❛- A lua está linda hoje
- Mas hoje é lua nova, Mike, o que isso quer dizer?
- Nada, Morg. ❛
Morgan Carter se sentia um tanto quanto perdida por conta de sua nova estadia em Hawkins. A menina que costumava morar em Paris, sofreu constantemente por c...
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O TEMPO PODE SER RELATIVO. Para alguns, 18 meses é tempo suficiente para recomeçar uma vida nova, com novas esperanças, lugares novos, pessoas novas, pensamentos novos ou até mesmo longe de Hawkins. Mas, para Morgan Carter, esse tempo servia apenas como um lembrete da assinatura da sua sentença de morte — ou quase isso.
Quando Vecna desapareceu, exatamente há 18 meses, seu rastro ficou colado na cidade, agora, em quarentena. Ninguém saia nem entrava. Contudo, os rastros de Henry Creel, para Morg, não eram apenas grande placas de metal cobrindo rachaduras causadas pelo o que um dia foi declarado um fenomeno natural desconhecido (o que sabemos ser falso). Longe disso, para a menina dos cabelos castanhos, as sequelas de um dia ter tido Vecna em sua mente, foram muito maiores.
Ter que lidar com Vecna na sua mente não havia sido facil. Ter que praticamente reviver o pior dia de sua vida era quase impossível de se esquecer, por mais que agora soubesse não ter sido a culpada. Ainda assim, o pânico, as tremedeiras involuntárias, tudo continuava.
Era fácil dizer que os pesadelos tinham desaparecido, assim como a culpa pela morte de todos no laboratório, as dores de cabeça e os sangramentos nazais estranhos. Todo seu contato com o monstro tinham ido. Todo mundo sabia disso. "Take on me" não era mais necessário. Todos sabiam disso. Tudo isso era muito fácil, mais fácil que tirar cara ou coroa em uma moeda — a probabilidade é de 100%.
O maior problema da Carter, e que apenas uma pessoa foi capaz de ouvir, era que seu seu trauma, ainda persistia. E isso, não era nada fácil. Morg não falava sobre seu trauma, as sequelas que Vecna deixara com ela. Era complicado.
Não complicado porque achava que os amigos a julgariam, mas sim pois simplesmente não conseguir dizer em voz alta, era absurdo de mais. Era um medo novo a correndo por completo, e, por mais que isso fosse culpa de Vecna, ela não sentia ele. Não mais. Não se sentia marcada. Apenas sentia pânico. E tudo começou no primeiro dia de abril de 1986.
(...)
1 de abril, 1986
Alguns dias depois do que foi chamado de terremoto, o cinema que abrira em Hawkins no ano anterior, estava praticamente vazio, exceto por Morgan Carter e Michael Wheeler. O shopping, ainda fechado pela catástrofe de 1985 não era mais uma opção de ida gratuita ao cinema — o que era uma pedra no sapato (ou algumas notas retiradas do bolso). Por outro lado, era bom poder encontrar um lugar onde o chão não havia se rachado por completo, onde a normalidade ainda parecia uma possibilidade.
Bem, de qualquer forma, para Mike Wheeler a sorte era uma excelente companheira. Claro, eles se viam sem caminhos para sair de Hawkins, ainda mais agora com Vecna simplesmente desaparecido e sem vias para soluções de encontra-lo. A luz? Uma pausa pós toda a tragédia do feriado de primavera era quase como uma recompensa. Uma recompensa camuflada de fuga dos problemas.