Foi um pesadelo para Samuel ser levado para o carro de polícia, junto com Paul, e Rose, toda a cena acompanhada pelas televisões de todo o país que mostrava o banqueiro rendido, o homem mais novo cético, e a mulher desesperada.
Para Samuel a situação era desconfortante... a falta de espaço... o local que ele jamais pensou que entraria na vida... pelo menos não como acusado! E o pior é que ele sabia de sua culpa! E olhar para seu motorista... tinha a sensação de que aquela não era a primeira vez que o homem entrava num lugar como aquele, principalmente quanto o carro partiu e ele pareceu saber firma-se dentro daquele lugar, em movimento.
Alguns minutos depois eles chegavam a um prédio da polícia... mais gritos por pedido de justiça pelos que tinham perdido dinheiro no banco dele... "lugar de banqueiro ladrão é na cadeia!".
Ergueu os olhos enquanto lhe falavam seus direitos como preso... as coisas foram acontecendo em câmera lenta e quanto ele menos esperou entrava no prédio, tirava fotos, era examinado... era fichado... era trancafiado! Era um bandido!
Aquilo era o que ele mais temia. Ficar preso! E o pior era que... olhou para trás, procurando Paul e arregalou os olhos ao ver o homem andando tenso ao lado de Rose... conseguiu lhe balbuciar um "me desculpe!"...
Paul só trabalhava com ele. Nunca havia tudo regalias na vida, como ele! Tinha de dar um jeito de ajudar o homem!
- Vai, entre aí, doutor! – um policial disse e ele entrou, porta de aço se fechando atras de suas costas, o ruido do trinco no ferrolho parecendo firmar seu destino.
Engolindo em seco, Samuel olhou para os lados!
Aquilo ali era menor do que o closet de Umah! A minúscula cama dura... o banheiro, um minúsculo armarinho com alguns objetos... escova de dentes, creme dental, um pente, um sabonete em barra... sem cheiro algum!
Um transe tomou conta dele quando começou a ouvir os ruídos vizinhos... pessoas que sabiam que ele havia chegado e o ofendiam! O barulho do lado de fora de pessoas que se diziam prejudicadas pelas ações do banco dele!
E agora? Quem será que o havia traído, para que ele estivesse ali? Deus do céu...
Em desespero, Samuel viu-se chorando de remorso... e viu-se pedindo perdão a Deus... não havia sido essa a sugestão do padre? E será que ele ainda merecia tal consideração, depois de tudo o que fizera... Camile, Andie, Umah, Cole, Hillary, e agora Rose e Paul!
Todos eles, avião pago, de uma forma ou de outra, por seus pecados e suas mentiras. Na primeira traição, foi por parte dele para com sua falecida e bela mulher, que ele sabia que amava outro! Fora injusto ao comprar seu amor em um momento de desespero!
Ela havia tido um filho antes de Andie! Um filho do qual fora separada!
Querendo o valor que havia pagado por Camille, a torturou mentalmente... a traiu, quando começou a ir para cama com Umah!
As tristezas a levaram à morte! Tiraram o brilho de uma mulher incrível... que ele simplesmente não permitiu viver!
Então depois de sua morte, legou o destino à filha Andie... tão parecida com Camille! Ele traiu a filha com uma vida colorida, estável... cheia de mentiras, deixando que se aproximasse de Cole... e agora Marco LeBlanc!
Armas, drogas, desvios de rendas de correntistas do banco... a bancarrota! Uma bola de neves que começou há mais de vinte anos, enfim chegava à sua porta!
- Prisioneiro Foster ... – a voz do carcereiro bateu em sua cela com cacheado - hora do interrogatório.
Samuel percebeu-se em pé, sem noção do tempo que vida passar ante seus olhos!
A porta foi aberta e ele deu de cara com um homem corpulento e aparentemente mal-humorado.
- Vai me levar para onde? – perguntou tenso estendendo as mãos para que o homem lhe pusesse as algemas.
O homem o olhou com um desprezo que ele nunca notou em qualquer pessoa com quem tivesse lidado. As coisas haviam, mesmo, mudado!
- Olhe, o que eu mais queria era te jogar lá fora para quê você se entendesse com povo que você roubou. Mas não, não é isso que eu vou fazer... o capitão quer outra coisa. - ele o puxou para fora e fechou a cela com um empurrão.
- Mas o que você vai fazer comigo? - Samuel estava assustado.
- Sem conversa, velho! Agora caminhe! - o homem disse então apontou para frente com a cabeça, evitando tocar qualquer parte do corpo de Samuel, que percorreu o corredor e escadas, dois andares acima de onde estivera.
O local era escuro e frio, apesar da rigorosa limpeza, tal qual o corredor por onde ele acabara de passar. Olhou para frente e se sentiu em um daqueles filmes policiais onde o criminoso ficava de frente para uma pequena mesa algemado a um cano, de frente para um imenso espelho de vidro escuro... provavelmente uma janela e possibilitava a visão de todos do outro lado.
- Pode ficar aí. Daqui a pouco virão conversar com você. - disse o policial com desprezo, Samuel pensando que até pouco tempo atrás era tratado com distinção... distinção e cortesia dados a um banqueiro!
Engolindo em seco, ele sentou-se e se deixou ser algemado à mesa. Então, assim que o policial saiu três pessoas entraram na sala: a primeira era Paul, a segunda era Rose e a terceira um homem, que Samuel identificou como sendo o tal capitão Walmar, do FBI!
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Marquesa
RomanceAndie Marquis Foster. O nome grande para uma jovem de dezoito anos que vestia-se para o seu prematuro casamento, enquanto olhava para a foto da falecida mãe. Terna, selvagem... Eram tantas as descrições atribuídas que ela desejava saber o motivo do...
