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- Santo Deus! - Gwen exclamou colocando a mão na boca, quase se engasgando com o suco.

Percebendo o nervosismo das duas, And lhes contou tudo o que acontecera com aquele lado da família que elas haviam procurado esquecer desde a morte da irmã.

E já era tarde quando elas terminaram de conversar. Era quase noite e elas nem haviam percebido.

- Pois é... e agora eu não sei o chilique que minha madrasta vai ter quando descobrir que eu fiz as tatuagens e coloquei as joias...

- Ela nem tem moral para te condenar... - disse Betty direta como sempre.
- Eu concordo com a Betty, And. - disse a outra tia - Desculpe-me, mas a Umah é uma hipócrita.

- Verdade... - And estava agradecida por aquele dia. Mas já era hora de partir - Bom... tenho que ir. Meu pai pode estar preocupado e...

- Nada disso. - cortou Betty levantando-se no mesmo instante que ela - Você está completando dezoito anos hoje e praticamente não está curtindo como se deve.
And balançou a cabeça sem nada entender.

- Ora... vamos à minha casa. Eu quero que você conheça o resto da família. Eles, assim como eu, têm um péssimo conceito sobre a sua pessoa e você deve corrigir isso.

And assentiu, como um meio sorriso. Ela era daquela forma e pronto.

- Se eu chegar muito tarde...

- Não se preocupe. - cortou Gwen - Nós a levaremos para casa.

- Está bem, então... - disse And concordando. Afinal elas eram suas tias.

A casa de Betty era em um estilo europeu, possuindo varandas, três andares, o mais alto deles lembrando uma casinha de bonecas. De frente dois estavam carros estacionados, um deles um belo conversível dava alguma informação sobre o poder aquisitivo daquela família.

- Tia Betty... mas sua casa é realmente muito linda. – elogiou a garota impressionada. Ali possivelmente viveria uma família super feliz e unida.

Tudo o que ela não tinha naquele momento. Tudo o que ela provavelmente nunca havia tido. Para a entrada pela porta principal, uma estradinha de pedras.

- Ora... que bobagem... aposto que sua casa era um luxo em Houston. – disse a mulher saltando do carro de quatro portas enquanto as duas faziam o mesmo.

And assentiu lembrando-se de seu belo quarto cor-de-rosa. Parecia um sonho mas todo sonho terminava com o raiar do dia ou estalar dos dedos.

- É... nosso apartamento era legal! M as eu trocaria por um pouquinho de paz.

Gwen abraçou a sobrinha que caminhava atrás da tia betty puxando o cachorro pela coleira.

- Não fique assim. Um dia quando você tiver sua família será feliz e dará boas gargalhadas com eles. Terá um marido de verdade.

And assentiu e uma dor invadiu seu peito quando se lembrou de Lion.

- É... tomara que assim seja! – disse.

A casa de Betty era incrível por dentro. Tudo decorado com esmero e requinte. Belos moveis, cores vivas e harmoniosas.

And viu-a entrar direto quando se despia do casaco.

- Genny... Roger... – chamou – Ah... eles devem ter saído.

And ficou imaginando quem deveria ser aquelas pessoas, de modo que a tia explicou.

- Roger é meu cunhado... seu tio... Genny é sua prima.

- And, você quer que eu leve seu cachorro para o fundo enquanto preparam algo para comer?

- Bem... pode levar, mas acho que quanto a comida estou satisfeita... – disse sentando-se em uma cadeira da cozinha decorada modernamente. Não se assemelhava à de sua casa em Houston, mas era bastante aconchegante e bonita.

- Não me venha com essa. Hoje é o seu aniversário. Você tem o direito de se divertir com pelo menos a parte da família que pri... que não conhecia. – disse Betty abrindo os armários – Gwen, venha aqui e me ajude a preparar algo para And... ela tem que saber porque gostam tanto dos nossos lanches...

- É... o que você tem em mente? – perguntou Gwen arregaçando as mangas da camisa que usava.

- Hã... aquele prato, sabe? Os três... – respondeu ela.

- Certo. And, você quer nos ajudar?

And arregalou os olhos, assustada.

- Ajudar... o meu Deus... mas eu nunca cozinhei em toda a minha vida. – disse embaraçada.

- Uma vez é a primeira...pegue um avental ali atrás da porta. – ordenou Betty autoritária.

And foi seguindo as instruções das tias e em poucos minutos aprendeu como se cortava um frango em bifes, como se sovava massa de pão entre ouras coisas. Ao final de uma hora, colocaram um bolo no forno junto com pãezinhos de cebola e uma travessa de frango no forno enquanto no fogão aprendeu a fazer arroz com especiarias.

- Meu Deus... isto é uma delícia... – disse And saboreando um pedaço do frango empanado e frito.

- É... nós sabemos que sim... – disse Betty nada modesta sentindo o cheiro espalhar-se por toda a cozinha e consequentemente toda a casa.

De repente ouviram vozes e barulho de porta sendo aberta. And ficou na espreita perguntando-se quem seriam.

- Mamãe... – ouviu uma voz de garota – o cheiro está ótimo... para que tanta comemoração?

A seguir a voz grave de um o homem.

- Genny... que pergunta besta, hein? Você está de volta...

E as vozes aumentaram de volume como se eles tivessem se aproximando. E mais e mais até que And avistou uma jovem alta de cabelos negros luzidos curtos. A seguir um homem com as mesmas características, porém usando um terno sem gravata.

- Ei... – disse Betty os fitando, um brilho de orgulhos nos olhos – como estão? Não sei para onde foram...

- Fui te buscar... – disse Roger beijando-a de leve nos lábios – Não te encontrei.

- Sim. – Jenny assentiu de costas para And enquanto cumprimentava Gwen – Alô tia...

- Ficamos sabendo que vocês saíram de lá acompanhados de uma ruivinha espetacular que tinha tatuagens e brincos grudados em tudo quanto era parte do corpo. – disse o homem.

Irmãs riram cumplices olhando para And logo atrás deles.

- Oh sim. Minha sobrinha. Que por acaso está logo atrás de vocês. – disse Betty cruzando os braços no peito enquanto se encostava na pia.

Os dois pararam de rir, estáticos, virando-se devagar.

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