Pontes entre Agostos

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Quem sabe todos os oitos que vieram antes,
fossem presságios de um hoje destinado a acontecer

Quem sabe seja a simbologia do infinito,
tentando me dizer,
que eu não consigo do vazio correr

Oito agostos atrás,
eu sequer quis viver,
até que números primos
vieram me socorrer

Parece uma maldição,
mas quem sabe existam outras explicações,
do porque quando essa estação chega,
tudo é incolor, indolor, insípido
e sem amor

Há seis anos eu tive esse sentimento,
de que ficaria pra trás nos anos,
de que a vida é cinza,
e eu sou o preto sem o branco,
o hoje sem o amanhã,
o fim sem um inicio,
um rabisco sem significado
uma arte de inteligência artificial,

o pedaço de algo,
mas nunca um inteiro,
sempre a metade
de um dois.

Hoje tenho esse sentimento peculiar de que
vivo nos seios do passado,
e não existe um lugar para mim,
mas marcho para o nove,
mesmo assim.

Tudo é literal
quando a vontade se esvai,
e as vezes verso sobre nada,
quando ritmos possuem fim,
as vezes tenho a impressão
de que, quem sabe,
a vida seja um poema
sem pontos

e sem mim

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