Andie raspou a garganta e o fitou.
- O que te impede? – ele refez a pergunta e ela deu de ombros.
- Não tenho mãe e... – não era de todo mentira – Minha mãe morreu há muitos anos... quase não a conheci. Na maioria do tempo, sempre fomos eu e meu pai.
Olhou para o nada e quanto o fitou segurou a respiração ao perceber que ele a fitava com uma intensidade... molhou os lábios com a língua e deu de ombros.
- Bom, o fato de ter que deixar meu pai sozinho... acho que o assustaria um pouco.
Lion assentiu e voltou a dirigir, ela começando a ver se aproximar os arredores de onde morava.
- Hum... sinto pela sua mãe. Sei bem o que é isso. - Lion lamentou, o olhar triste.
- Não tem mãe? - ela indagou e ele a fitou, ela então percebendo olhos cinzentos fabulosos.
- Não tenho pai. Ele morreu quando eu tinha sete anos.
- Minha mãe quando eu tinha cinco. Doze anos atrás...
- Então agora tem dezessete?
- Sim. – ela sorriu sem mostrar os dentes.
Lion sorriu e voltou a dirigir quando ouviu as buzinas e percebeu que semáforo já liberava a passagem deles, há algum tempo.
- Então acho que nossos pais morreram no mesmo ano.
Foi então que ouviram um chorinho no banco de trás do jipe. Andie virou-se e viu uma jaula onde tinha um pequeno cachorrinho preto, ao lado de uma mochila que tinha o mesmo símbolo do agasalho dele.
Abriu a gaiola e pegou o cachorrinho.
- Meu Deus! Que fofura! - disse erguendo enquanto os olhos âmbar a fitavam carinhosos.
- Estou treinando-o para que possa andar comigo sem aprontar.
- E te proteger. - completou ela colocando-o no colo.
- Sim... e também vou ensiná-lo a nadar.
Ela não pode deixar de ver mãos grandes... e o couro cabeludo... os cabelos que lembravam uma escova macia. Pensou se... os olhos se encontraram as mãos se tocaram quando ele se aproximou para afagar a cabecinha do cachorro.
Andie arrepiou-se toda e fez uma careta, continuando a carícia no pequeno animal que se arrodilhou no colo dela, a calda balançando devagar.
- O que foi isso? – ele sorriu e ela viu o sorriso mais lindo do mundo. Olhou para o lado, ignorando o que sentia...
Ele poderia pensar que... Andie fez uma careta e olhou a rua, carros parados ao lado do jipe.
- Bem, é que... eu não tenho uma experiência boa com água... - disse voltando o pensamento para tempos atrás - quase me afoguei quando tinha seis anos... – ela escondeu uma risada meio nervosa no medo que ainda sentia - Meu pai nunca mais deixou que entrasse em uma piscina de novo.
Arqueou as sobrancelhas.
Lion deu uma gargalhada.
- Que isso! Mas que bobagem! - disse Lion - E se você cai na água um dia?
A adolescente arrepiou-se de novo e então sorriu, nervosa.
- Sério, Andie... Você tem que aprender. Não pode...
- Ei... Não me deseje mal! - ela o fitou com um meio sorriso.
And ficou séria, dessa vez.
- Eu sei! Mas tenho... pânico! E não tenho quem possa me ensinar!
- Bom... Se quiser te ensino. – ele de ombros, no mesmo instante em que o jipe parou em frente ao prédio onde a adolescente morava.
Novamente, de forma impetuosa ela sorriu, dessa vez tirando o fôlego dele ao sorrir.
- Tudo bem, aceito. - disse ela e virou-se para colocar o cachorrinho de volta à gaiola, no banco se trás.
Quando voltou para frente, não percebeu o quão perto estava seu rosto... os rostos se tocaram...
- Desculpe. – ele murmurou quase ofegante e e olhou para frente, com um meio sorriso.
Andie engoliu em seco sentindo-se acanhada e...
Algo pesado...
Algo...
Lion pegou uma caderneta no porta luvas e anotou um número, rapidamente.
- Me ligue e marcamos o dia e como! - disse entregando-lhe o papel.
And pegou e desceu do jipe, rapidamente.
- Muito obrigada. Até...
- Até! - disse Lion e partiu.
* * *
Andie praticamente entrou correndo no prédio, passando quase sem cumprimentar o porteiro. Em sua mente estava vívido tudo o que ela sentira naquela tarde. Era como...
Não conseguia explicar... não... parou inquieta quando se sentiu observada por uns e outros. Sempre acostumada a conter-se o que conseguiu foi olhar para o chão, os sapatos de salto médio cor bege...
Entrou no elevador e então viu-se.
A saia na altura dos joelhos, cor creme... a bata branca de renda, gola alta, botões perolados... os cabelos presos em um rabo de cavalo...
Brincos discretos como toda ela... passou a mão pelos cabelos. Fora aqueles cabelos flamejantes, pouca coisa chamava atenção em sua aparência. Na verdade, quase sempre era... insossa... era...
O teto do elevador pareceu cair em sua cabeça quando a porta se abriu e ela praticamente fugiu de si mesma. O que estava pensando?
Que...
- Quem era naquele jipe que te trouxe para casa? – a pergunta veio do pai, a fixando no chão logo que abriu a porta e entrou em casa.
- Um rapaz que conheci no clube. É instrutor de natação. - And respondeu, com um sorriso seco para o pai.
- Natação? Mas você sabe que eu não quero te ver falando de natação, Andie! – a irritação aflorou no pai que se exaltou do nada.
Andie suspirou e sentindo-se elétrica e surpreendentemente irritada, o fitou.
- Eu sei, papai! - disse ríspida.
O homem ergueu o rosto atento. Às vezes acontecia aquilo. E ele sabia que a solução era não fazer nada. conhecia... sua mente pareceu voltar no tempo...
- ...licença vou para meu quarto. Estou com sono e quero dormir para estudar para as aulas que retornarão.
Dessa forma, fugiu para o lugar que mais sentia-se segura por ali: seu quarto!
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Marquesa
RomanceAndie Marquis Foster. O nome grande para uma jovem de dezoito anos que vestia-se para o seu prematuro casamento, enquanto olhava para a foto da falecida mãe. Terna, selvagem... Eram tantas as descrições atribuídas que ela desejava saber o motivo do...
