Logo que entrou em seu quarto, And trancou a porta e olhou à sua volta. A imensa e confortável cama como suas colchas, almofadas e edredons. Sua escrivaninha, onde estudava... a porta que ia para seu closet... sabia muito bem o que tinha ali... seus armários com as melhores roupas para vários ambientes: a igreja aonde ia com a família... sapatos... saltos altos e médios... assim como as sandálias.
Seus casacos para dias e locais mais frios, os mais frescos... seus vestidos... a visão voltou para a cama novamente... aproximou-se e subiu ali, deixando os sapatos caírem no chão carpetado.
Arrastou-se até a cabeceira onde escolheu uma das almofadas... a abraçou forte... a visão foi para os livros que precisava ler mas naquele momento o que precisava era...
Por sua mente veio aqueles olhos cinzentos!
Lion Ficher, ele disse! Seu nome era Lion... piscou e não conseguiu não evitar aspirar e lembrar-se do cheiro da pele dele... como que entrando por seus poros!
Deitou-se entre os travesseiros.... não tinha a mínima vontade de pegar algum livro! Mas seu tom de voz...
"Carona?"
Ele havia perguntado.
E sua expressão quando a percebeu arrepiada...
E o carinho com o cachorro...
Sua proteção... queria que o animalzinho se comportasse... e o protegesse... ela ergueu-se na cama, sem conseguir esconder o sorriso dos lábios.
seu tom de voz... o meio sorriso nos lábios...
"Por que você não gosta de nadar?"
Seus belos olhos cinzentos, o sorriso e a jovialidade... a fizeram sentir... despertou uma vontade de viver sua vida como queria.
Uma angústia tomou conta de seu peito. Sabia que tinha toda a vida pela frente... o mundo todo para desfrutar e conhecer... mas... não podia!
Tinha dezessete anos!
Tinha que ter direito. Então, novamente, como que tomada de um ímpeto, pegou o telefone do quarto e discou os números que ele anotara no papelzinho... tinha guardado na mente...
Algo pressionou seu peito, enchendo-a de medo e o mesmo ímpeto que a fez ligar a fez colocar o telefone no gancho.
Aqueles arroubos...
Sentou-se na cama e começou a desfazer a longa trança. Pegou uma escova e do espelho observou-se. Era uma garota simples, sem maiores atrativos. E aquela camisa... e a saia...
- Poxa vida, mãe! Por que não me levou com você? - lamentou-se. Talvez em outra vida ela poderia ter um pouco mais de liberdade de escolha.
Olhou para o lado e viu uma foto sua com o pai.
- Não... papai ficaria muito triste! Ainda mais porque Umah e eles não terão filhos... ele só tem a mim! - então ela deixou-se cair na cama, de novo, vencida por sua consciência.
Presa!
* * *
Umah Singer parecia indignada.
- Mas isso é o cúmulo, Samuel! - exclamou a mulher loira, os braços para cima - Ela pega uma carona com um estranho e você fica nessa calmaria?
Sam colocou seus óculos e analisou uns documentos que tinha em mãos. Assinou alguns, recusou outros... E então retirou os óculos de novo.
- Umah! Querida... And não está fazendo nada de errado. Ela só pediu uma carona...
- E você não percebe? Ela é igual à mãe dela! Aquela Marquis dos infernos!
Samuel cerrou os dentes e deixou os óculos de lado, irritado.
Levantou-se da poltrona.
- E O QUE QUER QUE EU FAÇA? – a voz saiu exaltada, ele agora esmurrando a mesa, uma ou outra coisa saindo do lugar.
- Não pode permitir que ela faça isso de novo! – Umah deu a volta na mesa, parando ao lado dele, de onde podia ver a foto da jovem ruiva que de olhos elétricos que lembrava muito Andie.
Todos sabiam ser a primeira mulher do banqueiro, falecida há mais de dez anos.
- E o que quer que eu faça? Daqui a pouco ela terá dezoito anos, vai se casar! Meu trabalho está quase terminado!
- Então está preparando uma cilada para o meu irmão?
Samuel franziu o cenho de forma quase irritada.
- Eles são noivos há anos! Desde que ela tinha treze anos!
Umah se aproximou mais com as mãos na cintura.
- Pois acho que temos que evitar que ela se exponha a esses indivíduos de novo! Nem sequer disse quem era a pessoa que deu a tal carona!
Samuel suspirou, engolindo uma golfada de raiva.
- ...um carro... dinheiro! Temos que dar um jeito para que não fique pegando essas caronas, novamente!
Samuel soltou uma gargalhada.
- Pois carro e dinheiro não lhe darão mais liberdade?
- Ela é como aquela mulher...
- Cale-se! – Samuel aproximou-se, pegando-a pelo queixo com força – Não repita que ela é parecida com "ela"! - ele vociferou baixo.
Umah aproximou o rosto do dele.
- Pois se sua filhinha deixar meu irmão, eu largo você, entendeu, Samuel Foster? - ela rebateu e o fitou - Eu largo você, me entendeu? - então saiu, pisando duro.
- Droga! - chingou Sam.
Depois tocou a campainha, chamando a criada - Hilary!!! - chamou e em minutos a governanta da casa apareceu.
- Senhor?
Sam levantou-se, rodando uma caneta dourada nos dedos, estantes às suas costas.
Então ergueu-se da poltrona e deu a volta na mesa, encostando-se ali.
- Bem... eu estou pensando em dar um carro para And! O que acha?
Hillary raspou a garganta, nervosamente. Sabia que apesar de ter uma nova esposa, há dez anos, o patrão sempre recorria a ela quando queria conselhos importantes.
- Bom, eu acho que... um carro daria mesmo, mais liberdade para a menina. E ela precisa de um, já que é sua filha... e que as meninas da idade e posição social têm um.
Samuel mordeu os maxilares olhando para um nada.
- E com um carro, com dinheiro... pode mapear onde ela está! Uma liberdade que vale a pena!
Samuel assentiu.
Uma carona! Ele ainda sentia a sensação parada no peito ao se lembrar da imagem da filha saltando daquele jipe... sua memória...
- ... continuará pedindo carona!
- Isso mesmo. Se me permite, senhor, eu... sugeriria que um... cartão de crédito seria melhor. E o motorista até que ela possa ter o seu próprio...
- Hum... - Sam suspirou.
A vigiaria bem mais de perto sabendo o que consumia! Onde ia... e um cartão de crédito... ela, para a sorte dele, era uma menina contida... calma... não custaria muito!
Ergueu os olhos para ela.
- Obrigado. – disse e com um aceno a mulher girou-se nos calcanhares e retirou-se.
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Marquesa
RomanceAndie Marquis Foster. O nome grande para uma jovem de dezoito anos que vestia-se para o seu prematuro casamento, enquanto olhava para a foto da falecida mãe. Terna, selvagem... Eram tantas as descrições atribuídas que ela desejava saber o motivo do...
