Sinto sua falta

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Era o terceiro dia que estava na casa de Grace.
Ela voltou hoje de manhã pro dormitório e junto com o resto dos meus amigos, tem me passado os conteúdos das aulas que perdi.
Pego meu celular e releio as últimos mensagens que Reid me mandou:

"As camêras da sala estavam desativadas devido a algum problema e iriam ser trocadas esse fim de semana, por isso não vão ser de grande ajuda pra nós."

"Ele sabia sobre as câmeras, é organizado e cauteloso."

"Já conversei com o coordenador academico sobre nossa situação, ele é um antigo amigo meu. Não se preocupe, vou resolver com ele pra que você não saia prejudicada"

"Sinto sua falta."

Todas essas mensagens foram de ontem.
E eu não tinha respondido a nenhuma delas. Em parte porque ele não tinha feito perguntas, em parte porque não tinha nada a dizer. Eu só me sentia tão... cansada. Solto um longo suspiro e deixo o celular cair ao lado da minha cabeça. Ouço um " blip" e vejo a nova mensagem dele:
"Estou indo ai"
Eu levanto da cama tao rápido que sinto a minha pressão baixar.
Dois segundos depois, a campainha toca.
Corro pra porta e vejo pelo olho mágico Reid.

Lanço um olhar para o espelho que fica perto da porta e uma mulher de cabelo bagunçado, olheiras e pele pálida me encara de volta.
Não quero que ele me veja assim.
— Eu... vou me vestir, só um minuto - grito pra que ele me ouça.

Corro pro quarto, pego a primeira roupa de Grace que encontro e a visto. O vestido tubinho que fica solto nela fica quase a vácuo em mim. Eu me repreendi mentalmente por não ter ido pegar umas roupas no meu dormitório.. passo um pente no cabelo e quanto ao rosto... bem, não iria me maquiar então as olheiras e a pele pálida iriam continuar ali.
Corro novamente ao corredor e abro a porta:

— Hey... - diz Reid, sua aparência também não sendo das melhores.
Círculos cinzas se formam ao redor de seus olhos verdes que em um segundo estão no meu rosto, no outro descem para o o tubinho que estou vestindo.
Reid limpa a garganta e meche a cabeça, como se jogasse algum pensamento fora:
— Posso entrar?

Eu aceno que sim e deixo o caminho livre pra ele. Fecho a porta e vou em silêncio até a sala, com ele me seguindo logo atrás.
Eu me sento e olho pras minhas unhas, não sei como devo encara-lo no momento.
Um minuto,
dois,
cinco minutos de silêncio.

— Preciso saber o que você está pensando - ele finalmente diz.
— Você é um analista, não deveria saber? - as palavras saem mais frias da minha boca do que estavam em minha mente.
— Anne... - sua voz falha ao pronunciar meu nome e meu coração aperta. Não sei como dizer pra ele o que quero dizer. Nem sei se realmente quero dizer algo.
— Eu... só estou cansada Reid. Estou cansada de ficar com medo, estou cansada de ficar sempre procurando se alguém está me seguindo e estou cansada de... tentar fazer isso dar certo.
Ainda estou olhando pras minhas unhas enquanto falo. Sou covarde demais para encara-lo.
Ele não responde e me forço a olhá-lo.
Não consigo decifrá-lo. O que quer que esteja passando em sua mente agora, é um mistério pra mim.
— Agora sou eu quem quer saber o que está pensando.
Reid engole em seco e vejo suas sobrancelhas quase se unirem numa expressão de preocupação, de confusão.
— O que você quer Anne? Me diga o que quer que eu faça pra você parar de se sentir assim e eu farei.

O que eu queria? Eu queria ele.
Sem reservas, sem rótulos, sem medos.
Mas obviamente isso estava ficando cada vez mais difícil.
— Quero o mesmo que você - digo quase num sussurro - mas não acho que... não acho que podemos.
Um desespero toma conta de mim. Sei o que estou prestes a fazer e não quero deixar que minha mente tome o controle. Meu lado racional e emocional começam uma luta que faz minha mente ficar a mil por hora.
— Acho melhor você ir Reid - eu digo e começo a andar em passos rápidos à porta.
Não posso fazer mais isso. Ficar com ele, ficar sem ele. Tudo parece errado...

Em algum momento Reid se levantou da poltrona e me seguiu. Minha mão já está quase alcançando a maçaneta da porta quando sinto a mão dele parar a minha.
Reid a segura com força, não o bastante pra me machucar, mas apenas pra me conter.
Eu puxo a minha mão mas ele é firme e não me larga. Com a outra mão tento afasta-lo, mas não adianta.
Rapidamente ele consegue segurar ambas as minhas mãos, prendendo-as ao lado da minha cabeça na parede do corredor.
Eu ainda não o encaro, apenas tento puxar as minhas mãos das dele, mas sem sucesso, um som de frustração e quase choro escapam de meus lábios. O que eu tô fazendo??

— Pare de tentar fugir Anne, apenas pare - sua voz rouca envia calafrios pelo meu corpo.
Seu corpo está próximo ao meu e distante ao mesmo tempo.
Todo o meu lado racional me ordena que eu me afaste dele, mas o meu corpo que sente falta de seu calor, se nega a obedecer. Reid maneja segurar as minhas duas mãos apenas com uma dele e com a ponta dos dedos da outra, toca levemente meu rosto e a lateral do meu corpo.

Sinto meus sentidos começarem a me trair.
Reid aproxima os lábios dos meus ouvidos:
— Você sabe como isso funciona Anne. Se quiser, de verdade, que eu pare... eu paro. Só precisa me dizer.

Eu preciso me afastar dele.
Eu preciso dele.
Eu abro a boca pra falar algo, mas as palavras se negam a se formarem.
Meu cérebro decidiu parar de funcionar.
E antes que eu perceba, já desisti de lutar contra meu desejo.
A falta que senti dele nesses três dias em que estive longe ressurgiram como um tornado dentro de mim.
Não precisei falar mais nada.
O arco que meu corpo fez em direção ao dele , quando Reid começa a beijar meu pescoço me denunciou por completo.
Me sinto derreter quando ele beija e morde o ponto entre meu pescoço e minha clavícula. Sua mão livre passeia e brinca pelo meu corpo me puxando contra ele. Minhas mãos ainda estão presas acima da minha cabeça e tento puxá-las, mas seu aperto se intensifica. Reid volta a olhar para mim.
— Vai tentar fugir novamente?
Finalmente olho pra Reid e ele entende que nesse momento, ele tem total controle sobre mim.
Reid solta minhas mãos e eu as uso para segurar seu pescoço e seu rosto e finalmente trazer seus lábios aos meus.
Seu beijo, suas mãos, todo o seu corpo invadem meus sentidos e eu nem me lembro mais porque passei tanto tempo longe dele.
Algo nele era como uma droga pra mim. Quanto mais eu provava, mais eu queria.

Sinto que não há ar o suficiente. Preciso dele mais do que preciso do próprio oxigênio nesse momento.

Reid para.
Simplesmente para e então, afasta seus lábios de mim.
— Porque... - começo a perguntar confusa.

Spencer me beija novamente e morde meu lábio inferior com uma força que sei que vai deixar uma marca amanhã.
Ele ofega, lutando contra si mesmo. Suas mãos se fecham em punho na parede atrás de mim.
— Por que sei onde isso vai parar se continuarmos assim e não quero que nossa primeira vez seja no hall de entrada da casa de sua amiga Anne.
-ele diz parecendo que as palavras lhe pesavam uma tonelada.

Ouço um zunido e Spence pega o celular de seu bolso.
— Reid - diz ele limpando a garganta, mas sua voz ainda sai falha — entendo. Chego em 15 minutos.
Preocupação surge em seu semblante enquanto ele guarda o celular e se volta pra mim.

— Anne, Não tenha dúvidas de que eu quero isso tanto quanto você — afirma ele — na verdade até mais, mas não desse jeito. Você é especial demais pra mim. Sabe disso, não sabe?

Eu aceno que sim
— Preciso resolver algo agora. Assim que eu confirmar, ligo pra você e te conto tudo- ele me diz.
— Tudo bem.

Eu pude sentir o quanto ele ainda me desejava, mas o que disseram naquela ligação que o fez se preocupar tanto daquele jeito?
Spencer deixa um beijo demorado em minha testa e sem mais explicações, se despede.

Meu perfeito opostoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora