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And caminhava pela praia sob aquele sol. Estava calor e uma leve brisa acariciava lhe os cabelos e a pele.

Seguida por Malcolm, não conseguia pensar em como sua vida mudara. Em minuto estava com toda a família unida... no outro nada... ninguém ou qualquer coisa que lhe era familiar.

Mas era começava a viver sua vida, como ela queria e não como haviam planejado outras pessoas.

Estava assim... distraída quando ouviu o barulho de um carro ao longe. A polícia? Seu coração pulou e ela olhou para os lados pensando onde poderia se esconder, quando avistou uma mulher... deveria ter mais de quarenta anos... menos que cinquenta... cabelos escuros, olhos acinzentados... e vinha elegante... tipo executivo... nenhum fio de cabelos fora do lugar... uma posição meio enérgica.

A vira uma vez em Houston... a mãe de Lion, Courtney Foreinger.

Sua sogra... ela engoliu em seco.

Arrumando coragem para sair de seu esconderijo, apareceu, o rosto queimando ante a lembrança pelo que fizera na última vez que se encontraram.

Court observou-a, com a mesma surpresa da primeira vez. Ela era simplesmente linda... parecida demais com a falecida... aquela que um dia deixara todos loucos, inclusive seu marido, o pai de Lion.

- Andie. – disse quando se aproximou mais.

Como odiara aquela cadela!

- Senhora Fisher. – ela disse forçando um sorriso.

A princípio a mulher mais velha sentira uma raiva tão grande por ela... como ousara chamá-la de senhora Fisher quando ela era a culpada por...

Suspirou... não ela. Outra, muito parecida com ela.

- Foreinger. Quando meu marido morreu, já éramos separados e eu levava o nome de solteira. –disse ela, calmamente.

And engoliu em seco, os olhos arregalados. Droga, por que sempre fazia tudo errado perto dela?

- Perdão, eu...

- Tudo bem.

Ela ficara sem mãe quando a outra se fora com Gus, da mesma forma que ela ficara sem marido. Talvez também fosse uma vítima daqueles dois. A fitou, espantada... era como reabrir feridas que há muito ela pensava estarem cicatrizadas.

- Bom, menina, eu, na verdade, não vim aqui para falar do fiasco que foi o meu casamento por causa de uma m... moça irresponsável, e sim para falar da única coisa que tenho e que mais amo no mundo.

And assentiu um tanto assustada com a direta dela. Na verdade, também tinha muito a fazer e a falar com ela.

- Eu... – ela suspirou – acho que não começamos bem... gostaria que me perdoasse por aquilo. Eu estava... – ela trançou os dedos uns nos outros, sem pensar o que aquilo a fazia lembrar na outra – com alguns problemas com minha madrasta e... meu pai e Cole... eles... me fizeram acreditar que o Lion era um. – a fitou – Não teria problema se... – ela queria arrumar as palavras para dizer que não se importaria com Lion, fosse ele como e quem fosse, mas não sabia como.

Court a observou. Ela podia ver que sim. Ela gostava do rapaz...

A vida não fora justa com ela, amando um homem que amava outra, mas pelo jeito com aquele casal as coisas estavam meio alinhadas.

- Eu entendo. – disse – Você ama meu filho e não vai abandoná-lo caso descubra que ele não é um príncipe da alta-sociedade, não é?

Andie engoliu em seco.

- Provavelmente não. Não estou em condições de julgar o que quer que seja. – ela disse com tristeza.

- E seus pais? Samuel... Umah... seu noivo... Cole... você não sabe onde eles estão?

A menina olhou para os lados, as lagrimas vindo aos olhos.

- Saí de casa ontem à noite. Eu... papai queria que me casasse com Cole, ontem a noite para que fugíssemos para a Europa mas eu não quis. Me escondi no meu quarto, mas o nosso... bom... o motorista do meu pai, Paul, me aconselhou a fugir. Foi quando começou aquele tiroteio...

A mulher viu o horror nos olhos da menina que pelo jeito havia perdido a inocência de uma vida segura. A mulher semicerrou os olhos, prestando mais atenção na história. Mas consternou-se ante as lagrimas da menina.

- ...sei que meu pai é um... não posso ficar contra ela. Não quero vê-lo morto... é o pai que Deus me deu...

Court segurou-lhe as mãos.

Apesar de tudo, ela tinha um serviço a fazer.

- E você não teve mais contato com eles? Será que ficaram bem?

- Não sei... – a menina sentiu as lagrimas embaçarem-lhe a vista – Parece mentira, mas eu não sei o que acontecia entre eles... tudo o que sei ouvi aqui e ali... pedaços de conversas que me permitiram ouvir. Não sei se eram bandidos, ou a polícia...

- Bandidos? Mas isso é perigoso... quem quer que seja, não pode ser boa pessoa se acaba com a casa de alguém a tiros.

And enxugou os olhos com as costas da mão.

- Eu entendo. Mas você sabe que se quiser ficar fora do assunto todo, tem que deixá-los, não é? Caso contrário, também será presa por cumplicidade. Está mais que na hora de resolver sua vida sem eles. Já falou com suas tias?

- Tias...? Eu... – Andie a fitou de forma... – Como...?

- Lion me contou que encontrou a família da sua mãe aqui. – Court disse ainda a fitando nos olhos.

A jovem assentiu.

- Mais tarde eu pretendia ligar avisando onde eu estava. – ela suspirou e então olhou um meio sorriso nos olhos da mulher, tão parecidos com os de Lion.

- Seremos uma família, então! – era mais uma constatação que uma pergunta.

And assentiu emocionada. Pelo jeito sim.

- Bom.... venha comigo... se quiser pode ligar para elas do meu carro. Podemos jantar, nos conhecer melhor... juntar o que sobrou dessa bagunça toda.

Ela sorriu e quando fez contato com a tia Gwen, percebeu como haviam se preocupado com ela, aliviadas então por saber que estava bem, enquanto a imprensa começava a vasculhar, a fundo, a história da família de um dos maiores banqueiros de Houston, que dera um rombo nas contas de várias pessoas.

"...meu Deus, Andie... e como você está? Presa? Machucada?", a tia perguntou do outro lado, enquanto parecia conter alguém que queria falar: "espere... não está vendo que estou vendo como ela está? Não se preocupe... ela parece bem... disse que não está ferida"!

- Eu estou bem, tia. Fugi ontem a noite... bem no meio daquela confusão. Acho que está na hora de assumir minha própria vida, agora, não é?

- COMo assim? Com quem? – a tia Gwen começou gritando e aos poucos foi abaixando o tom de voz - Do que você está falando, menina... somos sua família. Você tem que ficar conosco... não tem por que ficar sozinha por aí.

- Verdade... – outra voz tomou o telefone e pareceu acontecer uma pequena confusão do outro lado – deixa eu falar com ela. É minha sobrinha também... And... você está bem? Precisa de alguma coisa? Dinheiro... uma cama... meu Deus, menina... não se perca de nós, de novo!

And sorriu.

- Tia... eu juro que estou e que ficarei bem. Estou me ajeitando... vou aparecer por aí, até porque quero que conheçam uma pessoa que é muito importante para mim.

- O carinha de quem falou? – agora era uma prima que tomara o telefone - ...espere aí, mãe!

And sorriu de novo, Court vendo como ela parecia reviver quando citava Lion.

- Sim... – a prima sugeriu um encontro, num local que And não sabia onde então tapou o bocal do telefone – a senhora conhece esse endereço?

Court assentiu, parecendo super atenciosa com ela.

O lugar era perfeito.

- Então estaremos aí. – disse Andie sorrindo para a sogra.

MarquesaOnde histórias criam vida. Descubra agora