Eu ODEIO Spencer Reid

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Estou de volta.
Estou de volta à faculdade, de volta a meus amigos, de volta a tudo. Menos à ele.
Entro na sala de aula e me sento entre Grace e Caleb, pego meu caderno e espero Spencer Reid começar a sua aula.
Seu cabelo está mais desarrumado que o normal. Lembro que faz uma semana desde a nossa "cena" e que não toco naqueles fios e como num reflexo, cruzo uma mão na outra, como se isso fosse me impedir de me levantar da cadeira e ir na direção dele.
"Esqueça-o Anne. Você o odeia"
Falo pra mim mesma e abro meu caderno.
— Sabe, pra quem terminou com o professor na frente da universidade toda, você até que tá bem - Caleb sussurra pra mim.
— Já falei que não quero tocar nesse assunto - devolvo no mesmo tom.
— Não tá mais aqui quem falou - Caleb responde e um sorriso escapa de seus lábios.
Ele está feliz. Ele e todas as mulheres que sonham em ter uma chance com Reid estão mais que felizes porque terminamos.
— Não liga pra ele, Anne. Pelo menos você não perdeu sua bolsa nem teve que refazer a matéria depois de ser pega namorando o professor e ainda terminar com ele no ambiente universitário - Grace diz na tentativa de me consolar, mas o resumo da minha situação vergonhosa não ajuda nem um pouco.
Eu solto um longo suspiro.
— Ainda bem que o semestre está acabando.

A aula termina e quando eu passo pela mesa de Reid, vejo uma das alunas tocar seu braço e rir de algum comentário que ele fez.
— Não acredito que ele simplesmente te esqueceu. - sussurra Grace enquanto faz uma cara feia pra Reid e então, saímos da sala em direção ao refeitório.
— É o que parece.
— Precisamos de uma saideira. - diz Mary surgindo ao nosso lado.
— Eu topo! - diz May se aproximando com Caleb.
— Não to no clima - respondo e todos quase me fuzilam com os olhos.
— O que? Fui eu quem acabou um relacionamento agorinha!
— E é exatamente por isso minha querida, que precisamos de uma saidera. - responde Mary jogando os braço por cima de meus ombros e me dando uma piscadela. Eles estavam tentando me animar da melhor forma que conheciam.
— Tudo bem.
Respondo e fazemos nossos planos do horário que iríamos nos encontrar e do lugar.

Mais ou menos oito horas depois, música alta e luzes coloridas compõem à paisagem a minha frente.
As gêmeas e até Grace me chamam pra dançar e eu ponho a minha melhor máscara de "eu estou bem" e entro na pista com elas.
Nós dançamos até nossos pés se cansarem, bebemos até nossa cabeça girar, elas por conta do alcool e eu por conta do açúcar (já que eu seria a sober driver da noite) e nos divertimos como se a semana não tivesse sido o puro suco do caos.
Na volta pra casa, percebo Caleb me olhando de soslaio.
— O que? - pergunto desconfiada.
— Você quase me convenceu hoje.
— Convenci? Sobre o que?
— Ter esquecido ele.
Eu fico em silencio pensando no que responder. Olho o retrovisor, minhas três amigas dormem encostadas uma as outras no banco de trás. Grace com a boca semi aberta parece até emitir um ronco baixinho.
— Ah... é que é um processo. Ele mentiu pra mim, não fui o único amor da vida dele.
Mas saber isso não faz todos os meus sentimentos sumirem do nada sabe?
Eu paro o carro no sinal e Caleb estreita os olhos pra mim.
— Então realmente terminou com ele por que ele diz ter amado outra pessoa ou por ele ter omitido isso?
— Os dois - Eu aceno levemente com a cabeça mantendo meus olhos no sinal que ainda está vermelho.
— Não acho que ele seja capaz de amar Anne. Mas de qualquer forma, fico feliz em saber que você finalmente conseguiu enxergar - continua Caleb.

O sinal abre e eu dobro a última esquina que nos leva à casa de Grace.
Sem falar mais nada, acordo as meninas para entrarem em casa.
Caleb já está de volta a direção do seu carro. Ele não bebeu tanto assim e considerando que sua casa fica a poucos metros, vai chegar bem.
— Acha mesmo que ele não sabe amar? - pergunto quando fecho a porta do carro do carona e encaro Caleb. Seus olhos completamente escurecidos pelas sombras.
— Se ele soubesse, não teria mentido pra você. Quem ama não mente, Anne.
— Acho que aquele ditado estava certo...
Caleb encolhe as sobrancelhas pra mim, confuso.
— "Não há nada em oculto que não seja revelado" - eu falo, repetindo a frase de um dos bilhetes que o stalker me mandou.
Caleb ainda parece confuso, mas depois abre um sorriso pra mim.
— Eu amo o fato de que você entende as coisas rápido, Anne. Boa noite.
Diz ele e sai.

Eu abraço o meu corpo quando um vento frio sopra contra mim.
Deixo escapar um meio riso e mordo meu lábio inferior.
Olho pro céu estrelado a cima de mim e como um mantra, repito pra mim mesma:
"eu ODEIO Spencer Reid. ODEIO."

Meu perfeito opostoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora