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Walmar sorriu para Rose e Paul, livres e com roupas limpas e... uma arma presa na cintura...

Sam engoliu... começando a entender alguns detalhes... sua mente o levou a lembranças da chegada e estadia daqueles dois em sua casa. Eles estavam com ele desde que ele trabalhava com Marco!

E aos poucos foi se lembrando, as peças se juntando! Telefonemas estranhos... a postura dele recusando as investidas de Umah... a observação mais aguçada a tudo o que ele fazia! Aquilo tudo, só podia significar uma coisa...

- Vocês... vocês também me traíram, não é mesmo? - ele perguntou inconformado. Aquela era a gota d'água, pensou decepcionado ao enfrentar os olhos do homem no qual depositado toda sua confiança. Paul... ele havia pedido desculpas para aquele imbecil... se arrependera de tê-lo colocado naquela situação! Havia se culpado por eles estarem presos!

Paul... seria, mesmo, o seu nome?

Walmar ergueu a cabeça e o fitou profundamente.

- Senhor Foster, estes são os meus agentes...

- DESGRAÇADOS! - Samuel gritou, colérico tentando se soltar da mesa, a fim de esbofetear ou esmurrar aqueles mentirosos. Porém o capitão ergueu-se e o segurou.

- Acalme-se, homem! Que droga! Quem é você para xingar alguém de desgraçado? Ooras... Um pobre ladrão de pessoas pobres!

Samuel sentia-se humilhado, enganado! Um idiota!

- Pelo menos eu nunca escondi verdadeiro papel que exerço na sociedade! - ele atacou.

- Senhor Samuel... Cuidado com as palavras. O senhor não está em condições de ofender alguém aqui, ainda mais agentes federais como o Phill e a Anne.

Samuel sorriu sarcástico.

- Hum... Que bonito! Então esse é o seu verdadeiro nome: Phill e Anne ...

- Desculpe-me, capitão. Que tal irmos direto ao assunto? - perguntou Anne, não mais como uma garota confusa mas uma verdadeira agente federal, e ainda por cima atriz! A mulher havia fingido, direitinho, para ele sua incapacidade de resolver alguns problemas simples para a maioria.

- Acho ótimo. Não podemos perder mais tempo. - apertou um botãozinho e chamou mais uma pessoa.

Um homem, velho e alto de farda do exército entrou. Estava sério e olhava Samuel com interesse. Foi então que Phill os apresentou.

- Senhor Foster... esse aqui é o Major Franklin Gardh, do exército, como o senhor sabe. Por seu intermédio e do Senhor Cole Singer, armas federais e de guerra andaram saindo do país sem ordem e com destino ao exterior.

- Mas é lógico que você sabe dessas coisas! Eu mesmo lhe deixei a par de tudo... - Samuel não cabia em si de tanta fúria.

- Por favor... Cale-se! - ordenou Walmar - pare de culpar pessoas honestas que só estão trabalhando pelo bem da sua pátria! Pelo bem da justiça!

O capitão queria dizer que Samuel não tinha o direito de julgar alguém por fazer algo errado, quando ali era ele o réu por corrupção. Mas não disse nada.

Franziu o cenho pensando tê-lo visto em outro lugar, os olhos indo e voltando de sua direção!

Raspou a garganta.

- Deixe-me falar com este cidadão. - pediu ele com voz grave segurando o quepe junto ao peito, a postura rígida.

Então, olhando para Samuel começou.

- Já sabe meu nome. – fez uma careta de desdém e sentou-se ereto na cadeira – Para dizer a verdade estou louco para me aposentar, mas antes quero resolver um problema de corrupção que está acontecendo em meu quartel - ele falou sem ao menos dar chance para que Samuel interviesse.

Raspou a garganta e olhou o homem com desdém.

- Há alguns anos descobri que armas do meu exército estavam sendo vendidas para uns bandidos do extremo oriente. Não preciso dizer que isso é um crime, que merece pena de morte, não é? - o fitou com olhos de rapina então raspou a garganta - Pois bem... antes de sair quero nomes! Quem é o bandido que está passando as armas para o senhor, que as manda para LeBlanc e este a espalha para os maiores criminosos do país? - agora, ele estava extremamente irritado aproximando os olhos e o corpo, cada vez mais perto de Samuel, de forma que quando ele percebeu estava quase com os narizes se tocando, a fúria nos olhos negros.

Samuel engoliu em seco. Eles não acreditariam. Jamais acreditariam se dissesse que era o primeiro general do exército.

- Senhor Samuel, por favor, colabore! - Phill pediu, meio que impaciente. Na verdade, em todos aqueles anos essa era a única coisa que ele não havia descoberto.

Samuel devolveu, o desdém explícito nos olhos.

- Para quê? Por acaso tem outra carta na manga? Olha... não me preocupo de ficar preso não tenho mais nenhuma responsabilidade mesmo. Minha filha...

- É... por causa dela que te trouxemos aqui, senhor! - Anne espalmou as mãos na mesa e Samuel ficou gélido, sem fala, depois saltou na direção dela - Seus "zero-zero-setes" incompetentes! Do que estão falando? Que algo aconteceu com a minha garota e vocês, tão espertos não sabem o que aconteceu? É isso?

- Senhor Samuel! Comporte-se, por favor! - Walmar já perdendo o controle - Estamos com três problemas aqui! Queremos Marco e o senhor sua filha... acho que podemos nos juntar não é!

Sam estava com lágrimas nos olhos.

- O que houve com a minha garotinha? Onde está ela?

- Queremos sua ajuda para saber onde ele está! - disse Anne – Porque Marco pegou sua filha!

Samuel arregalou os olhos e o fitou...

- Tenho certeza de que se nos ajudar, isso poderá ajudar muito na quantidade da pena que o senhor receberá. Vamos vencer, com certeza!

Samuel o fitou. Havia sido a promessa feita por um homem, em uma outra vida, quando o grupo de natação prometeu sucesso, porque eles não falhavam... naquele então, aquele homem ali na sua frente usava um agasalho de moletom... o do time de... então Samuel lembrou-se de onde o conhecia. Ele era o treinador da equipe de Lion.

MarquesaOnde histórias criam vida. Descubra agora