, palavras ou afetos, o agridoce nos assusta, porque ele vem com notas ácidas, carregadas de culpas, ressentimentos e até mesmo raiva. Mas receber o agridoce não é amargo, pelo contrário, receber esse sabor complexo significa ganhar uma nova parte de um todo, que muito pouco se tem conhecimento como antes.

Oferecer o agridoce depois de anos servindo apenas o suave, exige a aspereza que apenas uma mulher forjada em sua própria dor consegue produzir. Porque aqui, o foco não está no sabor em si, mas no ato de, novamente, voltar a se permitir ser provada.

Provar do sabor de alguém é aprender que existe essência. Mas também é compreender que, quando as sutilezas se misturam, novas impressões surgem. Ter o privilégio de acompanhar as fases de alguém permite que você conheça facetas inéditas que, embora te surpreendam num primeiro reencontro, podem, pouco a pouco, te fazer se apaixonar de novo... e de novo. Até que suas papilas decorem cada traço, cada contorno, cada resquício do prazer que, um dia, ficou gravado em sua pele.

Porque oferecer sabores, às vezes, é ato de coragem. E recebê-los é o ato de reconhecer, valorizar e se reencantar por toda a singularidade do outro.


🩺

Lauren.

Atlanta, abril de 2023.

— Camila? — o nome de Hayes em minha boca saiu de maneira retórica, fui atingida em cheio pela surpresa de ter Camila na minha porta. — Está tudo bem? Aconteceu algo? — conferi seu corpo com os olhos em um ato instintivo de proteção, querendo confirmar que estava tudo bem com ela, mas o que constatei foram suas roupas caseiras com chinelos, muito diferente das que usava mais cedo no aniversário da Agatha.

— Eu não ia conseguir passar mais um minuto sem vir aqui te perguntar. — Hayes falou de uma vez, olhando no fundo dos meus verdes daquela forma que eu considerava intimidadora à sua maneira.

— Me perguntar o que, Hayes? — a aflição com certeza estava refletida nos meus olhos, embora eu estivesse me esforçando para manter a calma sobre meu estado de alerta.

— O que exatamente você quer de mim, Lauren? — mais do que intimidadora, Camila estava me invadindo com seus castanhos questionadores, a ponto de me fazer piscar um pouco atordoada.

A expressão de confusão que eu carregava se desfez em entendimento e meus lábios entreabertos puxaram fôlego para os pulmões lentamente.

O que eu esperava? Era eu quem costumava esperar demais, não a Hayes que eu conhecia. Ela estar na minha porta justamente por não conseguir lidar sozinha com o que aconteceu entre nós era mais uma confirmação dos meus pensamentos da noite.

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