❛- A lua está linda hoje
- Mas hoje é lua nova, Mike, o que isso quer dizer?
- Nada, Morg. ❛
Morgan Carter se sentia um tanto quanto perdida por conta de sua nova estadia em Hawkins. A menina que costumava morar em Paris, sofreu constantemente por c...
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MORGAN, ENTÃO, CORREU. Risadas eram entreouvidas, mas supondo que vinham apenas de uma memória conturbada de Henry Creel, ela não tardou a se distanciar delas. A floresta à sua frente parecia a melhor opção para encontrar uma saída digna daquele lugar. A melhor opção na qual qualquer erro fosse notável o suficiente para a levar até outro ambiente. Ela não podia ficar ali, simplesmente não podia.
Quanto mais ela corria, mais árvores apareciam, mais a floresta a consumia. Galhos se quebravam, folhas secas estouravam, seus passos apenas aceleravam. Seu pulso aumentou, sua respiração era tão descontrolada que ela mal podia dizer se realmente estava respirando.
Um riacho foi avistado entre mais árvores, ela estendeu sua mão para o chão, a telecinese em ação apenas para o caminho ser cortado e as águas puladas. Ela saltou, sentindo o impacto da terra atingir suas mãos com leveza, Morgan voltou a correr.
Ela correu, correu e correu mais um pouco. Contudo, de repente, as árvores começaram a diminuir, cada vez menos, menos, e então... uma enorme parede de pedras entrou em seu campo de visão. Uma fenda bem ao meio.
Ela não esperou. Agora, com passos lentos, após respirar profundamente, a menina seguiu o caminho que se abria entre as pedras. Ela parou. Vozes. Vozes conhecidas demais para serem apenas de uma vaga memória de Vecna ricocheteavam pelo ar. O coração de Morgan errou uma batida.
- Não! - Dizia uma das vozes. - Nós não vamos fazer nada até sermos resgatadas.
- Resgatadas pela Eleven e pela Morg? - A outra voz perguntou irônica.
Morgan congelou. Ela tinha escutado direito? Seus pés se moveram fazendo barulho demais. Um suspiro alto escapou de sua garganta, a obrigando levar as mãos até sua boca. Morgan não tinha mais pensamentos lógicos. Seria essa memória sobre ela?
- Shiu. - A primeira voz voltou a falar. - Ouviu isso?
Morgan respirou fundo e seguiu o caminho.
Cada passo parecia ecoar mais do que deveria, como se a caverna estivesse escutando. A fenda se alargava aos poucos, revelando um espaço maior, iluminado por uma luz fraca demais para ser natural.
E então ela as viu.
Max Mayfield. A mesma Max que deveria estar no hospital. A mesma Max que Morgan não via há dois anos. A mesma Max, bem ali. A ruiva estava completamente suja, roupas rasgadas e cabelo emaranhado, as pernas puxadas contra o corpo. Mas ainda assim, era ela. Sua melhor amiga.
Ela se virou para Morgan, mas não se mexeu. Ao lado dela Holly Wheeler andava de um lado para o outro, inquieta, como um animal preso. Porém, ao notar a presença de Morgan Carter tudo pareceu estagnar.
As três trocaram olhares tão confusos que quase se perderam neles. Morgan franziu seu cenho com tanta força que jurou perder a própria testa.