Lemon Curd

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Boa noite! Hoje é terça de verdade, né?!

Tem música no capítulo! A segunda deixa rolando até o final da cena indicada por 》🥧《 ok?

Prestem atenção nas datas para não se perder! Esse capítulo tem mais transições de datas que o normal.

Bora lá?!
Enjoy 🩵
 

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Lemon Curd: uma coalhada cítrica, um doce nascido na Inglaterra vitoriana, que conquistou paladares ao redor do mundo. Versátil, elegante, inesperado. Vai do recheio de bolos às colheradas roubadas na cozinha.

Mas você deve estar se perguntando... O que Lemon Curd tem a ver com esse escrito?

A resposta está na alquimia.

Bom, esse clássico coringa da confeitaria é feito com base em cinco ingredientes, bem lentamente. Limão sicialiano, manteiga, açúcar, ovos e amido. Tudo misturado cautelosamente em banho maria para chegar no ponto exato, aquele onde o azedo se curva, e o doce emerge. Aqui, nessa história, o Lemon Curd é a sensação de espera de um sentimento, mas que acaba desarmado. Rendido, mesmo que contrariado.

O azedume é a sensação que se espera quando se prova de algo na nossa vida que já foi um... limão. Porém quem conhece da complexidade humana, ou da confeitaria, sabe que é impossível pessoas ou situações vividas serem compostas de apenas um ingrediente. Por vezes um acontecimento nos desperta mais do que uma única reação, às vezes desejamos com todas as forças sentir algo que simplesmente não vem como planejamos. Momentos que aguardamos por tempos, idealizamos, mas que quando acontecem... assombram pelo sabor da surpresa.

Ela queria azedar o gosto da recaída. Mas havia algo no toque, no aroma, na química, como manteiga fria que se derrete em limão, que suaviza tudo, como o açúcar se dissolve em líquido.

O resultado da mistura? Um sabor irritantemente doce, que revolta, não pelo afago no paladar, mas pela desordem interna que provoca. Ela queria que tudo fosse ácido. Mas tudo nela, a pele, o cheiro, os rastros, lembranças, se rendeu ao mélico aveludado.

Talvez não precise entender. Talvez seja necessário se deixar sentir para descobrir que há doces que só existem depois do azedo.

🥧

Camila.

New York, dezembro de 2014.

Não era bem assim que eu pensava em New York quando planejei vir fazer meu curso na Culinary Institute of América. Confesso que idealizei muito erroneamente uma cidade mais agitada, mas era uma cidade do interior, eu não deveria esperar tanta agitação, mesmo me adaptando bem, e com a experiência anterior morando com meu pai em Savannah, onde minha vida não era tão agitada como em Atlanta, ainda me surpreendi com minha nova rotina. Quando precisava de algo, normalmente dirigia até Poughkeepsie, pois morava bem próximo a divisa, mas no geral, fora o trabalho e a faculdade, minha vida estava mais pacata.

Do que eu estou reclamando? Eu mal tinha tempo para algo fora isso mesmo. Eram mais meus finais de semana e folgas do Lewis que me faziam desejar ter o que fazer.

O pessoal do curso era legal, eu fazia amizade facilmente, mesmo assim, ainda sentia falta de algo mais. Nas conversas com Hailee, ela me dizia que eu sentia falta porque não saia com eles, não estava me divertindo, mesmo nas folgas do trabalho. Eu não tinha como contestar, fiquei um pouco fechada em mim mesma, ruminando os caquinhos da minha vida amorosa.

Love Me BetterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora