Chocolate Temperado II

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Boa noite!

Não demorei e já voltei!

Tem bastante músicas no cap, hein.

Obrigada por ler 🩵

Enjoy.

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Chocolate temperado: É curioso como certos sentimentos se comportam da mesma forma que o chocolate.

Podem nascer verdadeiros e cheios de promessas, mas derretem quando tocados pela falta de experiência da juventude. Racham quando expostos ao frio da incerteza. Queimam quando submetidos ao calor do ciúme. Até o afeto mais verdadeiro perde estrutura quando a temperatura emocional é equivocada.

Decisões em meio a situações impostas pelo momento de vida desandam o que poderia ter florescido. Gestos repetidos, sem reflexão, deformam aquilo que tinha potencial para brilhar. Insistir no mesmo padrão é como levar o chocolate ao fogo errado e esperar um resultado diferente.

É aí então que, com sabedoria milenar, o tempo, tão frequentemente confundido com demora, na verdade calibra. Reaquece o que endureceu além do necessário. Acalma o que queimaria. Oferece respiro ao que sabia estar prestes a perder forma.

O tempo.

O único capaz de trazer estabilidade às mãos que temperam.

Quando o manuseio muda, o ingrediente responde. O gesto que antes era inexperiente aprende com os erros e com a falta.

A mão que pecava por acrescentar em excesso aprende a dosar.

A que errava pela inércia, deixando queimar, aprende a conduzir.

E aquilo que antes era intenso e sem forma começa, enfim, a se moldar.

Temperar é condução correta.

É a diferença que pode determinar o brilho ou a opacidade, a liga ou a fratura.

Assim, o chocolate que um dia foi denso demais para ser moldado se revela com leveza e com a curiosidade do que pode vir a ser. Não porque mudou de essência, mas porque finalmente está recebendo a temperatura que sempre foi necessária.

Como o melhor chocolate, ele aos poucos se torna liso, luminoso e surpreendentemente estável.

Não por acaso, mas porque, enfim, aqueles que o conduzem o preparo estão dispostos a temperá-lo da forma correta.

🥧

Camila.

Baltimore, fevereiro de 2016.

Apesar de ser um mês com muita neve, aquele início de final de semana ainda não estava nevando em Maryland, apenas muito frio, mas isso não impediu de estarmos andando pelas ruas de Baltimore. Não estávamos sozinhas, era o mês dos namorados, vários casais também andavam pelas ruas, não apenas casais, mas acho que eram os que eu mais estava reparando.

Descemos do carro para comprar um chocolate quente em uma cafeteria que Lauren conhecia, voltávamos com as bebidas nas mãos, esquentando os dedos até chegarmos no carro e o aquecedor fazer sua parte, quando me lembrei que antes de descer eu havia pegado algo quando descemos.

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