Olho pro meu relógio de braço e me dou um tapinha nas costas mentalmente: são 08:05 da manhã.
Para mim, chegar dentro do tempo de tolerância de atraso da aula é uma vitória e tanto, considerando que ele é de 15 minutos e que o horário da aula é as 8:00.
O professor também não chegou ainda, então mais 2 pontos pra mim por isso.
— Hey, Anne? - A garota bonita de ontem a noite me cumprimenta - posso sentar aqui?
Faço que sim e ela se acomoda ao meu lado. Grace, lembro me recordando que fomos apresentadas ontem e penso como seu nome combina com sua aparência.
Os cabelos ruivos e ondulados contrastam com sua pele branca e lindos olhos verdes. Penso que ela poderia facilmente ter saído de uma pintura renascentista.
— Ansiosa para a primeira aula?
— Estou, não estudo literatura desde o ensino médio... mas já gostava bastante naquela época. Vai ser legal ver os assuntos mais afundo...
— Eu também amava literatura! Minha professora fazia cada história ganhar vida, sabe? Com ela os livros de leitura obrigatórios não pareciam chatos e tediosos.
Eu concordo com ela, pois também tinha tido uma experiência parecida no colégio e porque gosto da facilidade com que ela puxa conversa. Pude perceber ontem no bar, apesar do meu desconforto causado pelo álcool, que provavelmente não vou precisar me esforçar pra ficar a vontade com ela e conversar.
— Tomara que o professor daqui seja assim também, torne a didática mais leve - disse eu.
Grace olha para os lados, pra se certificar de que ninguém vai ouvir o que está prestes a falar e se aproxima de mim.
— Quando estava pra entrar na sala - confidencia ela - ouvi um comentário de que ele é maravilhoso. Em todos os sentidos - conclui ela com um sorriso de canto.
Eu franzo as sobrancelhas confusa, quando vou perguntar o que exatamente ela quis dizer, uma voz interrompe nossa conversa. Os alunos que estavam em pé ou em grupos tomam seus assentos e vejo de relance um homem pôr sua pasta em cima da mesa, na parte mais baixa da sala de aula que fica próxima ao quadro.
Ainda de costas, ele segura o piloto e escreve em uma elegante letra cursiva: Prof. Spencer Reid, Literatura 101.
— Quem se sentou obrigado, quem está de pé ou fora da sala, favor se acomodar. Vamos começar uma das melhores aulas dessa faculdade.
Alguns risos e sussurros quase inaudíveis de concordância e expectativa se seguem à sua introdução.
Professor Reid finalmente se vira para a frente. Com o rosto ainda abaixado, abre sua pasta e tira um tablet, uma caderneta, uma folha e começar a se apresentar:
— Eu sou o Professor Spencer Reid e estarei ensinando literatura 101 nesse semestre e 102 no próximo, para aqueles que passarem nos exames, é claro - ele levanta os olhos para se comunicar melhor com a turma quando termina de retirar seus pertences — é um prazer...
Faz uma pausa.
Seus olhos encontram os meus enquanto ele encarava seus novos alunos e uma pequena faísca de o que? Reconhecimento? Um brilho diferente passa nos seus olhos e tenho certeza que o mesmo atravessa os meus.
Sem chance, penso comigo mesma.
Mas aquele homem havia deixado uma impressão muito forte em mim com sua beleza e empatia ontem pra eu me esquecer dele.
Eu pisco algumas vezes e desvio o olhar, abro minha caderneta para anotar algo e ter um motivo para não encará-lo novamente.
— ... Um prazer conhecê-los - continua ele e começa a introduzir o primeiro assunto.
Eu tento me acalmar. Não é o fim do mundo seu professor ter te visto bêbada e vomitando, certo Anne?
Errado.
O assunto já começou e tudo o que penso é em como uma má primeira impressão pode afetar minhas notas e minha bolsa de estudos.
Se ele me der uma avaliação de que não tenho compromisso com a matéria e sou mais uma dessas estudantes que estão na faculdade pra farrear...
— Que gato hein - comenta Grace pra si mesma e me faz voltar a atenção á aula. Á ele.
Alguns tópicos já estão no quadro e o professor passa os olhos pela turma sem nenhum outro tipo de atenção especial a garota que está sentada na fileira do meio, vulgo eu.
Meu Deus, será que foi impressão minha e ele não me reconheceu?
— ...o comportamento e as circunstâncias que levam o ser humano a diferentes reações e sentimentos das que eles normalmente teriam. Vocês provavelmente deveriam anotar isso. Não que eu esteja afirmando mas... 90% dos professores mais inteligentes daqui usam parte dos pensamentos desse autor na prova inicial - diz ele com o balanço perfeito entre casualidade e narcisismo ao claramente se inserir nesses 90%.
A classe ri diante do seu charme natural, principalmente as mulheres.
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Meu perfeito oposto
Storie d'AmoreAnne se mudou para uma nova cidade após ganhar uma bolsa de estudos, mas enfrenta algumas dificuldades quando se vê atraída pelo seu professor de literatura, Spencer Reid. Enquanto Anne está quase falida e á procura de uma melhor condição de vida...
