❌MONSTER ROMANCE ❌
Giulietta Caccino cresceu num lar extremamente religioso, onde tinha que seguir as regras a risca. Sem contato com as coisas mundanas, para não corrompe-la. Desde que nasceu teve como propósito em sua vida ser freira. E sua mãe se...
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O olhei incrédula pelas suas palavras, ele queria que eu enterrasse o Trent. Eu nunca tinha enterrado ninguém na minha vida.
- Eu não vou fazer isso! - protestei.
- Sim, vai! - determinou - Você vai enterrá-lo da sua vida!
- Você já o matou! - gritei.
- Não é o suficiente! - retrucou - Prefere que eu queime essa casa ou enterrá-lo?.
- Você é insano! - neguei com a cabeça.
- É, sou. E você também é Coelhinha. Me deixou te comer ao lado dele, sobre o sangue dele, não é mais certa que eu aqui! - jogou na cara e eu fechei os punhos.
Ele estava certo, eu não era mais certa que ele. Fodi com ele ao lado do cadáver morto de Trent, no seu sangue sem me importar, ele merecia pelo menos ser enterrado. No cemitério Perseus me deu uma pá para que eu o enterrasse
- Como sou muito generoso, a cova dele já estava aberta, então você só precisa jogá-lo aí e fechá-la - disse como se aquilo acontecesse todo dia.
- Que cavalheiro! - debochei - E você não vai ajudar?
- Não, você vai enterrá-lo sozinha - cruzou os braços.
Se encostou em uma lápide ali me encarando a começar. Apertei a pá em minhas mãos e a usei para me auxiliar a jogar aquele corpo na cova, onde tinha suas partes separadas. Nem um enterro digno ele teve. Porém eu fiz o sinal da cruz e rezei por sua alma. Afinal eu quase fui freira e aprendi a rezar pelos mortos.
- Não adianta rezar, a alma dele vai sofrer - disse com maldade.
Ignorei o que disse e comecei a enterra-lo, terra sobre terra, o silêncio reinava entre nós e apenas o barulho da pá, da terra, do cemitério a nossa volta faziam barulhos. Eu nunca me imaginei nessa situação. Enterrando alguém que vi morrer na minha frente, fui testemunha e se a polícia descobrisse eu estava ferrada.
Quem eu me tornei? Alguém tão ruim ao ponto de não ligar para a morte de Trent?. De não ter respeitado sua morte, seu sangue e ter trepado com o causador dela ao seu lado. E porra, eu deixei! Deixei que ele me possuísse porquê eu sou a porra de uma doente. Eu gostei da sensação de ter o sangue a minha volta, a situação e sou um monstro como ele.
Por isso ele é meu tormento, meu carma. Porque eu sou como ele e por isso eu o amo e o odeio ao mesmo tempo, por isso ele me persegue. Quando terminei de enterrá-lo eu estava cansada, suada e suja de terra misturado com sangue. Olhei para Perseus que olhava a cena toda com os olhos inteiros, brilhosos e vibrantes como se estivesse vendo algo magnífico.
- Você está tão linda assim - disse rouco - Suja de sangue e terra, enterrando alguém que eu matei. Perfeita!
- Eu sou um monstro como você - soltei a pá no chão - Te odiar, seria me odiar, eu sou igual a você, uma doente!