Hoje é terça, né? 🩵
Eu escrevi OITENTA E TRÊS páginas, que com certeza, vocês vão ler em uma hora o que eu demorei uns trinta dias.
Que fique claro, esse capítulo está tão grande para ao padrão dos que eu posto, que ele seria dividido em dois. Mas eu não fiz isso. Então aqui tem DOIS capítulos para vocês. Aproveitem.
Tem músicas, é claro, dando toda a vibe de LMB. Para quem gosta de ficar imerso com a música, coloca no repete até o "play off", ou até acabar a cena. Tenha a experiência do jeitinho que eu imaginei.
Bora lá.
________________________________________
Se no início o sal surgiu apenas para resgatar o paladar da monotonia, funcionando como uma pitada tímida que tentava devolver o gosto aos dias após longos períodos de silêncio. É com o avançar do tempo que compreendemos sua verdadeira evolução. Ele deixa de ser apenas o tempero imediato que realça o que está na superfície para assumir sua função mais nobre e complexa.
A arte de preservar.
Salgar para conservar é um pacto de paciência com as estações. É a técnica de cobrir o que é sensível, estancar o fluxo da deterioração e garantir que a distância ou os invernos rigorosos não destruam aquilo que custou tanto para ser construído. Na mecânica dos afetos, o processo funciona de forma idêntica. Deixa-se para trás a fase do prato insosso para entender que as mudanças estruturais da vida exigem uma nova postura. A aplicação de uma medida exata de cuidado para resguardar conexões que outrora pareciam definitivamente perdidas no tempo.
O grande desafio, contudo, passa a morar no limiar desse equilíbrio.
Quando a vida finalmente recupera o seu sabor, o medo deixa de ser a escassez. O verdadeiro receio migra para o oposto, o exagero. O ponto exato onde a vontade de proteger e manter o que se conquistou torna-se potência, enrijecendo os movimentos naturais e testando os limites do que o outro é capaz de suportar.
Preservar exige tanto tato quanto precisão. Uma pitada a menos e o tempo desgasta, uma medida a mais e o zelo se transforma em saturação. É o aprendizado tardio de que, para manter viva uma essência que quase se perdeu, muitas vezes é preciso compreender que o silêncio, a concessão e o recuo também fazem parte da receita.
🧂
Lauren.
Atlanta, junho de 2016.
— Laur, a Camila te respondeu? — Hailee, segurando a coqueteleira no ar e entornando seu líquido no copo, me olhou da pia da cozinha.
— Ainda não, ela deve estar dirigindo. — respondi ao conferir mais uma vez meu celular.
Eu não era a única ansiosa para a chegada de Hayes, mas com certeza era a mais. Olhei para o jardim, me perguntando como aquele convite saiu de controle. A resposta era muito simples: Hailee Steinfeld e sua popularidade. O que eu achava que seria um fim de semana calmo entre poucos amigos, tinha virado uma festa no estilo as do Brad no ensino médio.
Tudo bem, fazia tempo que não tínhamos interações como aquela, quase todos estávamos na faculdade e esse era o tipo de coisa que ainda não havia sido deixada para trás.
— Está vendo a Anne daí? — perguntei, olhando para fora e procurando minha amiga entre as pessoas do jardim. Ainda havia luz do sol, ninguém estava bêbado o suficiente, ainda era um ambiente seguro de transitar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Love Me Better
FanficA realização do sonho de uma vida pode ser o motivo de uma das maiores felicidades possíveis de se alcançar, mas tudo que é conquistado exige alguns sacrifícios, e às vezes, são escolhas que nem temos a real consciência que fizemos. Nove anos depois...
