Capítulo 31

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Suas palavras ainda estão cravadas no meu peito, como uma faca afiada me dilacerando

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Suas palavras ainda estão cravadas no meu peito, como uma faca afiada me dilacerando. Mas eu ignoro, eu evito pensar nelas, pensar em como eu fui a causa da sua destruição,  como eu a manipule para a ter comigo. Mas minhas atitudes nunca foram puras em relação a Ravenna, meu amor nunca foi doce, bom, sempre foi doentio, possessivo, obscuro.

E eu faria qualquer coisa para tê-la,  passaria encima de qualquer coisa para tomá-la de volta. Se eu pudesse traria Sam de volta, mas não posso. Eu até gostava dela, mas ela que decidiu tirar a própria vida e eu não estava lá para impedir. A morte faz seu trabalho e não aceita que se metam e eu não me meto, exceto se ela tentar tirar a minha mulher de mim.

— Chegou — Xavier avisou assim que me viu atravessar a sala da mansão.

— Não, ainda estou fora — revirei os olhos.

— Mal humor hein — revirou os olhos também — Problemas no paraíso?

— Está tudo sob controle — ignoro o fato de Ravenna me odiar.

— Mesmo você sendo um demônio, você é meu melhor amigo. Sei que é ela — se referiu a causa de todas as minhas maldições, perdições e vícios.

— Ravenna está irredutível,  mas vai passar — digo convicto.

— Você está levando em conta o que ela sente?  Está dando o tempo que ela precisa? Você a sufoca,  a persegue, é difícil alguém ceder assim — disse como se aquilo fosse o óbvio.

— Isso só funciona em humanos — bufei

— E ela é! — me encarou novamente — Isso não é só sobre você. Você está a pressionando demais, exigindo que ela te aceite e ignorar o fato que você é um demônio que tem a alma dela.

A ideia de dar-lhe espaço para que ela pensasse melhor me sufocava. Eu não queria dar espaço, eu queria agarrá-la e dizer que é comigo que ela vai ficar.

— Então devo agir como um homem paciente com ela? Devo dar um pouco de espaço? — franzi a testa — Passei duzentos anos sem ela e mais cinco também,  preso e sem vê-la e quer que eu a dê espaço?

— E de novo está pensando só em você! — se levantou e veio até mim — Não é só teus sentimentos que contam aqui, os delas também. Se continuar agindo assim,  você nunca a terá de volta. Pode ter a alma dela, mas a Ravenna de verdade não.

Bateu no meu ombro e passou por mim. Eu odiava o fato dele tá certo. Mesmo a alma sendo dela, estava num corpo novo, que tinha outros pensamentos,  outra personalidade, não era como se fosse aquela Ravenna do passado que me aceitava desse jeito. Eu precisava mudar a tática se eu a quisesse comigo. Mas eu nunca desistiria dela, isso era impossível.

Entro na sala trancada a sete chaves onde é meu santuário.  Onde eu posso vê-la,  admirá-la tranquilo e em silêncio. A vários desenhos dela espalhados pelas paredes, eu sempre gostei de desenha-la de todo jeito possível apenas para olhá-la. A desenhos, fotos, tudo nessa sala é sobre ela, por isso é meu santuário. Tem seu cheiro, as flores que ela gosta e uma imensa pintura onde é o centro de tudo, onde Ravenna está nela.

TORMENTO †Histórias para pegar e não largar. Descubra agora