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Ela chegaria um bom tempo atrasada...

Engoliu em seco pensando como é que conseguiria sair correndo da escola para o clube. E a roupa? O maiô... o protetor solar? O xampu... ela não teria nada disso!

- ...entendeu o que eu falei? – a madrasta tocou seu braço e ela a fitou com os olhos arregalados.

- Eu? Ah, estou sim. – ela disse e abriu um sorriso quase assustado – Quero dizer... entendi.

A mulher a fitou. Meneou a cabeça e assentiu devagar e parou o carro em frente à escola.

- Quer descer para dar uma olhada? – And indagou.

A mulher espalhou um batom rosado nos lábios e sorriu de dentro do Rolls Roice, prateado.

And consultou o relógio. Dali quinze minutos, no clube... olhou para a madrasta que olhava para um e outro aluno.

- Não tem problema, meu anjo. Na verdade, eu hoje, tenho que passar pelo meu médico. Você sabe... meu tratamento...

And lembrou-se da história que contara para Lion sobre ser filha única... o pai sozinho...

- Claro. – disse segurando a mochila. Treze minutos. Seus olhos percorreram, de forma discreta a multidão. Parou estática ao vê-lo ao longe conversando com aquela amiga negra dele. Ficou pensando se eles não...

- Bom, então tchau, Umah. – ela disse e desviou a visão para outro lado, consultando o relógio – Se não me atraso.

Umah a fitou assentindo.

And olhou para frente e depois para ela.

- Vai ficar esperando eu entrar?

Umah a fitou e ligou o carro novamente.

- Não, querida.

- E virá me buscar? – perguntou.

- Não terei tempo. Você sabe... tenho consultas e exames demorados, hoje.

And assentiu.

- Não tem problema. Eu volto para casa de táxi. Até lá...

- Até e que Deus esteja contigo. – então, ligando o carro foi embora, e o carro partiu macio, seu ruido quase como um ronrono contínuo e luxuoso. And ficou na calçada olhando-o sumir na final da rua que dava para a avenida principal de Houston.

- Pensei que ela fosse ficar para a "sua aula"! – disse alguém, logo atrás dela.

Virando-se And deu de cara com Lion. Sem Britany.

- Hã... olá. – disse um tanto sem jeito.

- Está com tudo preparado? – perguntou ele.

- Oh não. Ainda me falta a touca de banho, os maiôs, cremes, xampu...

Lion sorriu, divertido.

- Ou seja, tudo! – brincou.

And sorriu segurando a alça da mochila.

- Não deu tempo para comprar... ainda... eu ia...

- Tenho uma ideia melhor. – Lion a interrompeu e pegou sua mão – para levar até o jipe ali estacionado, ela nem tinha percebido – bom, eu supus que talvez você não tivesse conseguido. Então arrumei isso. – deu-lhe uma mochila – Sobe aí!

And ergueu as sobrancelhas e aceitou subir no carro. E enquanto ele dava partida no carro, abriu a mochila para encontrar um maiô azul de listra branca na lateral, um biquíni preto de pequenas flores amarelas e vermelhas, o xampu, creme, protetor solar.

- Uau... que... lindos! Muito obrigada, Lion! – agradeceu ela – Mas sabe, queria comprar as minhas coisas...

Lion afagou-lhe a mão enquanto a outra controlava o volante.

- Aceite. É um presente meu. – disse ele – Quando tivermos um pouco mais de tempo, poderemos ir comprar todas as coisas que você quiser.

And assentiu olhando as coisas que ganhara dele e sua mão grande sobre a sua. Não quis pensar que o ato de comprar aquelas peças para ela envolvia entender que ele havia prestado atenção em seu corpo...

- Certo. – disse And.

Assim, Lion pegou a avenida principal e percorreu as suas até o clube que ela conhecia desde sempre, e onde ele treinava natação e pretendia ensiná-la.

- O vestuário está por ali. Vista-se e me encontre ali no final! - ele falou assim que entraram e ele estacionou o jipe em uma das dezenas de vagas para carro.

And sabia, porém assentiu, como que aprendendo.

A experiência era... nova, porque ela nunca havia se colocado naquela posição. Com um garoto... entrou em um dos boxes e abriu a mochila... mordeu o lábio inferior... o maio...

Começando a despir-se, sentiu o coração aos pulos ao se livrar da calcinha e do sutiã de malhas. Nunca havia pensado em nada disso... com dezoito anos...

Pegou o maio e vestiu rapidamente, percebendo que ele era perfeito... cobria muito do seu esguio corpo... não era uma jovem de muito seio, a cintura fina... os quadris quase discretos...

E ela pegou a touca... ajeitou os cabelos em um coque puxado... os cabelos lisos eram volumosos... ela tentou colocar dentro da touca...

Bateu o cotovelo na parede do boxe e gemeu...

- Droga... melhor se vestir...

Abriu a porta e assustou-se com uma menina que estava ali a sua frente. O corpo magro e bonito... jovem... as faces coradas... ela arregalou os olhos para ela e... percebeu que a menina era ela!

E era... ela era jovem e... não podia negar que não era bonita... de uma forma... enfiou as mochilas em um armário e fechou a porta para então sair caminhando pelo corredor...

E de repente estava exposta!

Engoliu em seco! A grande piscina pareceu lhe dar "oi". Uma vida toda! Enquanto caminhava descalça pelo clube, sentiu-se pálida sob os azuis azulejos do corredor que levava até o vestuário e alcançou as piscinas. O sol estava escaldante e por isso ela não sentiu frio. Provavelmente as sardas mais aparentes do que nunca. E no final do dia ainda piores.

Apoiou a mão sobre os olhos, nunca tendo percebido o reflexo do sol quente sobre a superfície liquida e azulada. E... ainda bem que vazia, com somente uma pessoa que a cruzava com a habilidade de um peixe: Lion.

Seus olhos se fixaram, sem conseguir se afastar. Ele era realmente hábil naquilo... ela queria, um dia, poder fazer aquilo. Não percebeu que ele parou até que saiu da água, seu corpo bronzeado simplesmente perfeito.

E molhado! E sensual...

Ela baixou os olhos, procurando só olhar para seu rosto... o que era pior porque em seus olhos, ela via que ele a media de cima a baixo.

- Oi... – disse ele olhando-a com aprovação – Ficou ótima.

Andie corou intensamente.

- Não. Não diga isso. Estou... mais pálida que do que aquele azulejo branco, ali! E odeio essas sardinhas. – tocou o ombro e o colo entre os seios e o pescoço.

Lion sorriu, mas de repente parecia sério. Contemplativo!

- Pois eu as acho lindas.

And virou-se para outro lado, a fim de que não lhe visse como estava abalada. E deu de cara com a piscina, que a fez estremecer. Sentiu-se empalidecer.

- Bem... quando é que vamos começar? Não quero ficar sentindo esse medo para sempre.

- Isso é bom. Medo não ajuda ninguém a nada, menina! – ele cruzou as mãos e então apontou para a beira da piscina – Agora venha aqui que eu vou te levar à parte mais rasa da piscina.

Estendeu a mão e ela a fitou.

E a segurou parecendo o sinal de estar dando a mão para uma nova vida. 

MarquesaOnde histórias criam vida. Descubra agora