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- Oh-oh... - disse Roger.

Então And os viu de frente. Incrivelmente parecidos, olhos negros, a pele de um moreno latino.

- Olá... sou Gislene Costello. Mas pode me chamar de Genny mesmo. - disse a garota abrindo um largo sorriso - esse é o meu pai. - tocou no ombro do homem que sorriu - Roger Costello. Não ligue para as coisas que ele diz não.

And sorriu cumprimentando a prima. Tinha uma prima!

Era um tipo gótico, bonito, também possuía tatuagens e piercings pelo corpo.

- Bobagem... - disse And e estendeu a mão - Sou Andie Marques... Foster... mas pode me chamar de And...

O homem pegou em sua mão, apertando-a com confiança. Em seus olhos negros And percebeu um brilho de contentamento. Era como se ele tivesse descoberto algo superimportante.

- Prazer... - disse ele.

- Bem... nós trouxemos And aqui porque hoje é o aniversário dela. Está completando dezoito anos e estava comendo hot dog e refrigerante sozinha, no Chandler quando encontrou a Gwen.

- Ah... é uma longa história, pelo jeito! - indagou Genny sorridente.

- Mais ou menos... - disse Gwen.

- Mais ou menos. - disse a mulher.

- Bem... feliz aniversário então, prima...

And assentiu o calor e o cheiro de tabaco que exalava da prima e soltou um gemido de dor quando ela tocou suas costas.

- Oh meu Deus... - disse Gwen sem jeito olhando-a com pesar - você está machucada onde?

- Não é machucado, não... eu fiz umas tatuagens novas e ainda está um pouco incômodo.

Roger ergueu as mãos.

- Mas será possível que essa juventude não pensa em outra coisa? Esses brincos pelo corpo, esse monte de desenhos espalhados pela pele...

Gwen e Betty soltaram uma gargalhada.

- Vamos para sala... - Betty puxou o marido pela gola da blusa e foi para a sala sendo seguida por Gwen e logo após as primas.

Nas conversas, And descobriu que a prima tinha vinte e um anos, cursava jornalismo na Califórnia.

- Nossa... deve ser maravilhosamente bom estudar ali, não é? - observou And com o pensamento perdido no que poderia ser sua família se seu pai não fosse tão errôneo.

- E... é viu... é maravilhoso... eu nem acreditei quando o meu pai disse que poderia me conseguir uma bolsa lá, caso quisesse... - Genny tinha os olhos brilhando enquanto olhava pela janela da cozinha os braços no peito.

- Eu gostaria que minha vida fosse assim, também... gostaria de prestar uma faculdade... de ter pai, mãe... - Genny percebeu que a prima era carente e sofria com tudo o que acontecia em sua vida.

- E... você não pode por quê? - indagou fitando-a olhos nos olhos.

Em seu costumeiro hábito And afastou uma mecha dos cabelos para trás da orelha onde pendurava uma argola prateada.

- Tudo isto que está acontecendo com a minha vida! - respondeu ela com um suspiro - aposto que todos estão pensando que somos ladrões lavadores...

- E são?

- Não, mas...

- Então... você não deve dar ouvidos a nada disso... imagine que o meu pai quando conseguiu a bolsa para mim... a vizinhança ficou louca... todos falando uma porção de coisas... um maluco disse que ele era um traficante, contrabandista... mafioso... só porque ajudou uns caras que ele nem conhece... meu pai é somente um ótimo vendedor de computadores... - então Genny olhou pela janela da casa, o vidro decorado comum a cortina de babados e desenhos de frutas, um pequeno cachorro caminhando pelos fundos da casa enquanto cheirava o chão - Que lindão...

MarquesaOnde histórias criam vida. Descubra agora