Chocolate Temperado I

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Boa terça!

Eu sei que eu demorei, mas espero que seja por uma boa causa... 2 caps é uma boa causa?

E vocês ainda estão bem alimentados com KE Club.

Sem mais delongas. Tem música no capítulo, hein.

Enjoy.

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Chocolate temperado: advém de temperar, do latim temperare, misturar na medida exata, moderar, suavizar. É o verbo que carrega a ideia ancestral do equilíbrio, nascido para nomear a harmonia entre opostos. Calor e frio, impulso e contenção, excesso e ausência.

Muito antes de chegar às cozinhas, temperare já descrevia a arte de conduzir forças para que nenhuma delas se tornasse destrutiva.

Com o tempo, o verbo atravessou línguas e mãos até encontrar no chocolate seu território mais delicado. Quando o cacau, vindo das antigas civilizações mesoamericanas, encontrou o clima europeu, revelou uma natureza instável.

Ao solidificar sem cuidado, manchava, quebrava e perdia brilho. Era intenso demais para o toque bruto, sensível a qualquer exagero de calor ou ausência de movimento.

Daí nasceu a técnica de temperar.

A alternância precisa entre aquecer, resfriar e aquecer novamente mostrou que o chocolate só alcança sua forma mais bonita quando passa por temperaturas controladas. Somente o chocolate que enfrenta pausas, transições e o ritmo certo se torna firme, liso, brilhante e estável.

O melhor chocolate não é o que recebe mais intensidade, mas o que recebe o gesto correto. E talvez, só talvez, não estejamos mais falando apenas sobre chocolate...

🥧

Camila.

New York, fevereiro de 2016.

O sol fraco do inverno refletia no verde coberto de neve. A construção imponente no meio da vegetação, exibindo seus tijolinhos vermelhos, janelas retangulares e clássicas de toldo verde, era observada por Ryan. Meu ciclo de amizade não era muito grande, e todos eram alunos do instituto, vindos de diversas partes do país e de fora. Não havia muito o que se fazer fora do nosso período de aula, a maioria de nós não éramos residentes de Fairview ou arredores a muito tempo, e estávamos naquela cidade apenas de passagem.

Eu estava totalmente habituada a ter pessoas temporárias na minha vida. Vivi isso desde sempre.

Josué vinha da américa do sul, mas tinha ascendência etíope, Ryan era americano, texano para ser mais exata. O que eu o ajudava na confeitaria, ele me ajudava com manuseio de carnes, ele realmente era o melhor em fazer churrasco. Caryn também fazia parte do nosso pequeno grupo que não se desgrudava, mas a presença da morena baixinha nascida em San Diego foi um complemento da presença de Aria conosco, já que elas haviam se grudado desde o primeiro dia de aula.

Aria, a canadense com sua pele branca e cabelos marrons na intensidade de um cremoso chocolate ao leite, os olhos grandes e de azuis fortes e vivos, graciosa, se movia calma pela saída da cafeteira pequena na esquina do instituto. Carregava duas bebidas fumegantes em meio ao frio que era intensificado pela neve. Caryn trazia mais dois copos e um saco com a marca do estabelecimento. Elas teriam um minuto de caminhada até chegar no banco que eu ocupava com Ryan.

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