❛- A lua está linda hoje
- Mas hoje é lua nova, Mike, o que isso quer dizer?
- Nada, Morg. ❛
Morgan Carter se sentia um tanto quanto perdida por conta de sua nova estadia em Hawkins. A menina que costumava morar em Paris, sofreu constantemente por c...
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UM PASSO PARECIA UMA ETERNIDADE. As cores sombrias, as sombras, os ruídos, a umidade. A falta de luz, o medo. O medo era o principal. A dor. Nada parecia estar certo naquele local.
Dois passos pareciam demorar muito mais do que apenas um. O recado havia sido dado? Três, quatro, cinco, seis. O silêncio era perturbador, mas o silêncio também fala. As vozes do silêncio assustavam todos. Mais um passo. Mais um barulho. Mais um vulto.
Sete, oito, nove, dez. O sinal finalmente tinha chegado? A corrida era impossível. Outro vulto, mais um barulho. O medo crescia. Todos sentiam o pior vindo. Novamente o silêncio. Ele pelo visto era quem mandava em todo aquele lugar, pelo menos quando os ruídos pareciam cessar.
Morgan se virou, apenas para sentir o medo a preenchendo por completo. Um enorme Demogorgon se encontrava atrás dela. A cabeça em formato de flor, a pele viscosa e os ossos visíveis. Ela fechou os olhos esperando o pior, esperando apenas a dor a atingir abraçando o impacto de sua morte.
Contudo, ele não veio. O impacto ou a dor, não. Foi apenas... um sentimento de atravessar um véu úmido. A sensação era estranha, gelada, úmida, quase irreal. Morgan deixou um suspiro escapar de sua boca, e, ao abrir os olhos, ela o viu novamente. O monstro caminhava em sua frente.
O monstro tinha simplesmente atravessando por ela, a deixando arrepiada, mas só. Apenas isso.
- Mas o que...? - Murmurou a menina.
O chão tremia, mas então ela se lembrou. Ela já estivera ali — bem, não ela, mas ele. Nick Withe. Morgan se lembrava com uma nitidez quase lúcida de seu pesadelo. Ela estava dentro de um pesadelo antigo, passado, contudo, mais real.
Era uma memória. Era uma memória, então, ela não poderia ser afetada pelo que vagava por lá. Daí, o corpo. O mesmo maldito corpo que ela avistara segundos atrás. O corpo que ela antes temia e fugia, mas ainda assim, reconhecia. Nick estava no chão, os cabelos cobertos por algo que se parecia gelatinoso. Ele olhava para todos os lados tentando fugir do inevitável.
Então ela viu. Longe, mas não tão distante, a silhueta de Vecna o observava por trás de uma grande árvore. Morgan mal conseguiu respirar. O Mundo Invertido tomava forma quanto mais ela olhava, quanto mais ela olhava mais vívido o lugar ficava.
- Carter! - Morgan se virou para Nick ao escutar o som da voz do menino. - Sim! Sou eu. Por favor me diz que pode me ouvir.
O que ele estava falando?
- O filho do maluco do laboratório que você morava?
O coração de Morgan errou uma batida — não, "uma" era um eufemismo, milhões de batidas soaram erradas. A voz de Mike Wheeler era distante, tão distante que Morgan se perguntou se era real.